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ABIEC cria grupo de trabalho para fazer frente aos desafios da nova legislações da UE

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A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) anunciou nesta quinta-feira (10.10), em Pequim (China), durante o Fórum Mundial de Inovação Agroalimentar de 2024 (WAFI), a formação do Grupo de Trabalho em Sustentabilidade na Indústria da Carne Brasil-China.

A iniciativa visa fazer frente aos desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro, diante da nova legislação europeia de combate ao desmatamento associado à produção agrícola. Assim, a formação deste grupo se torna um passo estratégico para o Brasil, buscando garantir que a carne bovina brasileira atenda aos requisitos internacionais e não seja penalizada por desinformações ou práticas não sustentáveis.

Os dois países, líderes no agronegócio, mantêm uma forte cooperação, com a China sendo o maior consumidor e o Brasil, o principal fornecedor de produtos agrícolas. A demanda chinesa por carne bovina tem impulsionado a eficiência da produção brasileira, que busca cada vez mais reduzir seus impactos ambientais. Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade da ABIEC, ressaltou a importância dessa aliança para fomentar o diálogo sobre sustentabilidade na produção de carne.

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“O Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, e a indústria exportadora de carne bovina já implementou protocolos de monitoramento que garantem a conformidade com essas normas”, afirmou Sampaio. “Nosso desafio agora é garantir o reconhecimento internacional desses esforços e expandir a cooperação em sustentabilidade com a China”, complementou.

O novo Grupo de Trabalho facilitará o intercâmbio de práticas sustentáveis na cadeia de carne bovina, estabelecendo critérios ambientais rigorosos e promovendo a cooperação entre os países. Além disso, a ABIEC participará de uma missão à China, liderada pelo assessor do Ministro da Agricultura, Carlos Augustin. Durante a visita, estão previstas reuniões com instituições de pesquisa e captação de recursos para investimentos sustentáveis na indústria.

Essa iniciativa reflete a necessidade de alinhamento com a moratória da carne e busca garantir que o Brasil atenda às demandas do mercado internacional, promovendo práticas responsáveis e sustentáveis na produção de carne bovina.

Fonte: Pensar Agro

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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