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Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor e pode elevar exportações brasileiras em US$ 1 bilhão já no primeiro ano

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A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura uma nova fase nas relações econômicas entre os blocos e deve gerar impacto imediato nas exportações brasileiras. A partir desta nova etapa, cerca de 5 mil produtos passam a acessar o mercado europeu com tarifas zeradas ou reduzidas — um avanço considerado histórico para o comércio exterior do Brasil.

Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o país poderá ampliar suas vendas externas em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência, considerando um conjunto de 543 produtos com alto potencial competitivo.

De acordo com o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a mudança representa um divisor de águas para empresas exportadoras. “Diversos produtos brasileiros deixam de pagar imposto para entrar na Europa, o que aumenta significativamente a competitividade em um dos mercados mais exigentes do mundo”, afirmou.

Mercado europeu amplia oportunidades para o Brasil

Com um Produto Interno Bruto estimado em cerca de US$ 20 trilhões, a União Europeia figura entre os maiores polos econômicos globais. O bloco importa aproximadamente US$ 7,4 trilhões em bens, sendo mais de US$ 3 trilhões provenientes de países fora da região.

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Esse cenário amplia de forma expressiva o potencial de inserção internacional das empresas brasileiras. O mercado europeu é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul, além de apresentar um ritmo de abertura comercial até cinco vezes mais acelerado.

Outro destaque do acordo é a assimetria favorável ao Mercosul: cerca de 54% das exportações do bloco passam a contar com tarifa zero imediata, enquanto apenas cerca de 10% dos produtos europeus recebem o mesmo benefício ao acessar o mercado sul-americano neste primeiro momento.

Setores com maior potencial de crescimento

Entre os segmentos brasileiros que devem se beneficiar mais rapidamente estão:

  • Aeronaves e componentes
  • Motores e geradores elétricos
  • Couro e derivados
  • Frutas, como uvas
  • Produtos apícolas, como mel

Mesmo reduções tarifárias consideradas pequenas podem gerar grande impacto competitivo. Em mercados internacionais altamente disputados, taxas entre 3% e 7% podem ser decisivas para o fechamento de negócios.

Estratégia aposta em promoção comercial e diversificação

Para transformar o potencial do acordo em resultados concretos, a ApexBrasil pretende intensificar ações de promoção comercial e aproximação com compradores europeus.

Entre as iniciativas previstas estão:

  • Ampliação de rodadas de negócios no Brasil, com participação de compradores internacionais por meio do programa Exporta Mais Brasil
  • Reforço da presença em feiras e eventos na Europa
  • Campanhas de promoção da imagem do Brasil, destacando qualidade, sustentabilidade e diversidade produtiva
  • Apoio à inserção de pequenos produtores, cooperativas e negócios ligados à bioeconomia
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A estratégia busca não apenas ampliar volumes exportados, mas também diversificar a pauta e agregar valor aos produtos brasileiros.

Impactos serão progressivos ao longo dos anos

Os efeitos mais imediatos devem ser sentidos pelas empresas exportadoras, que passam a operar com melhores condições comerciais. Já os benefícios para consumidores — tanto no Brasil quanto na Europa — tendem a ocorrer de forma gradual, conforme os fluxos comerciais se ajustam.

A expectativa é de que os ganhos se ampliem nos próximos anos, à medida que novas reduções tarifárias entrem em vigor e o acordo avance em sua implementação completa.

O entendimento é considerado um dos mais relevantes já firmados entre blocos econômicos, posicionando o Brasil em um patamar mais competitivo no comércio global e abrindo novas frentes de crescimento para o agronegócio e a indústria nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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E32 deve impulsionar demanda por etanol e fortalecer liderança do Brasil em bioenergia

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A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) deve representar um novo avanço estratégico para o Brasil, com impactos relevantes sobre a demanda por biocombustíveis, a segurança energética e o compromisso ambiental. A medida deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no início de maio, segundo o Ministério de Minas e Energia.

A expectativa do setor é de um efeito imediato no mercado. A ampliação da mistura pode gerar um aumento de aproximadamente 850 milhões de litros por ano na demanda por etanol anidro, além de contribuir para a redução das importações de gasolina.

Medida chega em momento estratégico para o setor

O avanço do E32 ocorre em um período considerado crucial, marcado pela renovação dos contratos de fornecimento de etanol anidro para a nova safra. A definição traz maior previsibilidade ao mercado e contribui para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Com a expectativa de crescimento na produção, especialmente impulsionada pela cana-de-açúcar e pelo etanol de milho, o setor projeta um acréscimo superior a 4 bilhões de litros na safra atual. Nesse contexto, o aumento da mistura surge como mecanismo importante para absorver esse volume adicional.

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Impacto direto na competitividade dos combustíveis

Outro efeito relevante da medida está na relação de competitividade entre os combustíveis. Com maior participação do etanol anidro na gasolina, há uma mudança na dinâmica de consumo, favorecendo também o etanol hidratado.

Esse movimento amplia a paridade econômica entre os combustíveis, que tende a superar a referência tradicional de 70%, tornando o etanol ainda mais atrativo ao consumidor final.

Avanço na agenda de descarbonização

Além dos efeitos econômicos, o E32 reforça o protagonismo do Brasil na transição energética global. O país já é referência internacional pelo elevado uso de biocombustíveis, tanto pela mistura obrigatória quanto pela ampla adoção de veículos flex fuel.

A proposta está alinhada às diretrizes do programa Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual da mistura de etanol na gasolina, podendo chegar a 35% (E35) nos próximos anos.

Mercado mais estável e novos investimentos

Com maior oferta de matéria-prima e aumento da demanda, a tendência é de um mercado mais equilibrado ao longo do ciclo produtivo. A expectativa inclui redução da volatilidade de preços, melhores condições ao consumidor e estímulo a novos investimentos no setor.

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O avanço também abre espaço para novas oportunidades na bioenergia, incluindo o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o bio bunker, ampliando ainda mais o papel estratégico do Brasil no cenário energético global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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