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Bioinsumos e fertilizantes orgânicos ganham força no agro brasileiro diante da alta dependência de importações

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A elevada dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados segue impulsionando debates sobre alternativas mais sustentáveis e eficientes para a nutrição vegetal no agronegócio. Em 2025, o país importou cerca de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cenário que mantém o setor exposto às oscilações cambiais e aos riscos geopolíticos globais.

Ao mesmo tempo, o Brasil produz um grande volume de resíduos orgânicos que podem ser transformados em insumos agrícolas de alto valor agregado. O avanço de tecnologias voltadas ao aproveitamento desses materiais, aliado ao crescimento dos bioinsumos, vem ganhando espaço como uma das principais estratégias para aumentar a eficiência produtiva e fortalecer a sustentabilidade no campo.

Nutrição vegetal integrada será destaque em evento do setor

O tema estará no centro das discussões do Summit de Nutrição Vegetal Inteligente, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo). O evento será realizado nos dias 9 e 10 de junho, em Piracicaba (SP), no Pecege.

Entre os destaques da programação está a palestra do engenheiro agrônomo, pesquisador e professor Brener Magnabosco Marra, intitulada “Benefícios dos fertilizantes orgânicos nas substâncias húmicas do solo”, marcada para o dia 9 de junho, às 16h30.

A apresentação abordará como o uso de fertilizantes orgânicos, substâncias húmicas e bioinsumos pode contribuir para o aumento da eficiência da nutrição vegetal, melhoria da qualidade do solo e maior resiliência das plantas em ambientes tropicais.

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Uso de resíduos e bioinsumos amplia eficiência no campo

Segundo o especialista, estratégias integradas de manejo nutricional associadas a diferentes fontes de nutrientes atuam diretamente na melhoria da capacidade de troca catiônica (CTC) do solo, favorecendo a complexação de nutrientes e estimulando a atividade microbiológica.

De acordo com Brener, o solo deve ser tratado como um sistema vivo, capaz de potencializar o desenvolvimento das culturas quando há equilíbrio biológico e presença adequada de matéria orgânica.

O pesquisador destaca que a matéria orgânica exerce papel fundamental na ciclagem de nutrientes e na intensificação da atividade metabólica dos microrganismos, criando um ambiente mais favorável para o crescimento vegetal e aumentando a eficiência agronômica dos sistemas produtivos.

Ácidos húmicos e bioinsumos ajudam plantas a enfrentar estresses climáticos

Outro ponto relevante da palestra será o papel dos ácidos húmicos e fúlvicos na mitigação de estresses abióticos, como seca e altas temperaturas — fatores cada vez mais presentes no cenário agrícola brasileiro.

O avanço dos bioinsumos e das novas gerações de fertilizantes também será abordado durante o evento. Essas tecnologias integram matrizes orgânicas com algas, extratos vegetais e microrganismos, promovendo ganhos simultâneos em:

  • nutrição vegetal;
  • bioestimulação;
  • desenvolvimento radicular;
  • tolerância ao estresse climático;
  • eficiência no aproveitamento de nutrientes.
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Segundo especialistas do setor, essas soluções têm potencial para elevar a consistência produtiva das lavouras e reduzir a dependência de insumos minerais importados.

Desafios ainda limitam expansão dos bioinsumos

Apesar do crescimento do setor, especialistas avaliam que a ampliação do uso de resíduos orgânicos e bioinsumos ainda enfrenta desafios importantes no Brasil.

Entre os principais pontos estão:

  • necessidade de ganho de escala produtiva;
  • logística de distribuição;
  • padronização dos produtos;
  • segurança regulatória;
  • viabilidade econômica para diferentes sistemas produtivos.

A adoção dessas tecnologias exige integração entre pesquisa, indústria e produtores, além de modelos de manejo adaptados às características regionais da agricultura tropical.

Sustentabilidade e eficiência ganham espaço no agronegócio

Para o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal, Clorialdo Roberto Levrero, o avanço das tecnologias voltadas ao aproveitamento de resíduos e fertilizantes orgânicos representa um caminho estratégico para o agro brasileiro.

Segundo ele, o objetivo do evento é apresentar soluções tecnicamente consistentes, economicamente viáveis e alinhadas à realidade do setor produtivo.

A tendência é que o uso de bioinsumos, fertilizantes orgânicos e tecnologias biológicas continue ganhando relevância no agronegócio brasileiro, especialmente diante da busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e redução da dependência externa de fertilizantes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de açúcar recuam quase 25% em receita no primeiro semestre de 2026 com queda nos preços internacionais

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As exportações brasileiras de açúcar registraram queda significativa no primeiro semestre de 2026, tanto em volume quanto em receita. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o país embarcou 12,29 milhões de toneladas de açúcares e melaços entre janeiro e junho, retração de 4,39% em relação ao mesmo período de 2025.

O impacto mais expressivo, no entanto, ocorreu sobre o faturamento. A receita das exportações somou US$ 4,43 bilhões, valor 24,98% inferior aos US$ 5,90 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. O resultado reflete, principalmente, a forte desvalorização do açúcar no mercado internacional.

Exportações de açúcar caem em junho

Somente em junho, o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços, volume 7,16% menor que o registrado no mesmo mês de 2025, quando os embarques alcançaram 3,37 milhões de toneladas.

A receita obtida com as vendas externas caiu de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão, representando retração de 24,26% na comparação anual.

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Preço médio do açúcar despenca no mercado externo

O principal fator responsável pela redução do faturamento foi a queda no preço médio das exportações.

Em junho, a cotação média do açúcar exportado pelo Brasil ficou em US$ 349,59 por tonelada, uma redução de 18,42% frente aos US$ 428,54 por tonelada registrados em junho de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, o preço médio também apresentou forte retração, passando de US$ 458,79 para US$ 360,01 por tonelada, o que evidencia a pressão exercida pelas cotações internacionais sobre a rentabilidade das exportações brasileiras.

Mercado acompanha oferta global e comportamento dos preços

Apesar de o Brasil manter a liderança mundial nas exportações de açúcar, o desempenho em 2026 demonstra um cenário mais desafiador para o setor. A combinação entre menor volume embarcado e preços internacionais mais baixos reduziu significativamente a receita cambial do segmento.

Os números divulgados pela Secex consideram 21 dias úteis em junho de 2026, ante 20 dias úteis em junho de 2025, e reforçam a influência do mercado global sobre o desempenho das exportações brasileiras de açúcar ao longo do ano.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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