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Acordo Mercosul-União Europeia deve ampliar concorrência e acelerar mercado de vinhos no Brasil

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O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia promete remodelar o mercado de vinhos na América do Sul e ampliar a competitividade entre produtores dos dois blocos. Com entrada em vigor prevista para 1º de maio, o tratado prevê a redução gradual das tarifas de importação sobre vinhos europeus, movimento que deve impactar preços, ampliar a oferta de rótulos e acelerar a disputa por espaço no mercado brasileiro.

A expectativa do setor é de que a medida favoreça tanto o acesso do consumidor a produtos importados quanto a expansão comercial de produtores sul-americanos no mercado europeu.

Segundo o CEO da Ideal BI Consulting, Felipe Galtaroça, o acordo representa uma mudança estrutural para o setor vitivinícola brasileiro.

“A ratificação do acordo UE-Mercosul promete redesenhar as forças do setor vitivinícola no Brasil. A queda gradual dos impostos tende a ampliar a presença de vinhos europeus e aumentar a pressão competitiva sobre mercados já consolidados”, afirma.

Vinhos portugueses ampliam presença no mercado brasileiro

Entre os países europeus, Portugal aparece como um dos mais atentos às oportunidades abertas pelo novo cenário comercial.

De acordo com o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, a eliminação gradual das tarifas deve criar condições mais equilibradas de concorrência e ampliar o alcance dos vinhos europeus no Brasil.

“No contexto brasileiro, trata-se de um mercado estratégico para os Vinhos de Portugal, que atualmente detêm cerca de 16% de participação de mercado. A redução das tarifas poderá ampliar o acesso dos consumidores e permitir maior competitividade em diferentes faixas de preço”, destaca.

Falcão ressalta ainda que o acordo também beneficia produtores do Mercosul, que passam a contar com melhores condições de acesso ao mercado europeu.

Além da disputa entre origens, o executivo avalia que o principal impacto será a expansão do consumo da bebida.

“A maior oportunidade está na democratização do consumo de vinho, tornando o produto mais acessível ao consumidor e fortalecendo o crescimento do mercado como um todo”, afirma.

Alemanha amplia foco na América do Sul

A Alemanha também começa a direcionar atenção estratégica para a América do Sul diante da redução das barreiras comerciais.

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O Instituto Alemão do Vinho (Deutsches Weininstitut) participará pela primeira vez da ProWine São Paulo em 2026, enxergando o Brasil como mercado de alto potencial de crescimento.

Atualmente, o país ocupa apenas a 38ª posição entre os destinos dos vinhos alemães, mas o setor avalia que fatores como expansão da classe média, dimensão do mercado consumidor e mudanças nos hábitos de consumo podem acelerar esse avanço.

Além do aspecto econômico, produtores alemães identificam afinidade entre os vinhos brancos do país — geralmente mais leves, frescos e com menor teor alcoólico — e o perfil gastronômico brasileiro.

Segundo o gerente de marketing do Deutsches Weininstitut, Michael Schemmel, a feira paulista se tornou estratégica para a expansão internacional do setor.

“A ProWine São Paulo representa uma vitrine importante para os produtores alemães. O mercado de vinhos depende de relacionamento, experiência e conexão direta entre produtores, importadores e compradores”, afirma.

França e Itália aumentam pressão sobre vinhos sul-americanos

Para Felipe Galtaroça, países como Argentina devem enfrentar aumento da concorrência, especialmente nos segmentos premium.

“No nicho de vinhos de maior valor agregado, regiões tradicionais como Bordeaux, Borgonha e Piemonte devem ampliar sua presença de maneira mais agressiva”, avalia.

Segundo ele, o acordo também surge como oportunidade para importadores e distribuidores recuperarem margens pressionadas pela inflação e pela volatilidade cambial dos últimos anos.

Setor argentino adota postura cautelosa

Entre os produtores sul-americanos, o cenário é analisado com cautela. A CEO da Wines of Argentina, Magdalena Pesce, afirma que o principal desafio está na competitividade estrutural e não na qualidade dos vinhos europeus.

“A entrada gradual de vinhos europeus com tarifas reduzidas pode pressionar os segmentos de entrada caso a Argentina não avance em questões ligadas à carga tributária e aos custos logísticos”, afirma.

Ao mesmo tempo, ela avalia que o acordo cria oportunidades relevantes para modernização do setor argentino, principalmente no acesso a insumos e tecnologias importadas.

“A redução das barreiras tarifárias para barris, rolhas e tecnologias de vinificação pode elevar eficiência e qualidade das vinícolas locais, fortalecendo sua competitividade”, destaca.

Pesce também acredita que a presença crescente de vinhos europeus tende a acelerar agendas ligadas à sustentabilidade, rastreabilidade e transparência no setor vitivinícola sul-americano.

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Importadoras apostam em nichos premium e identidade regional

Empresas importadoras também enxergam oportunidades na nova configuração do mercado.

Para Georges Karakaxis, sócio-administrador da Monte Dictis, especializada em vinhos e produtos gregos, o acordo abre espaço para ampliar o acesso a rótulos diferenciados no Brasil.

“Nossa estratégia passa por ampliar a presença de vinhos do Mediterrâneo Oriental e fortalecer o trabalho de curadoria, relacionamento e educação do consumidor”, afirma.

Segundo ele, vinhos gregos competem menos por preço e mais por identidade, terroir e exclusividade.

Karakaxis destaca que variedades como Assyrtiko, Xinomavro e Agiorgitiko representam nichos de alto valor agregado, que podem ganhar espaço com a redução de custos de importação.

ProWine São Paulo reforça protagonismo global do setor

Nesse novo cenário de maior integração comercial e disputa por mercado, a ProWine São Paulo amplia sua relevância internacional.

A edição de 2026 deve reunir mais de 1.800 produtores de diversos países, consolidando o evento como a maior feira de vinhos e destilados das Américas e uma das principais do mundo no segmento.

Segundo a diretora da feira, Malu Sevieri, o evento se tornou uma plataforma estratégica para empresas interessadas em expandir operações na América do Sul.

“A ProWine São Paulo é hoje a principal plataforma para quem deseja entrar, crescer ou consolidar presença no mercado sul-americano”, afirma.

A feira será realizada entre os dias 6 e 8 de outubro de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições para visitantes profissionais já estão abertas gratuitamente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Terminal Integrador de Uberaba completa 10 anos e supera 57 milhões de toneladas movimentadas para exportação do agronegócio

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O Terminal Integrador de Uberaba (TIUB), da VLI, completa dez anos de operação consolidando-se como uma das principais estruturas logísticas do agronegócio brasileiro. Localizado no Triângulo Mineiro e integrado ao Corredor Sudeste da companhia, o terminal já movimentou mais de 57 milhões de toneladas de grãos e açúcar destinados ao mercado internacional, fortalecendo o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste para os portos da Baixada Santista.

Desde o início das operações, o terminal tornou-se um dos principais elos da logística nacional para soja, milho, farelo de soja e açúcar, contribuindo para reduzir custos de transporte, aumentar a eficiência operacional e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

Corredor estratégico liga o Centro-Oeste ao Porto de Santos

O TIUB integra o Corredor Sudeste da VLI, que conecta as regiões produtoras à Baixada Santista por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), permitindo que grandes volumes de cargas agrícolas sejam transportados de forma mais eficiente até os terminais portuários.

Construído em uma área superior a 5,4 mil metros quadrados, o complexo é atualmente o maior terminal da companhia e possui capacidade para movimentar anualmente 6,3 milhões de toneladas de grãos e 2,4 milhões de toneladas de açúcar.

Segundo a VLI, a estrutura foi concebida para concentrar a produção agrícola regional e realizar sua transferência para o modal ferroviário com elevado nível de produtividade.

Estrutura de alta capacidade acelera operações

Um dos diferenciais do Terminal Integrador de Uberaba é sua moderna pera ferroviária, equipada com duas linhas de carregamento simultâneas, permitindo a formação contínua de composições ferroviárias destinadas ao Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), em Santos (SP), além de outros terminais logísticos.

A infraestrutura inclui:

  • Cinco tombadores hidráulicos de alta capacidade para descarga de grãos;
  • Três moegas exclusivas para recebimento de açúcar;
  • Dois armazéns com capacidade para armazenar até 120 mil toneladas de grãos e 90 mil toneladas de açúcar;
  • Um silo para 8 mil toneladas de grãos;
  • Laboratório para classificação dos produtos;
  • Cinco balanças rodoviárias;
  • Quatorze balanças ferroviárias para grãos e outras quatorze destinadas ao açúcar.
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Para o diretor de Operações do Corredor Sudeste da VLI, Marcelo Cardoso, o terminal representa um dos principais ativos logísticos da companhia.

Segundo ele, o TIUB demonstra a eficiência do modelo multimodal da empresa, integrando ferrovias, terminais e operações portuárias para oferecer maior competitividade ao agronegócio brasileiro.

Tecnologia e automação elevam eficiência logística

Ao longo da última década, o terminal incorporou soluções de automação e inteligência artificial que transformaram a gestão operacional.

Todo o fluxo logístico é monitorado por sistemas digitais, desde o agendamento eletrônico das cargas pelo aplicativo Trato, passando pela identificação automática dos veículos na portaria, até os processos robotizados de amostragem e classificação dos produtos destinados à exportação.

Outro destaque é o chamado Armazém Inteligente, tecnologia desenvolvida pela própria VLI baseada nos conceitos da Indústria 4.0.

O sistema utiliza um braço robótico equipado com sensores e inteligência artificial para analisar, em tempo real, características como densidade, distribuição e estabilidade das pilhas de grãos armazenadas.

Com isso, é possível otimizar o uso da capacidade dos armazéns, reduzir perdas, evitar contaminação entre diferentes produtos e diminuir o consumo de energia durante as operações.

Inovação também reforça a segurança operacional

Além dos avanços tecnológicos voltados à produtividade, o Terminal Integrador de Uberaba tornou-se referência na implantação de sistemas de segurança para as equipes operacionais.

Entre as inovações está o sistema de intertravamento de locomotivas, que impede fisicamente a movimentação dos trens durante as atividades de abertura e fechamento das escotilhas dos vagões.

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Segundo a gerente de Operações do TIUB, Andiara Brasileiro, a tecnologia elimina riscos decorrentes de falhas de comunicação entre maquinistas e operadores, elevando o padrão de segurança das operações ferroviárias.

Transporte ferroviário reduz emissões e retira centenas de caminhões das rodovias

Além dos ganhos operacionais, a utilização do transporte ferroviário proporciona importantes benefícios ambientais.

Cada composição ferroviária expedida pelo terminal, formada por cerca de 80 vagões, transporta volume equivalente ao de aproximadamente 135 caminhões bitrem.

Durante os períodos de maior movimentação da safra, o TIUB embarca, em média, quatro trens por dia, tendo registrado o recorde de sete composições expedidas em apenas 24 horas.

Na prática, isso representa a retirada de mais de 500 caminhões das rodovias brasileiras diariamente, reduzindo congestionamentos, acidentes, consumo de combustíveis fósseis e emissões de gases de efeito estufa.

Logística eficiente fortalece competitividade do agronegócio

Ao completar uma década de operação, o Terminal Integrador de Uberaba consolida sua importância para a logística do agronegócio nacional.

A combinação entre infraestrutura de alta capacidade, automação, inteligência artificial, integração ferroviária e foco em sustentabilidade transforma o complexo em uma das principais plataformas de escoamento da produção agrícola brasileira.

Com investimentos contínuos em inovação e eficiência operacional, o terminal reforça o papel estratégico da logística para ampliar a competitividade das exportações de soja, milho, farelo e açúcar, contribuindo para que o Brasil mantenha sua posição entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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