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MMA promove 1º diálogo internacional sobre pagamentos por serviços ambientais em Brasília

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A Assessoria Especial de Meio Ambiente e Economia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu o 1º Diálogo Internacional sobre Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), em Brasília (DF), entre os dias 19 e 21 de maio.

O evento inaugura uma série de quatro Diálogos Internacionais, concebidos como uma plataforma de intercâmbio técnico entre pares sobre os desafios estruturais e operacionais de programas de PSA.

“O Brasil, por sua megadiversidade e pela ampla experiência acumulada em projetos de Pagamento por Serviços Ambientais, já se consolida como uma referência internacional na promoção da troca de experiências e do intercâmbio global. Esse protagonismo é fundamental para construirmos caminhos voltados ao financiamento sustentável e permanente, capazes de garantir a conservação dos ecossistemas e valorizar, por meio de mecanismos de incentivos, àqueles que mantêm a floresta em pé”, avaliou a secretária-executiva do MMA, Anna Flávia Franco.

Durante os três dias de programação, representantes de mais de vinte países do sul global participaram de atividades voltadas à aprendizagem e à troca de experiências, com abordagem orientada aos desafios operacionais enfrentados pelos países. A programação teve foco na prática antes da teoria, priorizando evidências de implementação, arranjos institucionais, fluxos financeiros e mecanismos operacionais.

Política Nacional de PSA

Em 2021, o Governo do Brasil instituiu a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, estabelecendo o arcabouço jurídico necessário para avançar na agenda da sustentabilidade no país. A política reconhece e valoriza atividades humanas que contribuem para a conservação e a recuperação dos recursos naturais, gerando benefícios ambientais e impulsionando o ganho de escala da restauração florestal no Brasil.

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Atualmente, diversas iniciativas locais promovem a proteção e a restauração de florestas por meio de mecanismos de PSA.

Cooperação 

Cada evento irá explorar um tema específico e, no Brasil, o foco esteve em mecanismos de financiamento de PSA. Para Simone Bauch, chefe da ASECON, os programas de Pagamento por Serviços Ambientais dependem de financiamento previsível e de longo prazo para alcançar os resultados esperados. “No contexto geopolítico atual, marcado pela redução da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA), é imprescindível ampliar o debate sobre soluções financeiras inovadoras para viabilizar e sustentar programas de PSA em escala”, destacou.

Segundo Simone, discutir as experiências de financiamento de PSA entre diferentes países foi o principal objetivo desta primeira edição do Diálogo Internacional em Brasília. Ao longo dos três dias, os participantes compartilharam diferentes arranjos institucionais, fontes de financiamento e modelos operacionais, promovendo um intenso intercâmbio entre governos, parceiros de desenvolvimento, financiadores e organizações internacionais.

O encontro também abriu espaço para o fortalecimento de conexões entre os participantes e para o início da construção de uma Comunidade Global de Prática sobre PSA, concebida como um espaço contínuo de troca entre pares para acelerar aprendizagem, aproximar experiências e apoiar o avanço da implementação de programas em diferentes contextos.

Este evento contou com a parceria de mais de 12 organizações que juntas construíram o ambiente de cooperação radical entre instituições e países que marcou o diálogo. Estes incluem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do projeto Floresta+, a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, com implementação da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, o World Bank Group através do projeto NBS Invest, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento Alemão – Kreditanstalt für Wiederaufbau(KfW), Instituto Mundial de Recursos (World Resources Institute – WRI), Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature – WWF), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA / United Nations Environment Programme – UNEP), Iniciativa para as Florestas da África Central (Central African Forest Initiative – CAFI) e Instituto Clima e Sociedade (iCS – Institute for Climate and Society) e a Embaixada de Portugal/Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, que também apoiaram a realização da iniciativa. Cada um destes parceiros contribuiu com as iniciativas em implementação para somar na construção do diálogo e da comunidade de prática.

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Próximos passos

Em outubro, a Costa Rica sediará o 2º Diálogo Internacional, que terá como tema a governança e normativas para programas de PSA.

“Participar deste primeiro diálogo nos deu a oportunidade de compartilhar experiências e os avanços que já temos em nossa região. Esse espaço permitiu criar uma verdadeira comunidade que contribuirá para o fortalecimento das iniciativas de PSA em diferentes níveis. Nosso próximo encontro, em outubro, será uma continuidade desse processo, com foco na governança e na experiência dos produtores rurais nos territórios”, destacou Gilmar Navarrete Chacon, representante do Fundo Nacional de Financiamento Florestal (FONAFIFO) da Costa Rica.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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