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Trigo avança no Brasil e no mercado internacional com suporte de oferta restrita e demanda aquecida

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O mercado de trigo registra avanço nos preços tanto no Brasil quanto no cenário internacional, impulsionado pela combinação de oferta limitada, demanda aquecida e preocupações climáticas nas principais regiões produtoras. No Sul do país, a escassez de trigo de qualidade reforça o movimento de alta, enquanto fatores externos seguem dando sustentação às cotações.

Preços do trigo sobem no Sul com oferta restrita

O mercado brasileiro apresenta recuperação nos preços, especialmente na Região Sul, onde as negociações seguem pontuais e estratégicas. Compradores buscam garantir abastecimento futuro diante da menor disponibilidade de trigo de melhor qualidade.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente devem retornar.

A valorização é sustentada pela escassez de produto de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse contexto, os lotes ainda disponíveis tendem a ser mais valorizados. Em Panambi, o preço pago ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca.

Santa Catarina e Paraná mantêm mercado firme

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, negociado ao redor de R$ 1.200 por tonelada, acrescido de frete e ICMS. O produto local gira próximo de R$ 1.300 CIF, embora com menor disponibilidade.

Os preços de balcão permanecem estáveis na maioria das regiões, com variações pontuais, incluindo alta em Xanxerê.

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No Paraná, o mercado segue firme, porém com ritmo mais lento de negócios. As negociações estão concentradas em contratos com prazos mais longos, enquanto produtores priorizam a colheita de soja e milho.

Os preços variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no Norte do estado, enquanto nos Campos Gerais ficam próximos de R$ 1.300 CIF.

Perspectiva de menor produção reforça sustentação dos preços

As projeções para a próxima safra indicam redução na área plantada e na produtividade, o que deve manter o suporte às cotações no médio prazo.

As estimativas apontam queda de 6% na área cultivada e recuo de 12% na produção, com volume projetado em 2,53 milhões de toneladas.

No mercado externo, não houve oferta de trigo argentino na semana, reforçando o cenário de restrição. O produto paraguaio foi cotado entre US$ 260 e US$ 262 por tonelada, posto em Ponta Grossa.

Mercado internacional tem suporte da demanda e do clima

No cenário global, o trigo encerrou a semana com leve valorização, sustentado principalmente pela demanda internacional aquecida e pelas incertezas climáticas.

Entre os destaques, a compra de aproximadamente 700 mil toneladas pela Argélia, a preços superiores aos registrados anteriormente, contribuiu para dar suporte às cotações.

Clima nos Estados Unidos e vendas aquecidas elevam atenção

Nos Estados Unidos, o relatório semanal do USDA apontou vendas de 397,2 mil toneladas, próximas ao limite superior das expectativas do mercado.

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O volume acumulado da safra 2025/26 já supera em cerca de 15% o registrado no mesmo período do ano anterior, com participação relevante de países asiáticos e do México.

Ao mesmo tempo, o clima segue como fator de risco. Cerca de 57% das áreas de trigo de inverno enfrentam condições de seca, o que pode comprometer a produtividade, já que essa cultura representa a maior parte da produção norte-americana.

Geopolítica, custos e câmbio seguem no radar

Outros fatores continuam influenciando o mercado global, como os conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro, que mantêm elevado o nível de incerteza logística.

Além disso, o aumento nos custos de fertilizantes pode impactar o plantio, especialmente no Hemisfério Sul, enquanto há expectativas de redução da área plantada nos Estados Unidos e menor produção na Europa.

Por outro lado, a valorização do dólar, a realização de lucros por fundos de investimento e a previsão de chuvas nas Grandes Planícies dos EUA limitaram avanços mais expressivos nas cotações.

Tendência é de mercado firme com viés de alta

No curto prazo, o mercado de trigo deve seguir em movimento lateral, com leve viés de alta. O equilíbrio entre oferta restrita e demanda firme, aliado às incertezas climáticas e geopolíticas, mantém a sustentação dos preços no Brasil e no cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

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O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

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Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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