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Agro brasileiro enfrenta pressão global com logística instável e alta nos fertilizantes

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O agronegócio brasileiro, responsável por aproximadamente 24% do Produto Interno Bruto (PIB) e por quase metade das exportações nacionais nos últimos anos, volta a enfrentar um cenário de pressão internacional. A combinação entre instabilidade geopolítica, custos logísticos elevados e dependência de fertilizantes importados coloca em alerta a competitividade do setor.

Produtos como soja, milho, carnes e derivados seguem sustentando o superávit da balança comercial e exercendo papel estratégico na estabilidade econômica. No entanto, essa força depende diretamente de fatores estruturais como previsibilidade logística e segurança no abastecimento de insumos.

Instabilidade no Oriente Médio eleva custos globais

A tensão no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito, tem potencial para impactar diretamente os custos globais de energia e transporte.

Embora o Brasil não utilize essa rota para suas exportações agrícolas, os reflexos são indiretos e relevantes. O frete marítimo, altamente sensível ao preço do combustível, pode ter até metade de seu custo atrelado ao bunker. Dessa forma, oscilações no petróleo Brent são rapidamente repassadas às tarifas internacionais.

Logística brasileira limita competitividade

Internamente, o Brasil enfrenta desafios históricos em sua matriz de transporte. Aproximadamente 65% da produção é escoada por rodovias, o que eleva os custos logísticos e reduz a eficiência.

Esse cenário coloca o país em desvantagem frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina, que contam com estruturas logísticas mais integradas. Pequenas variações no custo por tonelada podem influenciar diretamente a competitividade em contratos internacionais de grande escala.

Dependência de fertilizantes preocupa o setor

Outro ponto crítico é a forte dependência externa de fertilizantes. Atualmente, cerca de 85% dos insumos utilizados no país são importados, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

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No caso dos fertilizantes nitrogenados, como a ureia, essa dependência é ainda mais acentuada. Parte significativa desses produtos é originada no Oriente Médio, onde a produção está diretamente ligada ao gás natural.

Alta do gás natural pressiona custos no campo

O gás natural é matéria-prima essencial na produção de fertilizantes nitrogenados. Em cenários de instabilidade geopolítica, o aumento no preço desse insumo eleva os custos de produção global.

Mesmo sem interrupções no fornecimento, o mercado reage ao risco, pressionando as cotações internacionais. Para o produtor rural, o impacto é imediato: aumento do custo por hectare, especialmente em culturas como soja e milho.

Diante desse cenário, produtores podem reduzir a aplicação de fertilizantes ou buscar alternativas menos eficientes, o que compromete a produtividade e afeta o custo final dos alimentos.

Efeito em cadeia impacta inflação e crédito

O aumento dos custos segue uma dinâmica clara: energia mais cara eleva o preço dos fertilizantes, que por sua vez encarecem a produção agrícola. Esse movimento pressiona os preços dos alimentos e influencia os índices de inflação.

Com a inflação em alta, decisões de política monetária tendem a elevar os juros, encarecendo o crédito rural. O resultado é a redução de investimentos, menor expansão de área e limitações na adoção de tecnologias.

Impactos se estendem por toda a cadeia

Os efeitos desse cenário não se restringem ao campo. Toda a cadeia do agronegócio é impactada, incluindo a indústria de máquinas agrícolas, o setor de insumos, o transporte e o varejo alimentar.

Mesmo com elevada eficiência produtiva, o agro brasileiro permanece exposto às oscilações do cenário internacional.

Câmbio amplia pressão sobre custos

A volatilidade cambial também contribui para o aumento dos custos. Em momentos de tensão global, o dólar tende a se valorizar frente às moedas emergentes.

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Como fertilizantes e insumos são cotados na moeda norte-americana, o produtor enfrenta uma dupla pressão: preços internacionais mais altos e câmbio desfavorável, o que eleva ainda mais os custos no mercado interno.

Produção nacional de fertilizantes ganha relevância

Diante desse cenário, cresce a importância de ampliar a produção nacional de fertilizantes como estratégia para reduzir a dependência externa.

O Plano Nacional de Fertilizantes já reconhece essa vulnerabilidade e estabelece metas para aumentar a autonomia produtiva ao longo das próximas décadas. O principal desafio, no entanto, está na execução dessas políticas.

Gestão de risco se torna estratégica

Além das iniciativas estruturais, estratégias privadas ganham protagonismo na mitigação de riscos. Entre as principais ações adotadas pelo setor estão a compra antecipada de insumos, contratos com travas de preço, hedge cambial e planejamento logístico mais eficiente.

Essas práticas deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais para a sustentabilidade econômica da atividade.

Competitividade exige planejamento e antecipação

O agronegócio brasileiro consolidou sua posição global com base em tecnologia, escala e capacidade de adaptação. No entanto, o atual cenário reforça que competitividade vai além da produtividade.

Segurança no fornecimento, previsibilidade logística e gestão estratégica de risco tornam-se fatores determinantes.

Para manter sua relevância no abastecimento global de alimentos, o Brasil precisará avançar na construção de maior autonomia produtiva e na redução de vulnerabilidades externas. Em um ambiente onde energia define custos e logística determina margens, antecipar riscos será decisivo para o futuro do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

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Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

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No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

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A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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