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Milho safrinha 2025/26 terá aumento de área, mas produção deve cair quase 10% no Brasil

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A área cultivada com milho segunda safra, a chamada safrinha, deverá crescer no Brasil no ciclo 2025/26. Mesmo assim, a produção nacional tende a recuar diante dos impactos climáticos e dos atrasos no plantio registrados em importantes regiões produtoras do país.

Levantamento da Agroconsult aponta que os produtores brasileiros devem semear 18,3 milhões de hectares com milho safrinha nesta temporada, avanço de 1,5% em relação ao ciclo anterior.

Apesar da expansão da área, a produção brasileira está estimada em 112,1 milhões de toneladas, queda de 9,5% frente ao recorde de 123,9 milhões de toneladas colhidas na safra 2024/25.

Atraso no plantio elevou risco climático em parte das lavouras

Segundo a Agroconsult, o excesso de chuvas registrado entre fevereiro e março comprometeu o ritmo da colheita da soja e atrasou a implantação do milho segunda safra em diversas regiões produtoras.

O problema foi mais intenso em áreas onde o calendário de semeadura avançou além da janela considerada ideal, elevando o risco climático das lavouras.

De acordo com André Debastiani, coordenador da expedição Rally da Safra, o potencial de crescimento da área poderia ter sido ainda maior.

“O crescimento da área de milho poderia ser mais expressivo, mas muitos produtores alteraram o planejamento diante da prorrogação do calendário de plantio para evitar entrar em uma janela de risco muito elevada”, afirmou em nota.

Em Goiás, por exemplo, cerca de 46% das lavouras foram implantadas fora da janela ideal. Já em Mato Grosso, especialmente nas regiões Oeste e Médio-Norte, aproximadamente 95% das áreas foram semeadas dentro do período considerado de baixo risco climático.

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Falta de chuvas preocupa produtores

Outro fator que passou a preocupar o mercado foi o comportamento climático em abril.

A Agroconsult destaca que diversas regiões produtoras enfrentaram períodos de até 30 dias sem precipitações significativas, justamente em áreas onde o plantio ocorreu mais tarde.

O cenário aumenta a preocupação com o desenvolvimento das lavouras e com a consolidação do potencial produtivo da safrinha.

Segundo a consultoria, a proporção de áreas consideradas com alto potencial produtivo ficou abaixo da registrada na temporada passada em vários estados.

Goiás, Minas e Mato Grosso do Sul lideram perdas de potencial

Em Goiás, apenas 39% das lavouras mantêm elevado potencial produtivo assegurado, contra 62% observados na safra anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o percentual caiu de 53% para 39%.

Já em Minas Gerais, somente 25% das lavouras apresentam alto potencial garantido neste momento, abaixo dos 46% registrados no ciclo 2024/25.

Mato Grosso segue como destaque positivo da temporada. O estado mantém aproximadamente 80% das áreas ainda sustentando elevado potencial produtivo, beneficiado pelo melhor posicionamento da semeadura dentro da janela ideal.

Produtividade do milho deve cair em quase todos os estados

A estimativa preliminar da Agroconsult indica queda na produtividade média nacional da segunda safra.

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O rendimento estimado caiu de 114,4 sacas por hectare na safra passada para 101,9 sacas por hectare em 2025/26.

Com exceção de São Paulo, todos os principais estados produtores devem apresentar retração de produtividade em relação à temporada anterior.

A consultoria ressalta que o recuo ocorre tanto pelas adversidades climáticas atuais quanto pelo fato de a safra 2024/25 ter sido uma das melhores da história para o milho brasileiro.

Chuvas de maio serão decisivas para a safrinha

Mesmo diante do cenário mais desafiador, o mercado ainda acompanha a possibilidade de recuperação parcial das lavouras, dependendo das condições climáticas nas próximas semanas.

Segundo André Debastiani, o comportamento das chuvas durante o mês de maio será determinante para consolidar o potencial produtivo da safrinha.

“As avaliações de campo serão fundamentais para aprofundar as análises e ajustar as estimativas até o fim de junho, quando encerraremos a etapa milho”, destacou.

O Rally da Safra será realizado entre os dias 11 de maio e 23 de junho, percorrendo cinco estados produtores para avaliar condições climáticas, janela de plantio, manejo e investimentos realizados nas lavouras de milho segunda safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações recordes de soja sustentam receita do Brasil em meio à tensão global e alta das commodities

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O mercado global da soja iniciou a semana sob forte influência de dois fatores decisivos: o recorde das exportações brasileiras e a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto o Brasil mantém liderança absoluta nos embarques da oleaginosa, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago avançaram nesta segunda-feira (11), acompanhando a disparada do petróleo e o movimento generalizado de valorização das commodities agrícolas.

Segundo levantamento do Cepea, o desempenho das exportações brasileiras continua sendo o principal suporte da receita do setor, mesmo diante da pressão causada pela ampla oferta interna, pela queda do dólar e pelo recuo das cotações domésticas.

Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, o maior volume já registrado para o mês na série histórica da Secex. O resultado representa crescimento de 15,35% em relação a março e avanço de 9,6% frente ao mesmo período do ano passado.

A China permaneceu como principal destino da soja brasileira, ampliando suas compras em 17,6% na comparação mensal. No acumulado de janeiro a abril, os embarques nacionais alcançaram 40,24 milhões de toneladas, também um recorde para o período.

O ritmo acelerado das exportações tem ajudado a equilibrar o mercado interno e sustentado a renda do produtor, mesmo com a pressão de uma safra robusta e preços domésticos mais enfraquecidos.

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Oriente Médio e petróleo elevam volatilidade global

No cenário internacional, os mercados operam sob forte volatilidade após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O aumento das incertezas ganhou força depois de o governo iraniano rejeitar uma proposta norte-americana relacionada aos conflitos na região.

Na sequência, o ex-presidente Donald Trump criticou publicamente a resposta iraniana, reacendendo temores sobre uma possível escalada geopolítica e seus impactos sobre o fornecimento global de energia.

Com isso, os futuros do petróleo voltaram a subir com intensidade. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), o barril do Brent avançava 2,09%, cotado a US$ 97,40, enquanto o WTI registrava alta de 2,1%, negociado a US$ 103,43.

A valorização da energia impulsionou diretamente o complexo soja. Os contratos futuros da oleaginosa subiam mais de 10 pontos na Bolsa de Chicago, levando o vencimento julho para US$ 12,20 por bushel e o agosto para US$ 12,14. O farelo de soja avançava mais de 1,4%, enquanto o óleo registrava ganhos próximos de 0,6%.

Milho, trigo e açúcar também avançam

O movimento positivo se espalhou para outras commodities agrícolas. O trigo operava com alta próxima de 1%, cotado a US$ 6,24 por bushel, enquanto o milho subia mais de 0,8%, alcançando US$ 4,75 por bushel.

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O açúcar negociado em Nova York também acompanhava o avanço das commodities, sustentado pela valorização do petróleo. O cacau operava em campo positivo, enquanto café e algodão apresentavam ajustes após registrarem ganhos nas primeiras horas do pregão.

Analistas destacam que a forte correlação entre energia e commodities agrícolas voltou a ganhar força nesta semana. Com o petróleo em alta, aumentam as expectativas de maior demanda por biocombustíveis, especialmente biodiesel e etanol, favorecendo diretamente o complexo soja e o milho.

Além disso, investidores seguem atentos às condições logísticas no Oriente Médio, sobretudo na região do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e fertilizantes.

Mercado aguarda novo relatório do USDA

Outro fator que mantém os agentes do mercado em alerta é a expectativa pelo novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), previsto para esta terça-feira, 12 de maio.

O documento trará as primeiras estimativas oficiais para a safra 2026/27 e poderá redefinir o comportamento dos mercados agrícolas nas próximas semanas, especialmente para soja, milho e trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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