Agro News

Bem-estar animal na produção de frangos ganha força no Brasil e se consolida como agenda estratégica do setor avícola

Publicado

Bem-estar animal se torna pilar estratégico da avicultura brasileira

O bem-estar animal vem se consolidando como um dos principais eixos estratégicos da cadeia de produção de frangos no Brasil, deixando de ser um tema pontual para integrar discussões ligadas à sustentabilidade, eficiência produtiva e competitividade do setor.

Esse avanço será o foco do evento Conexão Ciência & Campo: Bem-estar de Frangos, que acontece no dia 16 de junho, em Curitiba (PR), reunindo especialistas, pesquisadores e representantes da cadeia avícola nacional.

Evento reúne ciência e setor produtivo em Curitiba

O simpósio será realizado das 8h às 17h30, no SCA/UFPR – Auditório do Bloco Didático, com inscrições gratuitas pela plataforma Sympla.

A iniciativa é promovida pela Alianima, pela Iniciativa MIRA e pelo LABEA/UFPR, com o objetivo de aproximar ciência e campo em torno das boas práticas de bem-estar animal na avicultura.

A proposta central do encontro é promover um diálogo técnico e qualificado sobre os caminhos para o avanço do setor no Brasil.

Bem-estar animal entra no centro da agenda de competitividade do setor

Segundo especialistas, o tema passou a ocupar posição estratégica dentro da cadeia produtiva de proteína animal, especialmente no segmento de aves.

Leia mais:  Agronegócio fechou semestre com superávit de quase US$ 72 bilhões

Para a médica veterinária Ana Paula Souza, o bem-estar animal deixou de ser um assunto isolado e passou a integrar critérios mais amplos de gestão e mercado.

“A agenda de bem-estar animal deixou de ser um tema isolado e passou a integrar discussões estratégicas sobre ESG, gestão de riscos e competitividade”, destaca.

Programação debate tendências globais e desafios da avicultura brasileira

O evento abordará temas considerados essenciais para o futuro da produção de frangos no país, incluindo:

  • Cenário atual do bem-estar de frangos no Brasil
  • Tendências internacionais do setor
  • Linhagens com potencial de maior bem-estar
  • Desafios para implementação de boas práticas
  • Evolução da cadeia produtiva nacional

A proposta é oferecer uma visão integrada entre ciência, indústria e produção.

Troca de conhecimento é vista como essencial para evolução do setor

De acordo com a zootecnista Elaine Cristina de Oliveira Sans, a criação de espaços de diálogo técnico é fundamental para o desenvolvimento da avicultura brasileira.

“Criar ambientes de troca entre especialistas, indústria e pesquisadores é fundamental para apoiar decisões técnicas e contribuir para o avanço das práticas de bem-estar animal”, afirma.

Bem-estar animal e avicultura: tendência global com impacto no Brasil

O fortalecimento do bem-estar animal acompanha uma tendência global que envolve:

  • Exigências de mercados importadores
  • Pressões por sustentabilidade na produção de alimentos
  • Novos padrões de consumo
  • Adoção de práticas ESG na cadeia agroindustrial
Leia mais:  STF determina vigilância integral na residência de Bolsonaro

No Brasil, o tema ganha relevância adicional por conta da posição do país como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango do mundo.

Setor avícola brasileiro avança em eficiência e sustentabilidade

A incorporação de práticas de bem-estar animal é vista pelo setor como um fator de:

  • Melhoria da produtividade
  • Redução de riscos sanitários
  • Maior aceitação em mercados internacionais
  • Fortalecimento da imagem da proteína brasileira

O evento em Curitiba reforça o movimento de integração entre ciência e produção rural, alinhando a avicultura brasileira às principais tendências globais do setor.

Inscrições

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Indústria de alimentos e bebidas enfrenta pressão nas receitas, mas preserva margens no 1º trimestre de 2026

Publicado

O setor brasileiro de alimentos e bebidas iniciou 2026 em um cenário marcado por pressão sobre receitas, volatilidade nas commodities e consumo ainda impactado pelos juros elevados. Mesmo assim, grandes empresas do segmento conseguiram preservar — e em alguns casos ampliar — suas margens operacionais, sustentadas por eficiência, gestão de custos e estratégias de premiumização.

A avaliação faz parte da análise elaborada por Edson Kawabata, sócio-diretor da Peers Consulting + Technology, sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 das principais companhias do setor, incluindo Ambev, M. Dias Branco e Camil.

Segundo o estudo, o período revelou empresas operando em um ambiente desafiador para crescimento de receita, mas com maior capacidade de proteger rentabilidade e eficiência operacional.

Ambev surpreende mercado com recuperação no volume de cervejas

Entre os destaques do trimestre, a Ambev apresentou o resultado mais positivo entre as empresas analisadas, impulsionando forte reação do mercado financeiro.

O principal fator de surpresa foi o crescimento de 1,2% no volume de cervejas no Brasil, movimento considerado relevante diante da expectativa anterior de retração nas vendas.

A companhia também registrou avanço expressivo em segmentos de maior valor agregado:

  • Cervejas premium: +20%
  • Bebidas saudáveis: +70%
  • Cervejas sem álcool: +10%

O movimento ajudou a sustentar aumento de 8% no preço médio e elevou a receita líquida por hectolitro para R$ 571,1, com crescimento orgânico de 11,4%.

Segundo Edson Kawabata, o desempenho demonstra fortalecimento estratégico do portfólio da companhia.

“A Ambev conseguiu crescer volumes mesmo em um cenário mais desafiador, sustentando preços e participação de mercado por meio de um mix mais qualificado”, destaca a análise.

No consolidado global, porém, o cenário foi mais heterogêneo, com queda de volumes em mercados como Canadá, América Central e América Latina Sul.

Leia mais:  Agronegócio fechou semestre com superávit de quase US$ 72 bilhões

Ainda assim, a companhia conseguiu elevar a margem EBITDA ajustada para 33,6%, favorecida pela gestão de custos e pela melhora do mix de produtos.

M. Dias Branco cresce em volume, mas pressão nos preços limita receita

A M. Dias Branco apresentou crescimento operacional relevante no trimestre, especialmente em volumes vendidos e ganho de participação de mercado.

As vendas cresceram 3,4%, alcançando 408 mil toneladas, impulsionadas principalmente por:

  • Biscoitos
  • Crackers
  • Farinha de trigo

Mesmo assim, a companhia enfrentou pressão nos preços médios, que recuaram entre 3% e 5% na comparação anual.

O efeito foi provocado pelo maior peso de categorias de menor margem, como farinha industrial e ingredientes voltados ao food service.

Com isso, a receita líquida avançou apenas 0,4%, somando R$ 2,22 bilhões.

Por outro lado, a queda nos custos das matérias-primas, especialmente trigo e açúcar, contribuiu para melhora da margem bruta, que alcançou 32,4%.

O EBITDA da empresa somou R$ 196 milhões, alta de 21,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Camil sofre com deflação do arroz e mantém atenção na alavancagem

A Camil enfrentou um dos cenários mais desafiadores do trimestre, pressionada pela forte deflação do arroz.

Embora os volumes vendidos tenham crescido 8,9%, a queda de 45,5% no preço do arroz reduziu significativamente a receita da companhia.

No segmento de maior representatividade da empresa — arroz, feijão e açúcar — os volumes cresceram 9,8%, mas os preços líquidos caíram 26,6%.

Segundo a análise da Peers Consulting + Technology, o caso da Camil evidencia a forte exposição das empresas do setor às oscilações das commodities agrícolas.

Mesmo diante da pressão sobre receitas, a companhia conseguiu ampliar sua margem bruta para 21,7%, refletindo maior eficiência na gestão dos custos de matéria-prima.

Leia mais:  Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 1,5 bilhão na 2ª semana de outubro

O EBITDA ajustado permaneceu praticamente estável em R$ 192,8 milhões.

No entanto, a empresa encerrou o período com prejuízo líquido ajustado de R$ 40,3 milhões, impactada pela alavancagem financeira elevada e pelos juros altos.

Premiumização e produtos saudáveis ganham força no setor

A análise conduzida por Edson Kawabata aponta que a principal tendência estratégica do setor está na busca por produtos de maior valor agregado como forma de reduzir a dependência das commodities tradicionais.

Na Ambev, isso aparece no avanço das cervejas premium e bebidas saudáveis.

Na M. Dias Branco, o movimento ocorre com o fortalecimento das linhas de saudabilidade e snacks, incluindo marcas como Jasmine e Frontera.

Já a Camil amplia presença em categorias gourmet, grãos especiais e produtos saudáveis.

Segundo o especialista, empresas que conseguirem acelerar essa transição tendem a construir modelos de rentabilidade mais resilientes.

“O crescimento de volume, sozinho, deixou de ser suficiente para determinar geração de valor. O mercado está premiando eficiência operacional, gestão de margens e capacidade de diferenciação”, aponta Kawabata.

Setor enfrenta desafios, mas mantém oportunidades em 2026

A análise também destaca fatores que devem influenciar o desempenho do setor ao longo de 2026.

Entre as oportunidades estão:

  • Copa do Mundo de 2026 impulsionando consumo de bebidas
  • Possível recuperação nos preços do arroz
  • Eventuais cortes na taxa Selic reduzindo despesas financeiras
  • Por outro lado, permanecem desafios importantes:
  • Consumo pressionado por juros elevados
  • Endividamento das famílias
  • Concorrência intensa em categorias tradicionais
  • Pressão sobre margens fora do Brasil
  • Volatilidade das commodities agrícolas

Mesmo diante do cenário desafiador, o setor segue demonstrando capacidade de adaptação, com foco crescente em eficiência, inovação e produtos de maior valor agregado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana