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Agricultores dos EUA afirmam que pacote de US$ 12 bilhões é insuficiente para compensar perdas do setor

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Produtores veem pacote como “tábua de salvação”, mas insuficiente

Agricultores dos Estados Unidos receberam com alívio, mas também com preocupação, o pacote de ajuda de US$ 12 bilhões anunciado pelo então presidente Donald Trump. Apesar de considerarem o apoio necessário para enfrentar a crise no campo, produtores e especialistas afirmam que o valor está muito aquém das perdas causadas pelos baixos preços das safras e pelas exportações reduzidas em função da guerra comercial travada pelo governo norte-americano.

“Esse apoio servirá como uma tábua de salvação para quem tenta chegar ao próximo ano, mas não é uma solução de longo prazo”, avaliou Mike Stranz, vice-presidente da National Farmers Union.

De acordo com economistas e associações agrícolas, os produtores vêm enfrentando custos elevados de mão de obra, fertilizantes e sementes, além da desvalorização de produtos como soja, milho, trigo e amendoim.

Perdas no campo superam US$ 40 bilhões

As estimativas para 2025 indicam perdas entre US$ 35 bilhões e US$ 44 bilhões nas principais commodities agrícolas, segundo Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da Universidade Estadual da Dakota do Norte.

O governo justificou que o pacote de ajuda tem caráter emergencial e funcionará como “ponte financeira” até que as novas medidas de estímulo previstas no projeto de lei de impostos e gastos, conhecido como One Big Beautiful Bill, comecem a vigorar.

“O objetivo é garantir que os agricultores tenham mercados fortes e sustentáveis, em vez de depender de cheques do governo”, afirmou a secretária de Agricultura Brooke Rollins.

Setor enfrenta desafios com baixa rentabilidade e endividamento

De acordo com uma pesquisa conduzida pela American Bankers Association e pela Farmer Mac, menos da metade dos produtores rurais norte-americanos deverá registrar lucros em 2026. As principais preocupações do setor incluem baixa liquidez, aumento da dívida e inflação persistente.

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Mesmo antes do novo pacote, o governo Trump já previa um recorde de US$ 40 bilhões em pagamentos federais ao setor neste ano, impulsionados por programas emergenciais e incentivos econômicos.

Lei agrícola promete reajustes, mas impacto deve ser limitado

O novo projeto de lei de Trump prevê um aumento de 10% a 21% nos preços de referência de commodities como milho e soja — valores que acionam os programas de rede de segurança agrícola. Segundo Richard Fordyce, subsecretário do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), essa medida ajudará os produtores “a se manterem à tona até outubro de 2026”.

Contudo, especialistas afirmam que os ajustes não resolverão o problema estrutural do setor. “Os aumentos são bem-vindos, mas insuficientes diante do endividamento crescente”, destacou o economista Wesley Davis.

Uma pesquisa da Purdue University/CME Group revelou que mais da metade dos agricultores utilizará os recursos federais para quitar dívidas, e não para investir em maquinário ou capital de giro.

Produtores de soja entre os mais afetados

Os produtores de soja foram os que mais sentiram os efeitos da guerra comercial, após a China suspender as importações do grão norte-americano por seis meses. Segundo o agricultor Caleb Ragland, presidente da American Soybean Association, a ajuda federal cobrirá apenas um quarto das perdas do setor.

“Somos gratos pelo apoio, mas esse dinheiro apenas retarda o sangramento”, afirmou Ragland.

Outros segmentos agrícolas, como o de frutas e vegetais, também relatam insuficiência no pacote. Apenas US$ 1 bilhão foi destinado a esses produtores, o que, segundo Kam Quarles, presidente do National Potato Council, “não cobre nem de perto o tamanho das perdas”.

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As perdas apenas com a batata russet somam meio bilhão de dólares, ressaltou Quarles.

Distribuição do auxílio e histórico de repasses

Durante seu primeiro mandato, Trump já havia destinado cerca de US$ 23 bilhões em ajuda comercial ao setor agrícola. Um relatório do Government Accountability Office de 2021 mostrou que alguns estados receberam valores acima do necessário devido à forma de cálculo dos pagamentos.

Desta vez, segundo o USDA, a nova rodada de repasses será calculada com base em área plantada, custos de produção e outros fatores, sem diferenciação regional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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