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Brasil pode dobrar produção de biocombustíveis até 2050 sem desmatar, indica estudo do IEMA

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O Brasil tem potencial para mais do que dobrar a produção e o consumo de biocombustíveis até 2050, respeitando critérios socioambientais e sem necessidade de novas áreas de desmatamento. É o que aponta o estudo “Biocombustíveis no Brasil: alinhando transição energética e uso da terra para um país carbono negativo”, lançado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), com apoio do GT Clima e Energia do Observatório do Clima.

Segundo o levantamento, o cultivo agrícola adicional necessário para ampliar a produção de biocombustíveis pode ocupar entre 20 e 35 milhões de hectares (Mha) dentro dos 56 Mha de pastos degradados que o país possui e que podem ser recuperados e utilizados de forma estratégica.

“Para isso, é necessário investir em cultivos de maior produtividade, como a macaúba, e em tecnologias avançadas, como o etanol de segunda geração”, explica Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do IEMA e autor do estudo.

Pastos degradados como alternativa para expansão agrícola

O Brasil possui cerca de 100 Mha de pastos degradados, equivalente a 12% do território nacional, dos quais 56 Mha poderiam ser direcionados para o crescimento da agricultura e produção de bioenergia. Essa estratégia permitiria conciliar a expansão de biocombustíveis com a proteção ambiental, regeneração de áreas naturais e produção de alimentos.

Silva ressalta que a bioenergia demanda quantidade relevante de terras, mas com políticas de monitoramento e uso do solo rigorosas, é possível priorizar alimentação e preservação ambiental, usando apenas áreas degradadas para produção energética.

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Cenários para produção de biocombustíveis até 2050

O estudo analisou seis cenários de expansão da bioenergia no Brasil, considerando diferentes matérias-primas e tecnologias para produção de etanol, biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF). Entre eles, quatro cenários se enquadram no limite de 56 Mha, demandando 20 a 35 Mha adicionais, conforme detalhado abaixo:

  • Foco em Cana/Macaúba 2050 (21 Mha): 100% do etanol, diesel verde e SAF da cana, e biodiesel da macaúba.
  • Foco em Macaúba 2050 (26 Mha): 100% do biodiesel, diesel verde e SAF da macaúba, e etanol da cana.
  • Foco em Cana/Soja/Macaúba 2050 (27 Mha): etanol 70% cana e 30% milho segunda safra; biodiesel de soja e macaúba em igual proporção; diesel verde e SAF da cana.
  • Foco em Cana 2050 (34 Mha): etanol 40% cana e 60% milho segunda safra; diesel verde e SAF da cana; biodiesel de soja.

Essas áreas se somariam aos 31,4 Mha utilizados em 2024 para produção de bioenergia, incluindo também silvicultura de eucalipto e pinus, utilizados para lenha, carvão vegetal e subprodutos da indústria de papel e celulose.

Tecnologias e cultivos estratégicos

O estudo considera tanto o etanol de primeira geração, atualmente produzido, quanto o etanol de segunda geração, feito a partir do bagaço da cana. Ambos podem ser utilizados diretamente como combustível ou para produção de diesel verde e SAF por meio da tecnologia ATJ (Alcohol to Jet).

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O óleo de soja pode gerar biodiesel e ser transformado em diesel verde e SAF em biorrefinarias. Já a macaúba apresenta alta produtividade (4.000 kg de óleo por hectare) e é nativa do Brasil, representando uma alternativa sustentável para bioenergia.

Cenários centrados na soja apresentam desafios

Dois cenários estudados indicam dificuldade em conciliar expansão da bioenergia com desmatamento zero:

  • Business as Usual (BAU) 2050: 100% do biodiesel, diesel verde e SAF de soja, etanol 80% cana e 20% milho, demandando 97 Mha adicionais, acima da área degradada disponível.
  • Foco na Soja 2050: aproveita milho em rotação, exigindo 55 Mha adicionais, próximo do limite de áreas degradadas, dificultando produção de alimentos e matérias-primas industriais.
Meta de desmatamento zero e crescimento sustentável

O estudo assume como premissa a redução de 92% das emissões de todos os setores até 2035 em relação a 2005, conforme a segunda NDC do Brasil no Acordo de Paris, e um crescimento médio do PIB de 2,1% ao ano até 2050. Com isso, o consumo de bioenergia pode passar de 102 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2024 para 221,1 Mtep em 2050, mantendo compromisso com desmatamento zero até 2030, com uma perda residual máxima de 100 mil hectares anuais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

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O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

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Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

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Fonte: Pensar Agro

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