Agro News

Mercado da soja segue pressionado: incertezas climáticas no Sul e queda do petróleo influenciam preços internos e em Chicago

Publicado

Rio Grande do Sul concentra as incertezas da safra brasileira

O Rio Grande do Sul continua sendo o principal foco de preocupação da safra brasileira de soja, de acordo com informações da TF Agroeconômica. Os preços no porto gaúcho caíram para R$ 141,00 por saca (-0,70%), enquanto no interior o valor médio ficou em R$ 132,08 (-0,23%), com destaque para Cruz Alta e Santa Rosa (R$ 136,00). Em Panambi, o mercado físico mostrou resistência, mantendo o ritmo comprador mesmo com o recuo do preço de pedra para R$ 122,00/sc.

A consultoria destaca que o cenário reflete a cautela dos produtores diante das condições climáticas instáveis e do comportamento do mercado internacional, que segue volátil.

Santa Catarina avança com o plantio tardio

Em Santa Catarina, o mercado de soja apresenta dinâmica própria, descolada da paridade de exportação. Com a colheita de inverno praticamente finalizada, os produtores concentram esforços no plantio da soja em áreas tardias. No porto de São Francisco do Sul, a saca é cotada a R$ 141,05 (-0,89%), acompanhando o movimento de leve retração observado na região Sul.

Paraná atua como regulador do mercado

O Paraná tem sido o fiel da balança da produção sulista, com safra promissora e produtores mantendo uma postura comercial conservadora. De acordo com a TF Agroeconômica, os preços variam conforme a praça:

  • Paranaguá: R$ 141,82/sc
  • Cascavel: R$ 130,83 (+0,01%)
  • Maringá: R$ 129,53 (-0,28%)
  • Ponta Grossa: R$ 132,46 (-0,41%)
  • Pato Branco: R$ 141,05 (-0,89%)

No mercado de balcão, Ponta Grossa registrou R$ 122,00/sc, evidenciando estabilidade diante da cautela dos produtores com novas vendas.

Mato Grosso do Sul enfrenta lentidão nas negociações

O Mato Grosso do Sul vive um cenário de baixa fluidez nas negociações, com ajustes negativos acompanhando o movimento nacional. Em Dourados, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia, a saca foi cotada a R$ 127,82 (-0,30%), enquanto em Chapadão do Sul ficou em R$ 123,39 (-0,14%).

Leia mais:  Mercado de frango segue pressionado: preços estáveis no vivo e queda no atacado

A consultoria aponta que a retração dos compradores e a falta de estímulos externos têm travado o mercado, mantendo os preços em compasso de espera.

Mato Grosso combina alta produção e pressão financeira

No Mato Grosso, o maior produtor nacional, o setor enfrenta o paradoxo entre volume recorde e margens apertadas. Os preços oscilam conforme a região:

  • Campo Verde: R$ 121,39 (-0,70%)
  • Lucas do Rio Verde e Nova Mutum: R$ 118,77 (+0,70%)
  • Primavera do Leste e Rondonópolis: R$ 121,39 (-0,70%)
  • Sorriso: R$ 118,77 (+0,70%)

Apesar da expectativa de uma colheita robusta, o custo de produção elevado e a retração das cotações internacionais limitam a rentabilidade dos produtores.

Soja opera estável em Chicago, com foco na China e no clima da América do Sul

Na manhã desta quarta-feira (17), os contratos da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram leve alta entre 0,25 e 0,75 ponto, com o vencimento janeiro a US$ 10,63 e o maio a US$ 10,84 por bushel. O farelo subia levemente, enquanto o óleo recuava.

Analistas apontam que o mercado segue lateralizado, oscilando entre US$ 10,40 e US$ 11,00, à espera de novas informações que possam definir uma tendência. O foco dos investidores permanece no clima da América do Sul e na demanda chinesa, sem novidades que impulsionem uma recuperação mais consistente dos preços.

Queda do petróleo pressiona mercado internacional

Na terça-feira (16), os contratos futuros da soja encerraram em queda, atingindo o menor nível em sete semanas na CBOT. A retração foi impulsionada pelo fraco desempenho do petróleo, aliado à expectativa de safra abundante no Brasil e à demanda moderada da China.

Leia mais:  Leite: Preços ao produtor acumulam queda de quase 26% em 2025 com pressão de estoques e juros altos

O WTI para janeiro caiu 2,51%, cotado a US$ 55,39 por barril, enquanto o Brent para fevereiro recuou 2,52%, a US$ 59,03. Segundo John Evans, analista da PVM Oil Associates, a tendência é de continuidade na queda dos preços até o início de 2026, diante de previsões de excesso de oferta global.

Cenário internacional segue volátil

Além da influência do petróleo, o mercado acompanha outros fatores:

  • Atrasos na definição das metas de biocombustíveis pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), agora esperadas apenas para o primeiro trimestre de 2026;
  • Paralisações trabalhistas na Argentina, lideradas pela FTCIODyARA e criticadas pela CIARA;
  • Leilões de soja importada pela Sinograin, estatal chinesa, que vendeu 323 mil toneladas (62,9%) do volume ofertado e prepara nova operação para 19 de dezembro.

Com isso, os contratos de soja em grão para janeiro fecharam em US$ 10,23 ¾ por bushel (-0,83%), enquanto o farelo caiu para US$ 302,40/t (-0,36%) e o óleo recuou 2,26%, a 48,36 centavos de dólar por libra-peso.

Expectativas para o fim do ano

O mercado global da soja caminha para encerrar o ano em um cenário de volatilidade e cautela. No Brasil, a atenção segue voltada ao comportamento climático no Sul, às condições das lavouras e ao ritmo das negociações internas. Já no exterior, a combinação entre oferta elevada, petróleo em queda e incertezas econômicas deve manter o mercado sob pressão nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

Publicado

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

Leia mais:  Leite: Preços ao produtor acumulam queda de quase 26% em 2025 com pressão de estoques e juros altos

O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

Leia mais:  Fertilizantes em alta: conflito geopolítico pressiona custos e preocupa agronegócio brasileiro

A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana