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Brasil assume presidência da COP15 com agenda histórica para conservação de espécies migratórias

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Sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, começou oficialmente nesta segunda-feira (23/3) a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). O evento, que reúne cerca de 2 mil participantes na capital sul-mato-grossense, marca um momento histórico para o Brasil. Pela primeira vez, o país preside a conferência, o que fortalece uma liderança ética na articulação de compromissos socioambientais globais.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abriu os trabalhos destacando o Pantanal como o cenário ideal para o debate. Segundo a ministra, o aumento da representatividade nas decisões climáticas passa obrigatoriamente pela abertura de espaços de diálogo e pela inclusão das contribuições de povos e comunidades tradicionais (PCTs).

“O Pantanal é uma terra de encontros. É onde os rios se tornam lagos, onde a floresta se abre em campos, onde as aves do Norte e do Sul encontram pouso. É um elo que nos lembra que a natureza não se divide em linhas rígidas, mas se entrelaça em transições generosas. Precisamos conectar as nações, a política, a ciência e os saberes tradicionais para garantir que as espécies migratórias sigam seu caminho”, afirmou Marina Silva.

O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, assumiu formalmente a presidência da COP15 para o próximo triênio, sucedendo ao Uzbequistão (que assumiu a presidência na COP14, entre 2024 e 2026). Capobianco enfatizou que o protagonismo brasileiro será pautado pela prática.

“Temos o compromisso de colaborar com a CMS. Queremos buscar novas adesões e visões, usar a liderança do presidente Lula, da ministra Marina Silva e da nossa equipe no MMA para convencer outros países. Queremos discutir e debater também o aumento de recursos e investimentos e colaborar com o avanço na ciência e conhecimento”, detalhou.

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A liderança brasileira também foi celebrada pela diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Elizabeth Maruma Mrema. “É muito oportuno que nos reunamos nas portas do Pantanal. Este bioma é um exemplo vivo da conectividade ecológica”, ressaltou. “A COP15 representa um chamado à ação. É a oportunidade de transformar palavras em ações concretas, fortalecer medidas de proteção, enfrentar ameaças ilegais e coordenar esforços ao longo de toda a rota migratória das espécies”, finalizou.

O que está na mesa de negociações

A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que o sucesso da conferência dependerá da superação de barreiras físicas e políticas. Nesta edição, os negociadores enfrentam mais de 100 itens de agenda, que incluem desde o combate à caça ilegal e a perda e fragmentação de habitat até os impactos da mineração submarina e da poluição sonora e química.

“Espécies migratórias são bioindicadores da saúde do planeta. Se não conseguem completar seus ciclos, todo o sistema falha. Debateremos a inclusão de 42 novas espécies nos Anexos I e II da CMS [listas com espécies migratórias ameaçadas ou com animais que requerem cooperação internacional para sua conservação, respectivamente] e mecanismos para que os países de ocorrência [Range States, em inglês] atuem de forma coordenada”, explicou Fraenkel. O Governo do Brasil propõe, entre outros, a inclusão do Pintado (Pseudoplatystoma corruscans), bagre migratório recorrente nas bacias do São Francisco e do Prata.

Atualmente, a CMS protege 1.189 espécies (962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 peixes, 10 répteis e um inseto). Uma espécie é considerada migratória quando cruza fronteiras nacionais em busca de alimento, água ou locais seguros para reprodução.

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As negociações em plenária e grupos de trabalho seguem ao longo da semana. As propostas de listagem, resoluções e decisões que vão moldar as políticas de conservação para os próximos anos serão submetidas para adoção oficial no domingo (29).

Proteção de quem protege

Em consonância com as discussões para a proteção das espécies migratórias, a ministra Marina Silva ressaltou a importância das populações tradicionais para a conservação da biodiversidade e do planeta.

“O Brasil decidiu liderar pelo exemplo. Por isso que, ontem, o presidente Lula, ao assinar os decretos que assinou, fez questão que não fossem apenas aqueles de proteção integral, mas também projetos de uso sustentável”, completou.

Na noite desta segunda-feira, ocorreu a Noite dos Campeões das Espécies Migratórias (Migratory Species Champion Night, em inglês), evento que reconheceu as Partes da CMS por contribuições excepcionais na proteção da vida selvagem em movimento.

A COP15 acontece entre 23 e 29 de março. Paralelamente às negociações, o Governo do Brasil promove o Espaço Brasil, na Zona Azul (Bosque Expo), além de uma programação gratuita no espaço Conexões Sem Fronteiras, na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas.

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(61) 2028-1227/1051

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Mudanças climáticas impulsionam irrigação por gotejamento na produção de hortifrútis

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A intensificação das mudanças climáticas vem transformando a produção de hortifrútis no Brasil e tornando a irrigação uma ferramenta indispensável para garantir produtividade e qualidade. Com chuvas cada vez mais irregulares, estiagens prolongadas e maior pressão sobre os recursos hídricos, produtores têm ampliado os investimentos em sistemas de irrigação por gotejamento para aumentar a eficiência no uso da água e dos fertilizantes.

Em culturas de ciclo curto, onde o investimento por hectare é elevado e qualquer falha pode comprometer a rentabilidade da safra, a irrigação deixou de ser apenas uma alternativa para se tornar um fator estratégico na gestão da produção.

Irrigação já está presente na maior parte da horticultura brasileira

Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico indicam que mais de 90% da produção de horticultura no Brasil utiliza algum tipo de irrigação. Segundo a entidade, áreas irrigadas podem alcançar produtividade entre duas e três vezes superior à observada em sistemas de sequeiro.

Para Wagner Suavinha, engenheiro agrônomo e coordenador de Produtos da Netafim, o cenário climático tem mudado a forma como o produtor encara esse investimento.

“A irregularidade climática tem feito o produtor olhar para a irrigação de forma muito mais estratégica. Em muitas regiões, especialmente onde existe estação seca bem definida, irrigar deixou de ser uma escolha eventual e passou a ser uma condição básica para produzir. Em culturas de ciclo curto, poucos dias de falta ou excesso de água podem comprometer produtividade, qualidade e até a janela de colheita”, afirma.

Eficiência hídrica se torna prioridade no campo

Além da disponibilidade de água, a eficiência da irrigação passou a ser um dos principais desafios da horticultura.

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Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apontam que cerca de 50% da água captada para irrigação pode ser perdida antes de ser aproveitada pelas plantas, dependendo do sistema utilizado.

Nas culturas hortícolas, onde a fertirrigação faz parte do manejo produtivo, a uniformidade da aplicação influencia diretamente o aproveitamento dos nutrientes, o desenvolvimento das plantas e a produtividade da lavoura.

Levantamento que reuniu 77 estudos e 357 conjuntos de dados mostrou que a fertirrigação por gotejamento proporcionou aumento médio de 7,99% na produtividade das hortaliças, além de elevar em 50,6% a eficiência do uso da água e em 48,9% a eficiência do aproveitamento do nitrogênio em comparação aos métodos convencionais.

Distribuição uniforme melhora qualidade da produção

Segundo o especialista, culturas como tomate, cebola, melão e hortaliças folhosas dependem de uma distribuição uniforme da água para garantir padrão comercial e elevada produtividade.

Quando parte da lavoura recebe menos água do que o necessário e outra recebe excesso, aumentam os riscos de plantas desuniformes, perda de calibre, redução da qualidade, menor eficiência dos fertilizantes e maior incidência de problemas fitossanitários. O excesso de irrigação também favorece a lixiviação de nutrientes, elevando os custos de produção.

“Quando a água não chega de forma equilibrada, a lavoura responde com plantas desiguais, diferenças de calibre e perda de padrão comercial. Em um mercado cada vez mais exigente, a uniformidade da irrigação é determinante para o resultado econômico da produção”, destaca Suavinha.

Tecnologia amplia eficiência no uso da água

Nesse contexto, a irrigação por gotejamento vem ganhando espaço por permitir que água e nutrientes sejam aplicados diretamente na região das raízes, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do manejo.

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Entre as soluções disponíveis para cultivos de ciclo curto está o Streamline X, desenvolvido para oferecer maior desempenho hidráulico, resistência mecânica e segurança operacional durante todo o ciclo da cultura.

Segundo a Netafim, a tecnologia combina ampla área de filtragem com o sistema TurboNet, características que contribuem para reduzir o risco de entupimentos, manter a uniformidade da vazão e proporcionar maior durabilidade do equipamento.

Projeto adequado faz diferença no desempenho

O especialista alerta que a escolha de um sistema de irrigação não deve considerar apenas a espessura da parede dos tubos gotejadores, critério frequentemente utilizado nas comparações de mercado.

Aspectos como pressão de trabalho, resistência ao entupimento, uniformidade da vazão, qualidade hidráulica, tipo de solo, qualidade da água, sistema de filtragem e estratégia de fertirrigação devem ser avaliados em conjunto para garantir maior eficiência e vida útil do projeto.

“Em irrigação, o produtor precisa analisar o sistema como um todo. Quando o projeto é corretamente dimensionado e a tecnologia atende às necessidades da propriedade, os ganhos aparecem na forma de maior eficiência, redução de perdas, melhor aproveitamento dos insumos e mais previsibilidade para a produção”, conclui Wagner Suavinha.

Com o avanço das mudanças climáticas e a crescente necessidade de produzir mais utilizando menos recursos, a irrigação por gotejamento se consolida como uma das principais aliadas da horticultura brasileira na busca por produtividade, sustentabilidade e maior segurança no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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