Agro News

Abiove projeta safra recorde em 2025, mas enfrenta oscilações no mercado

Publicado

A produção de soja no Brasil para a safra que será colhida em 2025 está projetada para alcançar 167 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Esse volume representa um crescimento de 9,4% em relação à safra anterior, consolidando o país como principal fornecedor global da oleaginosa.

O bom desempenho também é esperado no complexo de soja, que inclui o farelo e o óleo derivados do grão. As exportações brasileiras de soja em grão devem aumentar 5,9%, atingindo 104,1 milhões de toneladas, enquanto o processamento interno está projetado para crescer 4,6%, alcançando 57 milhões de toneladas.

MERCADO – Mas, apesar das perspectivas positivas de produção, o mercado brasileiro de soja enfrenta desafios. Nesta terça-feira (19.11), as cotações registraram queda em várias regiões, seguindo a tendência observada na Bolsa de Chicago (CBOT). Os preços recuaram mesmo diante de sinais firmes emitidos pela indústria, e o volume negociado foi considerado baixo.

As cotações por região mostram o impacto dessa retração:

  • Passo Fundo (RS): R$ 132,00 por saca (-R$ 2,00)
  • Missões (RS): R$ 131,00 por saca (-R$ 2,00)
  • Porto de Rio Grande (RS): R$ 141,00 por saca (-R$ 2,00)
  • Cascavel (PR): R$ 136,00 por saca (-R$ 1,00)
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 142,00 por saca (-R$ 1,00)
  • Rondonópolis (MT): R$ 150,00 por saca (-R$ 3,00)
  • Dourados (MS): R$ 139,00 por saca (-R$ 1,00)
  • Rio Verde (GO): R$ 131,00 por saca (-R$ 3,00).
Leia mais:  Congresso Brasileiro do Algodão 2026 destaca inovação e sustentabilidade na cotonicultura

Nos portos, o movimento foi praticamente estagnado, refletindo a oferta limitada e a falta de intenção de compra em algumas praças.

A pressão no mercado global também afeta os preços, com a CBOT registrando quedas nos contratos futuros. Os contratos de soja em grão para janeiro fecharam a R$ 57,95 (US$ 9,98 ½) por bushel, uma redução de 1,11%. Já a posição para março caiu 1,03%, fechando a R$ 58,52 (US$ 10,08 ½) por bushel.

Além das oscilações de preços, o mercado enfrenta incertezas políticas e comerciais. A possibilidade de uma nova guerra comercial entre Estados Unidos e China pode favorecer as exportações brasileiras, redirecionando a demanda global para o Brasil.

Com uma safra recorde à vista e previsões otimistas para os subprodutos, o Brasil reforça sua posição de liderança no mercado global de soja. No entanto, as flutuações internas e externas exigem atenção dos produtores e da indústria para aproveitar as oportunidades e minimizar os impactos de um mercado volátil.

FARELO – Entre os subprodutos, o farelo de soja apresentou leve alta de 0,58%, enquanto o óleo de soja encerrou com baixa de 1,49%, cotado a 44,84 centavos por libra-peso, o que da ai em torno de R$ 1.665 por tonelada.O farelo de soja, principal subproduto do grão, também deve registrar crescimento.

Leia mais:  Calor extremo pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

A Abiove estima uma produção de 44 milhões de toneladas, com alta de 5,5% em relação ao ano anterior. Desse total, 22,9 milhões de toneladas devem ser destinadas à exportação (+3,6%), enquanto o consumo interno deve atingir 19,5 milhões de toneladas (+3,7%).

No segmento do óleo de soja, a projeção é de incremento de 3,6% na produção, totalizando 11,4 milhões de toneladas. O consumo interno deve crescer 6,1%, chegando a 10,5 milhões de toneladas, mas as exportações poderão sofrer queda acentuada de 23,1%, limitando-se a 1 milhão de toneladas.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

Publicado

O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

Leia mais:  Congresso Internacional da Indústria do Trigo reúne recorde de participantes e define novas diretrizes para o setor

Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

Leia mais:  Preço do leite volta a subir após nove meses de queda e sinaliza recuperação gradual em 2026

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana