Tribunal de Justiça de MT

Desembargadora Maria Erotides recebe “Diploma Bertha Lutz” por atuação em defesa da mulher

Publicado

O trabalho que nasce no acolhimento, se fortalece na rede de proteção e chega à vida de milhares de mulheres agora ganha reconhecimento nacional. A desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), recebeu nesta quinta-feira (16) o Diploma Bertha Lutz — uma das mais importantes honrarias do Senado Federal voltadas à defesa dos direitos das mulheres.

A entrega do diploma foi realizada pela senadora por Mato Grosso Margareth Buzetti, responsável pela indicação da magistrada, em uma cerimônia marcada por reconhecimento institucional aos 42 anos de magistratura de Maria Erotides, emoção e, sobretudo, pelo destaque ao trabalho coletivo da política de enfrentamento à violência doméstica promovida pelo Judiciário.

Para a desembargadora, a homenagem não é um prêmio individual, pois simboliza um caminho trilhado em rede, com a atuação de todo o Poder Judiciário de Mato Grosso.

“Esta homenagem precisa ser dividida com o Poder Judiciário, com os magistrados, com a equipe da Cemulher, com o meu gabinete, com a minha família, com os amigos e com a imprensa. Ele só se justifica pelo trabalho conjunto”, afirmou a desembargadora.

Reconhecimento que ecoa no Judiciário e na sociedade

Para o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, a homenagem ultrapassa o reconhecimento individual e reafirma o compromisso institucional com a pauta.

“À frente da Cemulher, sua atuação tem sido exemplo de compromisso com a proteção, o acolhimento e a promoção de uma vida livre de violência para tantas mulheres. Esta homenagem consagra uma caminhada marcada pelo trabalho sério, pela sensibilidade humana, pela coragem e pelo elevado espírito público”, destacou o presidente.

Leia mais:  Catadora de recicláveis destaca desafios da reciclagem e elogia apoio do TJMT

A senadora Margareth Buzetti, responsável pela indicação, contou que logo quando informada sobre a possibilidade de indicar alguém, a escolha foi imediata e carregada de significado.

“Não tinha outro nome. É um privilégio homenagear uma mulher que trabalha de verdade no combate à violência contra a mulher. Para mim, ela é uma referência”, disse.

Já o senador mato-grossense Jayme Campos reforçou a dimensão da honraria, que reconhece personalidades que se destacam na promoção da equidade de gênero e na defesa dos direitos femininos. Em 2026, 15 pessoas foram homenageadas em todo o país.

“É uma das maiores homenagens do Senado. E Maria Erotides construiu uma trajetória extraordinária em defesa das mulheres”, pontuou o senador.

Uma trajetória que chega onde mais precisa

À frente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), Maria Erotides ajudou a transformar números em presença real: são 110 Redes de Enfrentamento espalhadas pelo estado, chegando a municípios onde antes o apoio institucional era distante ou inexistente.

Para o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires, da 2ª Vara de Violência Doméstica de Cuiabá, a homenagem reflete resultados concretos da atuação da desembargadora.

“Em pouco mais de um ano, saímos de menos de 30 redes para mais de 100. A desembargadora nos motiva a avançar e a estruturar o enfrentamento à violência em todo o estado”, destacou.

Entre os principais avanços da gestão estão a expansão das Redes de Enfrentamento, campanhas educativas como “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, além do fortalecimento de iniciativas como os Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência, e o Núcleo Thays Machado, que dá suporte às mulheres do Judiciário vítimas de violência.

Leia mais:  Grupo Reflexivo de Tabaporã promove transformação de atitudes e prevenção à violência doméstica

Sobre o Diploma Bertha Lutz

O prêmio leva o nome de Bertha Maria Julia Lutz, bióloga e advogada que foi uma das principais lideranças do feminismo no Brasil. Ela teve papel decisivo na conquista do direito ao voto feminino, oficializado em 1933, além de atuação marcante na educação e no serviço público.

A cerimônia reuniu autoridades do Judiciário, do sistema de Justiça e representantes da Rede de Proteção às mulheres e familiares da homenageada. Estiveram presentes o ouvidor do Poder Judiciário, desembargador Rodrigo Roberto Curvo; a desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo; a desembargadora Clarice Claudino da Silva; o secretário-geral do TJMT, juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior; a juíza auxiliar da Presidência, Christiane da Costa Marques Neves; o juiz auxiliar da Presidência, Tulio Duailibi Alves Souza; o juiz auxiliar da Vice-presidência, Gerardo Humberto Alves Silva Júnior; a juíza Hanae Yamamura de Oliveira, diretora do Fórum de Cuiabá; o juiz Jorge Iafelice dos Santos, da 3ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Várzea Grande; o juiz Paulo Márcio Soares de Carvalho, da 4ª Vara Especializada da Fazenda Pública; a delegada Mariell Antonini Dias; a defensora pública Tânia Regina de Matos e a defensora pública Rosana Leite.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Publicado

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia mais:  Catadora de recicláveis destaca desafios da reciclagem e elogia apoio do TJMT

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia mais:  CNJ visita Tribunal de Justiça e apresenta programa de segurança cibernética Justiça [+ Segura]

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana