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Com cota chinesa por um fio, JBS suspende abates e acende alerta na pecuária nacional

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A decisão da JBS, a maior exportadora global de proteína bovina de suspender, desde o último sábado (20.06), o processamento de cortes destinados ao mercado chinês marca um ponto de inflexão para o setor pecuário brasileiro. A medida, motivada pelo risco iminente de esgotamento da cota de importação estabelecida pelo governo asiático para 2026, acendeu um sinal de alerta sobre a sustentabilidade do atual modelo de exportação, hoje altamente concentrado em um único destino.

A China consolidou-se como o maior parceiro comercial da proteína bovina brasileira, absorvendo historicamente mais de 50% das exportações totais do país. Em 2025, o Brasil exportou 1,25 milhão de toneladas de carne bovina in natura para a China, volume que sustentou o patamar de preços ao longo de todo o ano.

O receio do setor é que a continuidade do ritmo atual de embarques, que consumiu só no primeiro quadrimestre de 26, cerca de 612,8 mil toneladas do 1,106 milhão de toneladas da cota, provoque o esgotamento do volume autorizado já em julho. Caso o volume total ultrapasse o limite acordado, entra em vigor uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente (12%), elevando a carga tributária total para 67%. Tal cenário tornaria o produto brasileiro proibitivo em termos de custo, inviabilizando as vendas no segundo semestre.

Para o produtor, o impacto imediato é a retração na liquidez. Com as plantas habilitadas para a China reduzindo o ritmo de abate para gerir o estoque remanescente da cota, a demanda por boi gordo no mercado interno sofre uma contração técnica. Em estados como São Paulo, a arroba apresenta-se em R$ 345,52, enquanto em Mato Grosso a média de R$ 340,81 reflete a cautela da indústria em recompor escalas.

O setor varejista nacional, contudo, enfrenta dificuldade em absorver o volume excedente sem comprometer a rentabilidade. O quarto traseiro, cotado a R$ 27,00 por quilo, enfrenta a concorrência direta de proteínas de menor valor agregado, como o frango. Analistas ponderam que a tentativa das indústrias de redirecionar a produção para outros mercados internacionais e para o consumo doméstico exige um esforço logístico e comercial que não se traduz em ganhos imediatos de margem.

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A interrupção do processamento para o mercado asiático revela a vulnerabilidade estrutural da pecuária brasileira: a formação de preços no campo tornou-se refém de variáveis macroeconômicas e regulatórias ditadas por Pequim. Enquanto o setor busca alternativas de destinação para a proteína, o produtor rural observa a instabilidade das escalas de abate, transformando a previsibilidade de mercado na principal variável de risco para o restante da safra de 2026.

Esta cota é um mecanismo de salvaguarda previsto no protocolo sanitário e comercial entre Brasil e China. O objetivo chinês é proteger sua própria cadeia produtiva e evitar uma dependência total de um único fornecedor, mantendo o controle sobre os preços internos e o volume de entrada da proteína. Para o Brasil, a solução estrutural para este gargalo passa obrigatoriamente pela diversificação da pauta de destinos: a indústria precisa acelerar a habilitação de novos mercados, como Indonésia, Vietnã e o fortalecimento de blocos como o Oriente Médio, para reduzir a suscetibilidade à política de “torneira fechada” de Pequim.

Paralelamente à crise na proteína bovina, um novo vetor de instabilidade surge no setor de grãos, aumentando a pressão sobre o agro brasileiro. A recente reaproximação comercial entre Pequim e Washington, após a cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, coloca os Estados Unidos novamente como um concorrente agressivo no fornecimento de soja. O anúncio pelo USDA de que a China já iniciou a compra de 132 mil toneladas da safra americana 2026/27 — somadas a outras 384 mil toneladas de destino ainda não confirmado — sinaliza o cumprimento dos compromissos de importação firmados pelos chineses, que prometem adquirir cerca de US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2028.

Na opinião do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o cenário atual revela uma fragilidade estrutural que o setor vinha tentando postergar. “Nossa dependência excessiva do mercado chinês transformou uma política de salvaguardas em um freio de mão para toda a economia agropecuária brasileira. Quando o maior comprador do mundo decide, por meio de cotas tarifárias, o ritmo em que devemos produzir, perdemos a soberania sobre o ciclo produtivo e entregamos o controle das margens ao sabor de decisões geopolíticas em Pequim”, afirma Rezende.

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“Essa pressão sobre a carne bovina é apenas o primeiro sinal de um reposicionamento comercial mais amplo. A entrada agressiva dos Estados Unidos como concorrente direto na oferta de grãos, após os recentes compromissos entre Washington e Pequim, retira do Brasil a vantagem de ser o fornecedor único ou preferencial. O produtor precisa entender que o mundo não está mais jogando com as mesmas cartas de 2025; estamos diante de uma disputa por participação de mercado onde o Brasil, pela primeira vez em anos, começa a ser pressionado em múltiplas frentes de exportação simultaneamente”, destaca o presidente do IA.

“A solução não é simples, mas é urgente: a profissionalização da gestão dentro da porteira não bastará se não houver um esforço nacional para a diversificação de mercados. O agro brasileiro precisa descolar sua rentabilidade da volatilidade das relações sino-americanas. Se não buscarmos ativamente novos destinos e não modernizarmos nossa estratégia de comercialização para não sermos apenas um fornecedor de volume, continuaremos vulneráveis a essas ‘torneiras fechadas’ que, cada vez mais, ameaçam a estabilidade financeira das nossas propriedades”, conclui Rezende.

Para o produtor brasileiro, esse cenário desenha um desafio duplo. Se por um lado a pecuária enfrenta o teto de cota que limita o escoamento da carne, por outro, a agricultura lida com o retorno dos EUA à disputa pelo mercado chinês, o que pode pressionar as cotações da soja e forçar uma revisão nas margens de lucro para a próxima colheita. A combinação entre a salvaguarda chinesa na carne e o retorno da competitividade americana na soja exige que o setor brasileiro profissionalize ainda mais sua gestão de estoque e busque mercados de nicho, sob o risco de ficar refém de decisões políticas tomadas entre Washington e Pequim, que pouco levam em conta a realidade da porteira brasileira.

Fonte: Pensar Agro

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Ministro Edipo Araujo cumpre agenda em Belém e Manaus nesta semana

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O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, cumpre agenda em Belém (PA) e Manaus (AM), entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), com compromissos voltados ao diálogo institucional, à pesquisa e ao desenvolvimento da pesca e da aquicultura na região.

Na quarta-feira (23), a agenda prevê, em Belém, uma reunião com representantes da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA). Na quinta-feira (24), já em Manaus, o ministro participa de visita institucional e reunião com a Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e, à noite, da cerimônia de abertura do II CENATEC – Congresso de Engenharia, Agronomia e Tecnologia do Amazonas, no Centro de Convenções do Amazonas – Vasco Vasques.

Já na sexta-feira (25), a programação inclui visita a uma fazenda de piscicultura relacionada a contrato de águas da União e agenda institucional no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus.

SERVIÇO

Quarta-feira – 23 de setembro

12h30 – Reunião com a Federação das Indústrias do Estado do Pará – FIEPA
Local: Sede da FIEPA – Trav. Quintino Bocaiúva, 1588 – Nazaré

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Quinta-feira – 24 de setembro

14h30 – Visita Institucional e reunião com a Reitoria da UFAM
Local: Av. Rodrigo Otávio, 6200 – Campus Universitário Senador Arthur Virgíio Filho – Coroado I

19h – Cerimônia de Abertura do II CENATEC
Local: Centro de Convenções do Amazonas – Vasco Vasques

Sexta-feira – 25 de setembro

11h10 – Visita a fazenda de psicultura

14h30 – Agenda Institucional no instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Local: Av. André Araújo, 2936 – Petrópolis, Manaus – AM

CONTATO
[email protected]
(61) 3276-5193
www.gov.br/mpa
@minpescaeaquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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