Tribunal de Justiça de MT

Equipes multidisciplinares são essenciais no enfrentamento à violência contra a mulher

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Participantes acompanham a palestra da assessora técnica multidisciplinar da Cemulher-MT, Adriany Sthefany de Carvalho, durante a capacitação das equipes multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Ao fundo, um telão exibe o tema da apresentação.A violência doméstica produz consequências que vão além das agressões físicas. Para oferecer uma resposta mais humanizada e efetiva às mulheres em situação de violência, o trabalho das equipes multidisciplinares das Varas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher é fundamental. Para aperfeiçoar essa atuação, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Escola dos Servidores e da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), promove regularmente capacitações para os profissionais que atuam diretamente no atendimento às vítimas e suas famílias.

Entre os dias 15 e 17 de julho, 72 psicólogos e assistentes sociais de 43 comarcas participam da capacitação “Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”. A formação aborda temas que qualificam o atendimento às vítimas e subsidiam tecnicamente as decisões judiciais.

Na programação desta quarta-feira (15), a assessora técnica multidisciplinar da Cemulher-MT, assistente social Adriany Sthefany de Carvalho ministrou a palestra “Atuação em Rede: o Papel das Equipes Multidisciplinares no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, destacando a importância da integração entre o Judiciário e os demais órgãos da rede de proteção.

“As equipes multidisciplinares vinculadas ao Judiciário podem fundamentar a Rede com materiais teóricos e pesquisas, auxiliar na construção de fluxos e protocolos e desenvolver projetos no eixo da prevenção. Além do combate, elas podem ir às escolas, fazer rodas de conversa com as mulheres, orientar a Rede sobre os serviços e ajudar a construir mecanismos de informação, como cartilhas e folders”, explicou.

A palestrante também ressaltou que um dos maiores desafios é fazer com que a informação e os serviços cheguem às mulheres que vivem em regiões de difícil acesso.

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“O primeiro passo é que essas informações cheguem até essas mulheres. A grande dificuldade é essa. Nosso estado é muito amplo e há regiões de difícil acesso até para os serviços. Imagina para essas mulheres chegarem até eles. Geralmente, na violência doméstica, elas ficam isoladas, se sentem sozinhas e desamparadas. A gente precisa ter um olhar principalmente para as mulheres da zona rural e tentar levar o serviço até elas por meio das redes”, defendeu Adriany.

Essa realidade faz parte da rotina da assistente social Silvana Maria Mazzonetto, da Comarca de Água Boa (627 km de Cuiabá), que atende também os municípios de Nova Nazaré e Cocalinho.

“Cocalinho fica a cerca de 200 quilômetros de Água Boa e tem muitas fazendas. Nós vamos até essas propriedades para realizar os atendimentos, com apoio do Conselho Tutelar. É importante conhecer essa realidade de perto, porque muitas situações de violência contra a mulher e contra a criança ficam ocultas na zona rural e a gente consegue alcançar essas famílias”, relatou Silvana.

Há 12 anos atuando como profissional credenciada do Judiciário, Silvana afirma que a formação continuada faz diferença na qualidade do atendimento. “Vir às capacitações é muito relevante para o nosso conhecimento. Esses momentos nos dão mais segurança sobre qual direcionamento tomar, quais encaminhamentos fazer e como conduzir os estudos de caso. O nosso parecer direciona vidas, e esse aperfeiçoamento faz com que a gente leve para a comarca uma visão técnica em favor da família.”

Ela também destaca o aprendizado proporcionado pela troca de experiências entre os profissionais. “Sempre levamos algum conhecimento novo. Também trocamos experiências com os colegas sobre como cada comarca atua e como foram conduzidos determinados casos. Essa troca acaba sendo um suporte muito importante para o nosso trabalho.”

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A assistente social Genezi Córdoba de Oliveira, da Comarca de Tabaporã (643 km de Cuiabá), também considera a capacitação essencial para a atuação nas comarcas. “Todas essas capacitações fortalecem o conhecimento para a gente conseguir aplicar no trabalho do dia a dia. Lá nós trabalhamos com Direito de Família, violência doméstica e com o grupo reflexivo. Eu sou encantada com esse trabalho porque a gente vê a transformação dos autores da violência doméstica.”

De acordo com ela, o Grupo Reflexivo para Autores de Violência Doméstica, implantado em março de 2025, apresenta resultados positivos. “A gente observa que houve uma redução dos casos. Hoje estamos com cinco participantes no grupo e já tivemos até homens que pediram para participar voluntariamente, depois de conhecerem o trabalho. Isso é uma experiência muito positiva.”

Além da atuação em rede, a capacitação aborda temas como perspectiva de gênero e alienação parental, masculinidades e machismo estrutural, estereótipos de gênero no Direito de Família, violência doméstica e dano psicológico, protocolo de julgamento com perspectiva de gênero e elaboração de documentos técnicos produzidos pelas equipes de Psicologia e Serviço Social. A programação também inclui atividades práticas voltadas à aplicação desses conhecimentos na rotina das varas especializadas.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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