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UFV lidera projeto de melhoramento genético participativo de pimentas para fortalecer a agricultura sustentável em Minas Gerais

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A Universidade Federal de Viçosa (UFV), por meio de uma equipe coordenada pelo professor Dr. Agustin Zsögön, está desenvolvendo um projeto inovador que busca fortalecer a agricultura sustentável em Minas Gerais por meio do melhoramento genético participativo de pimentas. A iniciativa integra o Programa Participa Minas – Edital nº 01/2024 e tem como foco a construção conjunta de soluções entre pesquisadores e agricultores familiares.

O projeto pretende selecionar e desenvolver variedades de pimentas mais adaptadas às diferentes condições de cultivo da Zona da Mata mineira, promovendo ganhos de produtividade, sustentabilidade, segurança alimentar e geração de renda para os produtores rurais.

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Agricultores participam diretamente da pesquisa

Um dos diferenciais da iniciativa é a participação ativa dos agricultores em diversas etapas do processo de pesquisa. O modelo de melhoramento genético participativo permite que produtores e pesquisadores definam conjuntamente as prioridades de seleção das variedades, considerando características de interesse econômico, agronômico e comercial.

O projeto será desenvolvido em dez propriedades rurais localizadas nos municípios de Viçosa, Guaraciaba, Muriaé, Barão de Monte Alto, Raul Soares e Espera Feliz, envolvendo agricultores orgânicos vinculados ao Sistema Participativo de Garantia (SPG) Floriô.

Segundo os pesquisadores, a diversidade geográfica das áreas participantes permitirá avaliar o desempenho dos materiais genéticos em diferentes ambientes de produção, ampliando as possibilidades de adaptação das futuras cultivares.

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Ciência e tecnologia impulsionam o desenvolvimento de novas variedades

O trabalho envolve o cultivo e avaliação de variedades comerciais e acessos provenientes do Banco de Germoplasma de Hortaliças da UFV e da Embrapa Hortaliças. Os materiais serão submetidos a análises agronômicas, fisiológicas, metabólicas e genéticas para identificar características de interesse para os agricultores e para o mercado.

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Entre os parâmetros avaliados estão produtividade, crescimento das plantas, qualidade dos frutos, resistência a condições adversas, eficiência fisiológica, composição nutricional e presença de compostos responsáveis pela pungência das pimentas.

A equipe também utilizará técnicas modernas de genotipagem por sequenciamento para identificar variedades promissoras e compreender melhor a diversidade genética existente nos materiais avaliados.

Capacitação e transferência de conhecimento

Além da pesquisa científica, o projeto prevê uma ampla agenda de capacitação voltada para agricultores, estudantes e profissionais das ciências agrárias. Serão realizados cursos presenciais e online abordando temas como melhoramento genético participativo, produção de sementes, avaliação de cultivares, manejo sustentável e coleta de dados em campo.

O projeto também terá uma vertente formativa, envolvendo estudantes de graduação em Agronomia da UFV em atividades de pesquisa, extensão e interação direta com agricultores. A participação dos estudantes proporcionará experiência prática em melhoramento genético, coleta e análise de dados em campo, produção de sementes e avaliação de cultivares, além de ampliar o contato com os desafios reais da produção agrícola e com os processos de construção conjunta do conhecimento entre universidade e produtores rurais.

A proposta busca fortalecer a autonomia dos produtores e ampliar o acesso às tecnologias de inovação agrícola, promovendo a formação de uma rede regional de conhecimento voltada ao desenvolvimento sustentável.

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Agricultura sustentável e preservação da biodiversidade

De acordo com o projeto, um dos objetivos centrais é promover sistemas produtivos mais resilientes e ambientalmente responsáveis. A iniciativa pretende incentivar o uso sustentável dos recursos genéticos vegetais, ampliar a biodiversidade agrícola e reduzir a dependência de insumos externos.

A expectativa é que as variedades selecionadas apresentem melhor adaptação às condições locais e de cultivo, maior resistência a pragas e doenças e melhor desempenho produtivo, contribuindo para a sustentabilidade econômica e ambiental das propriedades rurais.

Resultados devem beneficiar produtores e consumidores

Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de novas variedades de pimentas com características superiores de produtividade, qualidade e adaptação regional, além do fortalecimento da participação dos agricultores nos processos de inovação tecnológica.

O projeto também prevê impactos positivos na geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento da agricultura familiar, criando oportunidades para a diversificação produtiva e agregação de valor nas propriedades rurais mineiras.

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Divulgação dos resultados e fortalecimento da extensão rural

Os conhecimentos gerados serão compartilhados por meio de artigos científicos, cartilhas técnicas, cursos, workshops, eventos presenciais e plataformas digitais. A estratégia busca ampliar o acesso às informações e aproximar ainda mais a universidade das comunidades rurais.

Ao unir ciência, extensão rural e participação dos agricultores, o projeto coordenado pela UFV reforça o papel da pesquisa pública na construção de uma agricultura mais sustentável, inovadora e adaptada aos desafios do campo em Minas Gerais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de etanol ganha fôlego com gasolina mais cara e oferta mais ajustada no Centro-Sul

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O mercado brasileiro de etanol entrou em uma fase mais favorável nas últimas semanas, impulsionado pela melhora da competitividade frente à gasolina, pelo avanço da demanda doméstica e por um cenário de oferta mais equilibrado na região Centro-Sul, principal polo produtor do país.

A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca uma mudança gradual nos fundamentos do mercado após meses de pressão sobre os preços do biocombustível.

Gasolina fortalece competitividade do etanol

Um dos principais fatores que vêm sustentando a recuperação do etanol é o aumento da competitividade nas bombas. Com os reajustes observados nos combustíveis fósseis e a manutenção de preços mais atrativos do biocombustível em diversos estados brasileiros, consumidores voltaram a ampliar o consumo do hidratado.

O movimento é especialmente relevante em estados produtores, onde a relação de preços entre etanol e gasolina voltou a favorecer o abastecimento com combustível renovável.

Segundo a análise do Itaú BBA, essa retomada da competitividade tem contribuído para melhorar o escoamento da produção e reduzir parte da pressão observada sobre os estoques das usinas.

Produção segue elevada, mas ritmo de moagem exige atenção

Apesar do cenário mais favorável para a demanda, o mercado continua monitorando de perto a evolução da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul.

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As condições climáticas observadas ao longo do ciclo influenciam diretamente o ritmo de moagem e a disponibilidade de matéria-prima para a produção de açúcar e etanol. O setor acompanha ainda os impactos das chuvas em algumas regiões produtoras e os efeitos sobre o rendimento agrícola dos canaviais.

A estratégia das usinas também permanece no radar do mercado. Dependendo da rentabilidade relativa entre açúcar e etanol, as empresas podem direcionar maior volume de cana para um ou outro produto, alterando a oferta disponível ao longo dos próximos meses.

Consumo doméstico continua sendo principal suporte

O mercado interno segue como o principal motor para o setor de biocombustíveis. A frota flex brasileira continua garantindo elevada capacidade de absorção da produção nacional, especialmente em momentos de maior competitividade do etanol hidratado.

Além disso, as políticas de descarbonização e os programas de incentivo aos combustíveis renováveis reforçam as perspectivas estruturais positivas para o segmento.

A expectativa é de que o consumo permaneça aquecido durante o segundo semestre, contribuindo para um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda.

Petróleo e câmbio permanecem no radar

O comportamento das cotações internacionais do petróleo segue sendo um dos principais fatores de influência para o mercado brasileiro de combustíveis.

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Oscilações nos preços da commodity afetam diretamente a formação dos preços da gasolina e, consequentemente, a competitividade do etanol nas bombas.

O câmbio também desempenha papel importante. Um dólar mais valorizado tende a favorecer as exportações do setor sucroenergético e aumentar a atratividade do açúcar no mercado internacional, impactando as decisões de produção das usinas.

Perspectivas para o segundo semestre

A avaliação do Itaú BBA é de que os fundamentos do mercado de etanol apresentam melhora gradual, sustentados pela recuperação da demanda e por uma oferta mais ajustada em relação aos meses anteriores.

Embora o setor continue sujeito à volatilidade provocada por fatores climáticos, câmbio, petróleo e decisões de mix das usinas, o cenário atual é considerado mais favorável do que o observado no início da safra.

Para produtores, usinas e investidores do agronegócio, a tendência é de um mercado mais equilibrado, com potencial de sustentação dos preços ao longo do segundo semestre de 2026, especialmente se a competitividade do biocombustível frente à gasolina continuar avançando.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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