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Previsão de seca no Tapajós ameaça escoamento de 5,5 milhões de toneladas

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O nível do Rio Tapajós caiu 28 centímetros em Santarém (cerca de 800 km da capital, Belém) no Pará, nos últimos 15 dias, enquanto a previsão oficial aponta chuva abaixo da média na Região Norte durante a primavera. A combinação elevou a preocupação do agronegócio com a possibilidade de restrições à navegação e levou cerca de 30 entidades a cobrar do governo uma dragagem emergencial nos trechos mais rasos da hidrovia.

O alerta não se baseia apenas no comportamento atual do rio. Prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica déficit de precipitação em praticamente toda a Região Norte entre outubro e dezembro. Em partes de Roraima, Amazonas e Pará, os acumulados podem ficar até 200 milímetros abaixo da média histórica.

O risco aumenta com o fortalecimento do El Niño e com a perda de água acumulada após sucessivos períodos de estiagem na Amazônia. Embora a navegação no Tapajós continue funcionando, a preocupação é que a vazante avance antes da recuperação das chuvas e reduza o calado disponível para as barcaças.

No documento enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as entidades afirmam que uma interrupção da hidrovia poderia reter entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de grãos. O desvio dessas cargas para rotas rodoviárias e portos mais distantes acrescentaria de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões aos custos logísticos.

O pedido ganhou urgência depois que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) cancelou uma licitação de R$ 74,8 milhões para dragagem no trecho entre Itaituba e Santarém. O contrato previa três ciclos de retirada de sedimentos durante 42 meses.

A intervenção seria concentrada em sete passagens consideradas críticas: Amorim, Barranco do Navio, Itapaiúna, Lago do Roque, Monte Cristo, Pederneiras e Santarenzinho. São locais onde o acúmulo de sedimentos reduz a profundidade e limita a capacidade de carga durante o período de águas baixas.

As organizações signatárias, entre elas a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sustentam que a operação tem caráter preventivo. O objetivo é preservar a navegação antes que a redução do nível do rio obrigue as embarcações a diminuir suas cargas ou interromper viagens.

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A hidrovia do Tapajós transportou 16,8 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. Soja e milho responderam por 88,4% da movimentação, cerca de 14,9 milhões de toneladas.

Nos primeiros dois meses de 2026, o corredor recebeu mais 2,38 milhões de toneladas. Soja e milho representaram 86% desse volume. Fertilizantes e combustíveis também utilizam a rota, o que amplia o possível impacto de uma restrição.

A produção agrícola chega de caminhão pela BR-163 aos terminais de Miritituba, distrito de Itaituba. Ali, os grãos são transferidos para comboios de barcaças que percorrem o Tapajós em direção a terminais ligados ao Rio Amazonas e ao Oceano Atlântico.

Essa ligação permitiu que uma parcela crescente da safra de Mato Grosso fosse exportada pelo Arco Norte. O trajeto reduziu distâncias em comparação com o envio aos portos do Sul e do Sudeste, ampliou as alternativas logísticas e ajudou a conter o custo do frete nas regiões produtoras.

Com menos profundidade, as barcaças precisam transportar volumes menores para navegar com segurança. Isso aumenta o número de viagens necessárias para movimentar a mesma quantidade de grãos. Em condições mais críticas, a carga precisa ser desviada para caminhões, ferrovias e outros portos.

Para o produtor, o impacto pode aparecer antes mesmo de uma eventual paralisação. O aumento do custo do transporte costuma ser descontado do valor pago pela soja e pelo milho na origem, principalmente nas propriedades mais afastadas dos terminais.

A substituição parcial da hidrovia pelo transporte rodoviário também poderia acrescentar aproximadamente 55 mil toneladas às emissões de gás carbônico, conforme estudo citado por empresas dos setores de navegação e logística.

As entidades calculam ainda que a restrição do Tapajós poderia comprometer o transporte de mais de 700 milhões de litros de combustíveis pela região de Miritituba e afetar o abastecimento de aproximadamente 7,5 milhões de pessoas. Os números constam do documento entregue ao governo e representam estimativas do setor produtivo.

Uma alternativa apresentada é permitir que a iniciativa privada execute parte da dragagem, sob fiscalização pública e sem transferência de recursos federais. A proposta encontra respaldo em um acordo de cooperação firmado pelo Dnit para intervenções emergenciais nos trechos de Itapaiúna e Amorim.

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O acordo, entretanto, alcança apenas dois dos sete pontos identificados como críticos e ainda não resultou no início das obras. A decisão também não depende exclusivamente do Ministério da Agricultura, pois envolve o Ministério de Portos e Aeroportos, o Dnit, órgãos ambientais e instituições de controle.

A dragagem enfrenta oposição de comunidades indígenas, organizações socioambientais e do Ministério Público Federal (MPF). O órgão defende que a obra somente seja realizada após licenciamento ambiental e Consulta Prévia, Livre e Informada aos povos e comunidades tradicionais potencialmente afetados.

O MPF afirma que o projeto completo prevê a retirada de mais de 4,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos ao longo de 280 quilômetros. Entre os riscos apontados estão a movimentação de mercúrio acumulado no leito, danos à fauna aquática e alterações em áreas de reprodução de espécies.

O Tribunal de Contas da União (TCU) condicionou a retomada do processo licitatório à obtenção da licença e à consulta das comunidades. O governo, por sua vez, decidiu não realizar a dragagem neste momento e informou que continuará monitorando as condições da hidrovia.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) solicitou aos terminais e transportadores planos de contingência. Entre as alternativas estão reduzir a carga das barcaças, utilizar embarcações de menor calado, reorganizar os comboios e transferir parte dos volumes para outras rotas.

Essas medidas podem evitar uma interrupção completa, mas reduzem a capacidade do corredor e aumentam o custo por tonelada transportada. O pedido das entidades procura justamente antecipar uma solução antes que a queda do rio transforme um risco climático em perda logística.

O Tapajós continua navegável, mas entra no período mais sensível com o nível em redução, previsão de chuvas abaixo da média e sem definição sobre a dragagem. Para o agronegócio, a preocupação é chegar ao pico da vazante sem capacidade suficiente para retirar a produção de uma nova safra que começa a ser plantada no Centro-Oeste.

Fonte: Pensar Agro

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Um terço dos produtores rurais brasileiros já utiliza IA; veja como aplicar na sua propriedade

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A inteligência artificial já está presente em 32% das empresas, cooperativas e propriedades rurais consultadas em levantamento com profissionais do agronegócio. A tecnologia começa a sair dos escritórios e chegar às decisões de plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas, manutenção de máquinas, pecuária e comercialização.

O percentual não permite concluir que o Brasil esteja atrasado. A pesquisa ouviu 197 profissionais e não possui abrangência suficiente para representar todo o setor. Além disso, ainda não existe uma estatística internacional padronizada que permita comparar diretamente o uso de inteligência artificial nas propriedades de diferentes países.

O conceito também varia entre os levantamentos. Algumas pesquisas consideram apenas sistemas que aprendem com dados e produzem previsões. Outras incluem agricultura de precisão, sensores, drones, imagens de satélite, pilotos automáticos e plataformas digitais, mesmo quando essas ferramentas não utilizam inteligência artificial em todas as suas funções.

Uma pesquisa internacional realizada com cerca de 4,4 mil produtores de nove países ajuda a dimensionar a digitalização do campo. Nos Estados Unidos, 61% dos entrevistados utilizavam soluções de agronomia digital, 51% adotavam equipamentos de agricultura de precisão e 38% empregavam sensoriamento remoto. Na América Latina, 49% usavam ferramentas digitais para acompanhar a produtividade.

O mesmo levantamento apontou que 75% dos produtores latino-americanos consultados utilizavam controladores de seção em pulverizadores, ante 78% na América do Norte e 49% na União Europeia. Esses equipamentos evitam sobreposição durante a aplicação, mas não devem ser classificados automaticamente como inteligência artificial.

Diante dessas diferenças, os 32% registrados no levantamento brasileiro indicam uma adoção relevante, embora ainda concentrada. Outros 56% dos participantes afirmaram não utilizar IA e 12% não souberam responder. Parte desses últimos pode empregar sistemas com inteligência artificial embarcada sem identificar a tecnologia pelo nome.

Na prática, a IA funciona a partir da coleta e da comparação de informações. Sensores, máquinas, estações meteorológicas, câmeras, drones, satélites e sistemas de gestão geram dados sobre solo, clima, plantas, animais, equipamentos, custos e produtividade. Os programas procuram padrões nesse conjunto e transformam as informações em alertas, previsões ou recomendações.

Uma câmera instalada numa máquina, por exemplo, pode registrar milhares de imagens enquanto percorre a lavoura. O sistema compara as plantas fotografadas com exemplos usados em seu treinamento, diferencia a cultura das invasoras e indica onde o herbicida deve ser aplicado. Em equipamentos compatíveis, o acionamento pode ocorrer automaticamente e apenas no ponto necessário.

Na irrigação, imagens térmicas e sensores permitem acompanhar a temperatura das folhas, a umidade do solo e as condições atmosféricas. Plantas submetidas à falta de água apresentam mudanças que podem ser reconhecidas pelo sistema antes que o estresse seja facilmente percebido a olho nu. A informação ajuda a definir quais áreas precisam ser irrigadas e em que quantidade.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participa do desenvolvimento de uma tecnologia que analisa a temperatura das folhas para identificar a necessidade de água. A aplicação busca evitar tanto a deficiência hídrica quanto o desperdício provocado pela irrigação uniforme de talhões com condições diferentes.

No manejo de pragas, câmeras e armadilhas eletrônicas podem reconhecer insetos, contar ocorrências e transmitir alertas. Um sistema desenvolvido para o bicudo-do-algodoeiro identifica os exemplares capturados e envia os dados para um aplicativo. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender apenas da visita manual a cada armadilha.

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A análise de imagens de satélite ou drones também permite localizar falhas de plantio, manchas com desenvolvimento irregular, erosão, deficiência nutricional e possíveis focos de doenças. O produtor recebe um mapa das áreas que precisam ser vistoriadas, reduzindo o tempo gasto para encontrar problemas em grandes extensões.

Na aplicação de sementes e fertilizantes, a inteligência artificial pode cruzar mapas de solo, relevo, produtividade e histórico de manejo. A partir desses dados, divide a propriedade em zonas e ajuda a calcular taxas diferentes dentro do mesmo talhão. O objetivo é evitar desperdício nas áreas de menor resposta e aproveitar melhor o potencial das mais produtivas.

Durante a safra, modelos computacionais podem combinar área cultivada, desenvolvimento das plantas, clima e histórico de produtividade para estimar o volume que deverá ser colhido. A previsão melhora o planejamento de máquinas, trabalhadores, fretes, armazéns e contratos de venda.

A tecnologia também pode acompanhar tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Informações sobre consumo de combustível, temperatura, pressão, vibração e desempenho dos componentes ajudam a identificar alterações que costumam anteceder uma falha. A manutenção pode ser programada antes que a máquina pare durante uma janela curta de operação.

Na pecuária, câmeras e sensores acompanham peso, deslocamento, alimentação e comportamento dos animais. Mudanças de padrão podem sinalizar problemas sanitários, reprodutivos ou nutricionais. Sistemas de visão computacional também são testados para estimar o desenvolvimento dos bovinos e auxiliar na definição do momento de abate.

A IA pode ser utilizada mesmo sem máquinas sofisticadas. Plataformas de gestão conseguem organizar notas fiscais, custos, estoques, aplicações, contratos e resultados por talhão. Ao reunir essas informações, o sistema pode apontar quais áreas apresentam maior custo, onde a produtividade está abaixo do histórico e quais despesas aumentaram entre uma safra e outra.

Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ajudar a resumir contratos, comparar orçamentos, elaborar relatórios e organizar informações administrativas. Elas não devem, contudo, ser utilizadas isoladamente para definir dosagens, diagnosticar doenças ou recomendar defensivos. Esses sistemas podem produzir respostas erradas com aparência convincente.

A confiabilidade depende da qualidade dos dados. Sensores descalibrados, mapas incompletos e registros financeiros incorretos levam a análises igualmente ruins. A recomendação precisa ser conferida no campo e validada pelo produtor ou por profissional habilitado antes de se transformar em uma decisão agronômica.

O custo permanece entre as principais barreiras, mas adotar IA não exige necessariamente comprar drones, servidores ou robôs. Cooperativas, consultorias e empresas de assistência técnica podem fornecer imagens, mapas e análises como serviço. Em outros casos, a inteligência já está incorporada a máquinas, aplicativos e plataformas utilizados na propriedade.

O melhor ponto de partida é escolher um problema mensurável. O produtor pode testar a tecnologia para reduzir consumo de água, localizar plantas daninhas, prever manutenção, controlar combustível ou organizar custos. A comparação entre uma área assistida e o manejo anterior permite verificar se a economia ou o ganho de produtividade paga o investimento.

A inteligência artificial não substitui a experiência do produtor nem a responsabilidade técnica. Sua vantagem é processar rapidamente milhares de informações e apontar situações que merecem atenção. Quando resolve um problema concreto e entrega retorno comprovável, deixa de ser uma promessa distante e passa a funcionar como mais uma ferramenta de gestão da propriedade.

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SERVIÇO

O produtor não precisa comprar um drone, trocar o maquinário nem contratar um sistema caro para começar. O primeiro passo é escolher um problema específico da propriedade, como consumo elevado de combustível, desperdício de água, falhas na aplicação, dificuldade para localizar pragas ou falta de controle dos custos.

Verifique o que já está disponível

Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, ordenhadeiras e sistemas de irrigação mais recentes podem gerar dados e oferecer recursos de automação ou inteligência artificial que não estão sendo utilizados. O produtor deve consultar o fabricante, a concessionária ou a assistência técnica para saber quais funções estão incluídas no equipamento.

Organize os dados da propriedade

A inteligência artificial depende de informações confiáveis. Mapas de produtividade, análises de solo, registros de aplicação, consumo de combustível, chuvas, custos, manutenção, mortalidade e desempenho dos animais podem alimentar os sistemas. Quanto melhor o histórico, mais úteis tendem a ser as análises.

Procure assistência técnica

Cooperativas, sindicatos rurais, empresas estaduais de extensão, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), consultores e profissionais das ciências agrárias podem ajudar a identificar aplicações adequadas. Muitas soluções são oferecidas como serviço, sem a necessidade de o produtor comprar sensores, drones ou programas.

Comece por uma área pequena

A recomendação é testar a ferramenta em um talhão, pivô, lote de animais ou conjunto de máquinas. O resultado deve ser comparado com o manejo anterior, considerando economia de insumos, ganho de produtividade, redução de perdas, horas de trabalho e custo da tecnologia.

Calcule o retorno

Antes de contratar, o produtor deve somar mensalidades, instalação, equipamentos, treinamento, manutenção e conectividade. A economia ou receita adicional precisa superar esses gastos em prazo compatível com a propriedade. Promessas de resultado sem demonstração em condições semelhantes merecem cautela.

Confira o contrato e a proteção dos dados

É importante saber quem poderá acessar as informações da propriedade, onde elas serão armazenadas e se poderão ser compartilhadas com terceiros. O contrato também deve informar como o produtor recupera seus dados caso decida trocar de fornecedor.

Valide as recomendações

Alertas produzidos por inteligência artificial devem ser conferidos no campo. Diagnósticos de doenças, doses de produtos, aplicações de defensivos e decisões sanitárias precisam respeitar a legislação, as bulas e a orientação de profissionais habilitados.

Onde aprender

O Senar Play oferece gratuitamente a trilha “Inteligência Artificial aplicada ao agro”, além do curso “Inteligência Artificial no Campo”, com 20 horas, aulas on-line e início imediato. A plataforma também mantém cursos de agropecuária digital, agricultura de precisão, sensores e mapeamento.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza capacitações pela plataforma E-Campo e conteúdos de assistência técnica no Ater+ Digital. Cooperativas, sindicatos e administrações regionais do Senar também podem informar sobre treinamentos presenciais e assistência disponível em cada Estado.

Ferramentas de IA generativa podem ser usadas para organizar planilhas, comparar orçamentos, resumir documentos e preparar relatórios. Informações financeiras, contratos, documentos pessoais e dados estratégicos da propriedade, entretanto, não devem ser inseridos em plataformas públicas sem a verificação das regras de privacidade.

Fonte: Pensar Agro

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