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El Niño ameaça safra de grãos e trava a logística nacional

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O retorno do El Niño, fenômeno climático monitorado pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos),  altera todo o calendário agrícola do país e coloca em risco a produtividade das lavouras de grãos, que sustentam o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e por extensão do Brasil.

Se na pecuária o problema é a disponibilidade de pasto e o calor, na agricultura o desafio começa na janela de plantio. A irregularidade das chuvas atrasa o início da semeadura de soja e milho, o que empurra a colheita para meses em que o risco climático é maior, podendo resultar em quebra de safra ou na perda de qualidade do produto final, reduzindo o valor de venda na ponta.

No Sul, onde o excesso de chuva é a principal marca do El Niño, o produtor enfrenta o aumento exponencial de custos com fungicidas e defensivos, já que a umidade constante cria o ambiente perfeito para a proliferação de doenças nas lavouras de soja e trigo.

Além disso, a colheita em solo encharcado gera perdas mecânicas e compromete a qualidade do grão, que chega ao armazém com umidade acima do padrão, elevando o custo de secagem e reduzindo o peso final entregue para comercialização.

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Já no Norte e Centro-Oeste, o risco é o oposto: a seca prolongada ou a falta de umidade regular no solo interrompem o desenvolvimento vegetativo da planta, o que reduz drasticamente o rendimento por hectare e frustra as expectativas de lucro que foram desenhadas no planejamento da safra.

A logística é outro setor que sofre um efeito dominó imediato. As enchentes no Sul prejudicam o escoamento rodoviário, isolando regiões produtoras e encarecendo o frete devido aos desvios necessários para contornar estradas bloqueadas ou pontes destruídas.

No Norte, a seca severa nos rios da bacia amazônica trava o transporte hidroviário, essencial para levar a produção de grãos aos portos de exportação. Quando o caminhão não consegue passar ou o navio não consegue navegar, o produto fica estocado na fazenda, gerando custo de armazenagem e impedindo o produtor de realizar o lucro na venda do grão, que muitas vezes depende do giro rápido para pagar o custeio da lavoura.

Para o agricultor, o cenário exige uma mudança drástica na estratégia de proteção. Não é hora de apostar no clima, mas sim de garantir o fluxo de caixa através de seguros rurais, como o Proagro, que devem ser revisados para cobrir riscos específicos da região.

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Além disso, o monitoramento por satélite e o uso de dados locais, integrados às decisões de plantio, são as únicas formas de tentar ajustar a escolha das variedades de sementes e o momento exato de entrar em campo. O produtor precisa assumir o papel de gestor de riscos: quem não tiver liquidez para suportar um eventual atraso na colheita ou um aumento nos custos de defensivos será o primeiro a sentir o baque no fechamento da conta deste ciclo produtivo.

Fonte: Pensar Agro

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MPA realiza seminário sobre Extensão Pesqueira Artesanal

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizou, nesta sexta-feira(4), o I Seminário Interno de Extensão Pesqueira Artesanal, com a finalidade de ampliar o debate sobre a realidade das mulheres pescadoras e marisqueiras. Com o tema “Mulheres Pescadoras: Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental”, o evento representou um momento de apresentação prévia dos resultados do Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal, realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

O seminário nasceu do Projeto Mulheres Pescadoras, desenvolvido pela Fiocruz, pelo MPA e pelo Ministério das Mulheres. O Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal aprofundou a análise em 52 municípios de atenção prioritária, distribuídos pelas cinco regiões do país: 18 no Norte, 10 no Sudeste, 6 no Sul e 3 no Centro-Oeste. Essa ação dialoga com o Programa Povos da Pesca Artesanal e teve como eixos estruturantes: Emergência Climática e Racismo Ambiental; Populações Tradicionais e Territórios; Segurança Alimentar, Epidemiologia e Saúde; e Economia Solidária e Cadeia Produtiva. 

De acordo com o secretário-executivo do MPA, Lázaro Medeiros, o evento traz para o centro do debate o tema das mulheres pescadoras. “É um tema que apresenta também um diálogo com quem vive de fato os territórios pesqueiros. Além disso, ele apresenta um mapeamento socioterritorial, apresentando com mais profundidade a realidade das comunidades”, destacou. 

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A pesquisadora da Fiocruz, Maria Juliana Correa, apontou a importância do seminário para dar visibilidade aos direitos sociais das mulheres pescadoras. “A gente sempre escutava das mulheres das águas a necessidade de um olhar específico para a saúde das pescadoras e marisqueiras, unindo o meio ambiente e a saúde nos territórios”, afirmou. 

O secretário Nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, destacou o objetivo do evento. “Encontros como esses criam caminhos para a construção do futuro da pesca artesanal do Brasil. Estamos aqui produzindo conhecimentos que serão transformados em políticas públicas”, afirmou. 

A pescadora sergipana, Arlene Costa, afirmou que são as mulheres as grandes guardiãs dos territórios. “Hoje enfrentamos diversas ameaças ambientais nos territórios e somos nós, as mulheres das águas, que preservamos e garantimos os recursos naturais para as próximas gerações”, disse. 

Para a coordenadora-geral de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira do MPA, Lorena Abrahão, o mapeamento é fundamental para a construção de políticas públicas estruturantes para as mulheres das águas. “Mais do que retratar vulnerabilidades, os dados evidenciam a força organizativa e o protagonismo das mulheres que vivem da pesca em todo o Brasil”, finalizou. 

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O evento contou também com a presença da coordenadora-geral da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Larissa Passos, e do secretário Nacional de Políticas de Ações Afirmativas e Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Clédisson Geraldo dos Santos Júnior.

ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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