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Açúcar recua nas bolsas internacionais com projeção maior da Conab e mercado global pressionado pela oferta

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Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (4) em queda nas principais bolsas internacionais, após a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgar novas projeções que indicam aumento na produção brasileira para a safra 2025/26. Segundo o boletim, a produção de açúcar deve alcançar 45 milhões de toneladas, o que representa alta de 2% em relação à safra anterior e o segundo maior volume da série histórica.

Apesar de condições climáticas desfavoráveis no Centro-Sul durante o desenvolvimento das lavouras, a oferta de cana continua sustentando uma produção elevada, o que tem contribuído para pressionar as cotações internacionais.

Em contrapartida, a produção total de etanol deverá cair 2,8%, somando 36,2 bilhões de litros. O etanol de cana tende a recuar 9,5%, chegando a 26,55 bilhões de litros, enquanto o etanol de milho deve crescer 22,6%, totalizando 9,61 bilhões de litros.

No mercado interno, as vendas de etanol anidro seguem aquecidas, impulsionadas pela mistura obrigatória e pela recomposição de estoques. Com o fim da safra se aproximando e a oferta limitada, os preços devem permanecer estáveis a firmes no quarto trimestre, conforme avaliação da Conab.

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Exportações e ATR em baixa pressionam cotações

Entre abril e setembro, o Brasil exportou 17,7 milhões de toneladas de açúcar, queda de 9% em comparação com o mesmo período da safra passada. Além da redução no volume embarcado, o aumento dos estoques e o menor teor de Açúcar Total Recuperável (ATR) também contribuíram para a retração dos preços nas bolsas internacionais.

A revisão positiva da Conab para a produção brasileira reforçou o cenário de abundante oferta global, que tem mantido as cotações próximas das mínimas históricas. Analistas destacam que o mercado permanece sensível a qualquer sinal de aumento na produção, o que reduz o espaço para valorizações no curto prazo.

Bolsas internacionais: movimentos mistos em Nova York e Londres

Na ICE Futures, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em queda na terça-feira. O vencimento de março/26 recuou 43 pontos, cotado a 14,22 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o de maio/26 caiu 38 pontos, para 13,85 centavos.

Já nesta quarta-feira (5), o mercado apresentou movimentos mistos: o março/26 subiu levemente para 14,23 centavos de dólar (+0,07%), enquanto o contrato de maio recuou para 13,84 centavos (-0,07%) e o de julho caiu 0,22%, cotado a 13,79 centavos.

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Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco também encerrou em baixa na terça, com o contrato de dezembro/25 recuando US$ 9,90, negociado a US$ 413,40 por tonelada, e o de março/26 caindo US$ 8,50, para US$ 406,70 por tonelada. Nesta quarta, os ganhos voltaram a aparecer, com o dezembro/25 sendo negociado a US$ 415,10 por tonelada (+0,41%).

Mercado interno: retração do açúcar cristal e do etanol hidratado

No Brasil, o açúcar cristal acompanhou o movimento de baixa, com retração de 2,37%, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 109,68.

O etanol hidratado também apresentou leve queda de 0,36%, conforme o Indicador Diário Paulínia, sendo negociado a R$ 2.878,50 por metro cúbico nas usinas.

Especialistas apontam que a tendência de preços firmes para o etanol e pressão de baixa para o açúcar deve se manter nas próximas semanas, à medida que o mercado global continua reagindo às atualizações da safra brasileira e ao comportamento do clima nas regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro

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Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.

Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.

A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.

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Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.

O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.

Fonte: Pensar Agro

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