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Agricultura familiar ganha destaque na Hortitec 2026 com novos tratores e expectativa pelo Plano Safra

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Em meio às expectativas do setor agropecuário em torno do novo Plano Safra, das condições de financiamento rural e da evolução das taxas de juros, a agricultura familiar será um dos principais focos da 31ª edição da Hortitec, que acontece entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).

A Agritech, fabricante brasileira especializada em máquinas para pequenas propriedades, aproveitará o evento para apresentar novos modelos de tratores desenvolvidos especialmente para agricultores familiares e produtores de pequeno e médio porte, segmento que segue demonstrando potencial de crescimento mesmo em um ambiente econômico desafiador.

Agricultura familiar segue estratégica para o mercado de máquinas agrícolas

Enquanto parte do mercado de máquinas agrícolas enfrenta um cenário de maior cautela devido ao custo do crédito e à redução dos investimentos em algumas cadeias produtivas, a Agritech mantém uma visão positiva para os próximos meses.

Segundo o gerente de Vendas e Marketing da empresa, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, o foco permanece na oferta de soluções que atendam às necessidades específicas dos pequenos produtores, conciliando produtividade, eficiência operacional e viabilidade econômica.

De acordo com o executivo, o agricultor busca equipamentos que proporcionem ganhos de desempenho no campo sem comprometer o orçamento da propriedade, característica que tem direcionado os investimentos da fabricante nos últimos anos.

Empresa projeta crescimento de 10% em 2026

Mesmo diante de projeções mais moderadas para o setor de máquinas agrícolas, a Agritech estima ampliar suas vendas em 10% ao longo de 2026.

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A expectativa está associada à ampliação do portfólio de equipamentos e ao desenvolvimento de máquinas adaptadas às diferentes atividades desenvolvidas por pequenos e médios produtores rurais.

O fortalecimento da mecanização nas pequenas propriedades, aliado à necessidade de aumento da produtividade e redução dos custos operacionais, continua impulsionando a demanda por equipamentos compactos e multifuncionais.

AGT-20 chega ao mercado voltado para a cafeicultura adensada

Entre os lançamentos previstos para a Hortitec 2026 está o AGT-20, modelo desenvolvido para atender principalmente produtores de café que trabalham com sistemas de plantio adensado.

Equipado com tração 4×4, motor de 17 cavalos de potência, transmissão 9×3, sistema hidráulico universal e tomada de potência nas rotações de 540 e 1000 RPM, o equipamento foi projetado para operar em áreas com espaçamento reduzido entre as linhas de cultivo.

A principal característica do modelo é a bitola superestreita, que permite maior mobilidade entre os cafezais, contribuindo para a mecanização das operações e para a redução dos custos de produção.

Trator cabinado amplia opções para produtores rurais

Outro destaque da fabricante será o lançamento do AGT-25 cabinado, modelo compacto voltado para diferentes atividades agrícolas.

O equipamento conta com motor Mitsubishi de 25,7 cavalos de potência, transmissão com nove marchas à frente e três à ré, além de tomada de força nas versões 540 e 1000 RPM.

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A proposta é oferecer maior conforto operacional, versatilidade e eficiência para propriedades que necessitam de mecanização em áreas menores, sem abrir mão da produtividade.

Crédito rural e tecnologia serão decisivos para o setor

A apresentação dos novos equipamentos ocorre em um momento em que produtores rurais aguardam definições sobre o Plano Safra 2026/27, considerado fundamental para ampliar o acesso ao crédito e estimular investimentos em tecnologia no campo.

Especialistas avaliam que a disponibilidade de linhas de financiamento adequadas para a agricultura familiar poderá desempenhar papel decisivo na renovação da frota agrícola e na adoção de novas tecnologias por pequenos produtores.

Nesse contexto, equipamentos compactos, econômicos e adaptados às diferentes realidades produtivas tendem a ganhar cada vez mais espaço no mercado, impulsionando a competitividade e a sustentabilidade das propriedades rurais brasileiras.

Hortitec reforça importância da inovação para o horticultor

Reconhecida como uma das principais feiras de horticultura, cultivo protegido e fruticultura da América Latina, a Hortitec reúne anualmente fabricantes, produtores, pesquisadores e especialistas para apresentar soluções voltadas ao aumento da produtividade e à modernização do campo.

A edição de 2026 deverá reforçar o papel da inovação tecnológica como ferramenta estratégica para o fortalecimento da agricultura familiar e para o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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