Tecnologia

Dados do Inpe passam a ser usados para verificação de desmatamento em concessão de crédito rural

Publicado

A partir desta quarta-feira (1º), entra em vigor uma nova norma do Conselho Monetário Nacional (CMN), que aprimora as regras para concessão de crédito rural no Brasil. A medida passa a incorporar dados do Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) usado como referência para a verificação de desmatamento e que integra o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR). 

Pela regulamentação, instituições financeiras deverão checar a ocorrência de desmatamento ilegal em propriedades com mais de quatro módulos fiscais, considerando eventos posteriores a 31 de julho de 2019. A verificação será feita com base em uma lista de imóveis com indícios de desmatamento fornecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a partir de dados derivados do Prodes. 

Para orientar o uso adequado dessas informações, o Inpe publicou a nota técnica O Uso dos Dados Prodes para Avaliar a Conformidade Ambiental de Propriedades Rurais. O documento descreve as características do sistema — que atualmente monitora os seis biomas brasileiros — e detalha os critérios recomendados para análise. 

Leia mais:  Entre chips, dados e inteligência artificial, 2025 marcou o avanço da soberania tecnológica do Brasil

Entre as principais orientações, está o uso exclusivo dos dados anuais de incremento de desmatamento para avaliação da conformidade ambiental, além da adoção de limiar de borda nas análises de sobreposição espacial, de forma a garantir maior precisão nos resultados. 

O uso dos dados do Prodes para esse tipo de aplicação é respaldado por sua elevada precisão e por processos contínuos de validação independente. Avaliações conduzidas por instituições externas indicam níveis de exatidão global entre 94,3% e 99%, a depender do bioma analisado, conforme detalhado na nota técnica específica sobre o tema. 

Com isso, os dados do Prodes se consolidam como uma fonte confiável e transparente para subsidiar políticas públicas e instrumentos de regulação ambiental, contribuindo para práticas produtivas mais sustentáveis e para o fortalecimento da governança territorial no País. 

Acesse as notas técnicas 

Leia mais:  MCTI e CNPq lançam edital de R$ 2,5 milhões para apoiar eventos de inovação e empreendedorismo

Sobre o Prodes 

O Prodes é o sistema do Inpe responsável pelo mapeamento anual da supressão de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros. A partir de imagens de satélite, o sistema produz os dados oficiais sobre desmatamento no País, fundamentais para ações de conservação e formulação de políticas ambientais. 

Para fins de monitoramento, o Prodes considera como supressão de vegetação nativa a remoção completa da cobertura vegetal primária, incluindo áreas com solo exposto, vegetação secundária, mineração, florestas inundadas ou perda total do dossel florestal decorrente de processos de degradação. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
publicidade

Tecnologia

Técnica tradicional de reflorestamento já plantou mais de 250kg de sementes no interior da Amazônia em 2026

Publicado

Coleta, limpeza, secagem e classificação, formação da muvuca e a semeadura das sementes. Esse é o passo a passo para a técnica tradicional de reflorestamento conhecida como “muvuca de sementes”, método utilizado pelo projeto Floresta Olímpica do Brasil, uma iniciativa do Instituto Mamirauá em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB)

Iniciado em 2026, o programa tem aplicado a técnica junto aos moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas. Desde janeiro, a iniciativa já plantou cerca de 256kg de sementes de mais de 50 espécies diferentes em quatro hectares de áreas degradadas.

Segundo o analista do Mamirauá e coordenador operacional da iniciativa, Jean Quadros, o método se assemelha ao processo de recomposição do banco natural de sementes. “Esse plantio das espécies, todos de uma vez, busca imitar o que acontece naturalmente na floresta, onde a gente tem um banco de sementes com várias espécies, com vários grupos funcionais, e eles vão germinando no seu tempo”, explica.

O projeto deve seguir até 2030, com 6,3 hectares restaurados. “Nestes dois anos, a Floresta Olímpica do Brasil vem amadurecendo como projeto de restauração e fortalecimento comunitário. Com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, encontramos soluções adaptadas à Amazônia que unem ciência e tradição, provando que o esporte também pode inspirar sustentabilidade e impacto social”, afirma a gerente de Cultura e Valores Olímpicos do COB, Carolina Araújo.

Leia mais:  41 anos do MCTI: quando ciência, tecnologia e pessoas se encontram

Além do reflorestamento, a iniciativa também visa o protagonismo da comunidade local. “Me sinto honrado em participar diretamente desse projeto. A gente aprende a trabalhar de uma forma diferente com a natureza, sem precisar destruir para tirar o sustento. Hoje sabemos que é possível plantar, conservar a floresta em pé e ainda garantir renda para a nossa comunidade”, diz um dos ribeirinhos participantes, Silas Rodrigues.

Em 2025, os moradores locais receberam treinamento para a aplicação da técnica e deram início ao processo. Com a iniciativa, espera-se que as áreas restauradas passem a gerar alimentos, oportunidades e renda para a comunidade. A expectativa também é que os ribeirinhos repliquem o método em outras áreas degradadas, ampliando os impactos da restauração no território.

O processo

O termo “muvuca” tem origem africana e remete à ideia de mistura. A prática de semear diferentes espécies ao mesmo tempo, no entanto, tem raízes em conhecimentos tradicionais de povos indígenas, que utilizavam o método para garantir a própria subsistência.

Segundo Jean Quadros, a técnica substitui os modelos mais utilizados. “Ao invés de a gente ter que plantar as mudinhas todas individualmente, a gente faz a semeadura de muitas sementes de diferentes espécies e grupos funcionais, todas de uma vez. A gente consegue fazer a semeadura de um hectare utilizando a técnica da muvuca em uma manhã, sendo que o plantio de mudas é muito mais demorado”, explica.

Leia mais:  Entre chips, dados e inteligência artificial, 2025 marcou o avanço da soberania tecnológica do Brasil

Dentre das sementes selecionadas para a técnica, existem três grupos principais:

  • Espécies pioneiras, com rápido crescimento e alta capacidade de cobertura do solo, como feijão de porco, feijão guandu, gergelim, crotalária, fedegoso e abóbora;
  • Espécies secundárias iniciais e tardias, responsáveis pela estruturação da vegetação, como embaúba, caju, urucum, maracujá, murici e pente de macaco;
  • Espécies clímax, de crescimento mais lento, que compõem a floresta madura, como jatobá, ipê amarelo, açaí, angelim, bacuri e buriti, entre outras espécies frutíferas.

A aplicação da técnica começa com a preparação do solo, especialmente em áreas degradadas, como antigos roçados. A vegetação existente é manejada e mantida como cobertura, ajudando a conservar a umidade e enriquecer o solo. Em seguida, a terra é revolvida para melhorar sua estrutura e fertilidade.

Com o terreno pronto, a mistura de sementes nativas é distribuída e levemente coberta. Cada espécie germina no seu próprio tempo, em um processo que reproduz a dinâmica natural da floresta.

As plantas tendem a desenvolver raízes mais profundas, tornando-se mais resistentes. O resultado é uma recuperação mais eficiente, com formação de florestas diversas, resilientes e adaptadas às condições amazônicas.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana