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Açúcar reage no mercado com chuvas no Centro-Sul, alta nas bolsas internacionais e oferta em foco

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O mercado do açúcar iniciou a semana com valorização nas bolsas internacionais e recuperação dos preços no mercado físico brasileiro, impulsionado principalmente pelas chuvas registradas no Centro-Sul do país. As precipitações reduziram o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, limitando temporariamente a oferta do adoçante e dando sustentação às cotações.

Apesar da melhora dos preços, a comercialização continua lenta. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a liquidez permanece reduzida, já que muitos compradores seguem cautelosos e aguardam novas quedas nas cotações antes de ampliar as aquisições.

Chuvas reduzem oferta e sustentam preços do açúcar

Na última semana, os preços do açúcar cristal branco registraram recuperação no mercado paulista à vista. O movimento ocorreu em resposta às condições climáticas, que dificultaram as operações de campo e diminuíram a disponibilidade imediata do produto.

Entretanto, o avanço dos preços ainda encontra resistência por parte da demanda. Segundo o Cepea, a percepção de oferta confortável continua predominando entre os agentes do mercado, limitando movimentos mais expressivos de valorização.

Entre os fatores apontados pelos participantes estão o crescimento da produção de etanol de milho e a elevada capacidade instalada das usinas do Centro-Sul para fabricação de açúcar, elementos que contribuem para manter expectativas de ampla oferta ao longo da safra.

Bolsas internacionais registram forte recuperação

No mercado externo, os contratos futuros do açúcar começaram a semana em alta tanto na Bolsa de Nova York quanto na Bolsa de Londres.

Na ICE Futures US, o contrato com vencimento em julho de 2026 encerrou o pregão cotado a 14,29 cents de dólar por libra-peso, com avanço de 2,2% sobre o fechamento anterior. O contrato outubro de 2026 também registrou valorização, encerrando o dia a 14,78 cents por libra-peso.

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Os preços alcançaram os maiores níveis das últimas três semanas, refletindo o aumento das preocupações em relação à oferta mundial da commodity.

Em Londres, os contratos do açúcar branco também apresentaram ganhos expressivos. O vencimento agosto de 2026 fechou a US$ 473,60 por tonelada, enquanto outubro terminou cotado a US$ 466,40 e dezembro a US$ 462,80 por tonelada.

Clima no Brasil e monções na Índia seguem no radar

As condições climáticas continuam sendo o principal fator de sustentação das cotações internacionais.

No Brasil, as chuvas no Centro-Sul desaceleraram o ritmo da moagem da cana-de-açúcar. Caso o clima permaneça mais úmido do que o esperado nas próximas semanas, analistas avaliam que a produção de açúcar poderá sofrer impactos, reduzindo a disponibilidade exportável.

Outro ponto de atenção permanece na Índia. O déficit de chuvas durante o período de monções mantém dúvidas sobre o potencial produtivo da próxima safra do segundo maior produtor mundial, elevando a preocupação dos investidores quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda global.

Além disso, o mercado acompanha de perto o vencimento do contrato julho na ICE, tradicionalmente um período que aumenta a volatilidade das negociações. Embora o volume de contratos em aberto venha diminuindo gradualmente, operadores esperam uma entrega física superior à observada no mesmo vencimento do ano anterior.

Produção menor de açúcar reforça cenário de suporte

Outro fator que continua oferecendo sustentação às cotações são os dados mais recentes da indústria sucroenergética brasileira.

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A redução na produção de açúcar no Centro-Sul, aliada ao maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol, contribuiu para diminuir as expectativas de oferta da commodity no mercado internacional.

Esse cenário fortalece o movimento de recuperação dos preços observado nas bolsas e reduz a pressão baixista registrada ao longo das últimas semanas.

Mercado interno apresenta comportamento misto

No mercado doméstico, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco voltou a registrar valorização.

A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,69, alta diária de 0,41%. Apesar da recuperação, o indicador ainda encerra o mês de junho com leve recuo acumulado de 0,33%, refletindo a volatilidade observada no mercado físico durante o período.

Já o etanol hidratado apresentou comportamento oposto. O Indicador Diário Paulínia apontou preço de R$ 2.379,50 por metro cúbico, com queda diária de 0,31%. Ainda assim, o biocombustível acumula valorização de 1,19% no mês.

Perspectivas para o mercado

O mercado segue atento à evolução das condições climáticas no Brasil e na Índia, fatores considerados decisivos para a formação dos preços nas próximas semanas.

Enquanto a oferta imediata permanece limitada pelas chuvas no Centro-Sul, compradores continuam cautelosos diante da expectativa de disponibilidade elevada ao longo da safra. O equilíbrio entre produção brasileira, comportamento das exportações, demanda internacional e destinação da cana para açúcar ou etanol deverá continuar definindo a direção das cotações no segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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