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Vendas de carne bovina cresceram 28% e chegaram a quase R$ 9 bilhões

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Balanço da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), revela que as vendas externas de carne e derivados somaram 319,23 mil toneladas em abril, uma expansão de 4% sobre o mesmo mês do ano passado.

Em termos financeiros, o salto foi ainda mais expressivo: a receita mensal atingiu R$ 8,80 bilhões, uma arrancada de 28% no confronto anual. A forte valorização do produto nas bolsas internacionais, combinada à firmeza nos preços internos da arroba do boi gordo, inflou as margens das indústrias.

Com o desempenho do último mês, os frigoríficos brasileiros fecharam o primeiro quadrimestre com um faturamento acumulado de R$ 30,71 bilhões, o que representa um incremento de 31% frente ao mesmo período de 2025. O volume total despachado para portos globais alcançou 1,146 milhão de toneladas, alta de 9%. Desse montante, o filé de grife das exportações continua sendo a carne in natura, que responde por 91% dos negócios e movimentou R$ 28,03 bilhões  de janeiro a abril,  uma disparada de 35% em faturamento.

O nó estratégico do setor atende pelo nome de mecanismo de salvaguarda da China. Maior parceiro comercial do Brasil, o país asiático absorveu 461,1 mil toneladas da proteína brasileira no quadrimestre, avanço de 19,4%. Em receita, as transferências para as empresas brasileiras deram um salto de 42,9%, somando R$ 13,59 bilhões. Com isso, a China já abocanha 44,3% de todo o faturamento da carne bovina exportada pelo País, índice que sobe para 48,5% se considerada apenas a divisão de carne in natura.

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Essa extrema dependência, contudo, cobra o seu preço. O acordo bilateral estabelece um teto anual de 1,106 milhão de toneladas para a entrada de carne brasileira com tarifas alfandegárias normais. Conforme estimativas de inteligência de mercado que circulam entre as lideranças pecuárias, cerca de 70% desse limite já foi consumido nos primeiros quatro meses do ano.

Na prática, restam pouco mais de 330 mil toneladas livres de barreira tarifária adicional. Mantida a toada atual de embarques, o saldo remanescente tem fôlego para pouco mais de 60 dias. Quando o teto for rompido, o produto brasileiro que exceder a cota será severamente punido com uma alíquota aduaneira extra de 55%. A sobretaxa ameaça encarecer o produto nacional e forçar uma desaceleração nas operações do segundo semestre.

Para mitigar a volatilidade da rota asiática, o complexo exportador brasileiro tem acelerado a diversificação de clientes, com forte tração no mercado norte-americano. Os Estados Unidos consolidaram-se na vice-liderança dos compradores de carne in natura, gerando um faturamento de R$ 4,11 bilhões (US$ 814,57 milhões) no quadrimestre, alta de 14,7%. Em volume, os embarques para os EUA subiram 14,24%, somando 135,64 mil toneladas. Ao contabilizar miúdos e industrializados, a receita total com o mercado americano rompeu a barreira equivalente a R$ 5,05 bilhões (US$ 1 bilhão).

A radiografia da Abrafrigo aponta ainda reações importantes em praças tradicionais e saltos exponenciais em novos mercados compradores:

  • Rússia: O mercado russo voltou ao radar dos frigoríficos com vigor, importando 40,2 mil toneladas (+46,9%) e gerando receitas de R$ 900,9 milhões (US$ 178,4 milhões), alta de 61,7%.

  • Chile: As compras do país andino cresceram 24,1% em volume físico, com o faturamento avançando 35% e alcançando o equivalente a R$ 1,44 bilhão (US$ 286,1 milhões).

  • Países Baixos: Servindo como principal hub de distribuição para a Europa Ocidental, a Holanda registrou uma explosão de 319,7% no volume recebido (28,8 mil toneladas), gerando R$ 748,9 milhões (US$ 148,3 milhões), alta de 123,5%.

  • Indonésia: O maior destaque de crescimento proporcional veio do Sudeste Asiático. As exportações para o país saltaram de modestas 1,6 mil toneladas para 15 mil toneladas no quadrimestre — um avanço de 788,9% em volume —, gerando R$ 207,0 milhões (US$ 41 milhões), alta de 412,5%.

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No extremo oposto, a Argélia puxou a fila das decepções do ano, com um recuo severo de 59,4% nas compras, que caíram para R$ 272,7 milhões (US$ 54 milhões). Arábia Saudita, Reino Unido, Singapura e Espanha também reduziram as encomendas.

Mesmo com as baixas pontuais, o balanço global é amplamente favorável à capilaridade do setor: do início do ano até agora, 112 países aumentaram os pedidos da proteína brasileira, enquanto 52 reduziram, provando que a musculatura global do País continua em expansão, a despeito do cabo de guerra tarifário que se avizinha no Extremo Oriente.

Fonte: Pensar Agro

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MPA realiza seminário sobre Extensão Pesqueira Artesanal

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizou, nesta sexta-feira(4), o I Seminário Interno de Extensão Pesqueira Artesanal, com a finalidade de ampliar o debate sobre a realidade das mulheres pescadoras e marisqueiras. Com o tema “Mulheres Pescadoras: Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental”, o evento representou um momento de apresentação prévia dos resultados do Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal, realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

O seminário nasceu do Projeto Mulheres Pescadoras, desenvolvido pela Fiocruz, pelo MPA e pelo Ministério das Mulheres. O Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal aprofundou a análise em 52 municípios de atenção prioritária, distribuídos pelas cinco regiões do país: 18 no Norte, 10 no Sudeste, 6 no Sul e 3 no Centro-Oeste. Essa ação dialoga com o Programa Povos da Pesca Artesanal e teve como eixos estruturantes: Emergência Climática e Racismo Ambiental; Populações Tradicionais e Territórios; Segurança Alimentar, Epidemiologia e Saúde; e Economia Solidária e Cadeia Produtiva. 

De acordo com o secretário-executivo do MPA, Lázaro Medeiros, o evento traz para o centro do debate o tema das mulheres pescadoras. “É um tema que apresenta também um diálogo com quem vive de fato os territórios pesqueiros. Além disso, ele apresenta um mapeamento socioterritorial, apresentando com mais profundidade a realidade das comunidades”, destacou. 

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A pesquisadora da Fiocruz, Maria Juliana Correa, apontou a importância do seminário para dar visibilidade aos direitos sociais das mulheres pescadoras. “A gente sempre escutava das mulheres das águas a necessidade de um olhar específico para a saúde das pescadoras e marisqueiras, unindo o meio ambiente e a saúde nos territórios”, afirmou. 

O secretário Nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, destacou o objetivo do evento. “Encontros como esses criam caminhos para a construção do futuro da pesca artesanal do Brasil. Estamos aqui produzindo conhecimentos que serão transformados em políticas públicas”, afirmou. 

A pescadora sergipana, Arlene Costa, afirmou que são as mulheres as grandes guardiãs dos territórios. “Hoje enfrentamos diversas ameaças ambientais nos territórios e somos nós, as mulheres das águas, que preservamos e garantimos os recursos naturais para as próximas gerações”, disse. 

Para a coordenadora-geral de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira do MPA, Lorena Abrahão, o mapeamento é fundamental para a construção de políticas públicas estruturantes para as mulheres das águas. “Mais do que retratar vulnerabilidades, os dados evidenciam a força organizativa e o protagonismo das mulheres que vivem da pesca em todo o Brasil”, finalizou. 

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O evento contou também com a presença da coordenadora-geral da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Larissa Passos, e do secretário Nacional de Políticas de Ações Afirmativas e Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Clédisson Geraldo dos Santos Júnior.

ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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