Uma noite memorável. Assim foi descrita a sessão especial para homenagear integrantes da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB/Mato Grosso), realizada nesta sexta-feira (11), no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour. A solenidade foi requerida pelo deputado Carlos Avallone (PSDB), que participou por videoconferência, e presidida pela deputada Janaina Riva (MDB).
A iniciativa reforça o reconhecimento do Parlamento à entidade que promove a literatura, a cultura e o protagonismo feminino em Mato Grosso. Fundada em 1970, a AJEB é uma entidade nacional sem fins lucrativos voltada à valorização da literatura e da cultura brasileira e lusófona. Está presente em 20 estados e no Distrito Federal e reúne escritoras e jornalistas.
Em Mato Grosso, a AJEB foi criada em 2023, conta com integrantes de diversos municípios e tem sede em Sinop. A deputada Janaina destacou que o evento reuniu mulheres brilhantes que se conectam por meio do jornalismo e da escrita, com a missão de promover uma comunicação responsável e qualificada.
“A Assembleia, por meio da Procuradoria da Mulher, destaca a importância desse movimento, liderado pela AJEB, que já reúne diversas mulheres comprometidas em levar boa informação e estimular a leitura, incluindo jovens talentos. O Parlamento enaltece o trabalho da associação e reforça a intenção de firmar parcerias para valorizar a boa comunicação em tempos de desinformação e redes sociais. É um orgulho receber tantas mulheres qualificadas, escritoras e jornalistas que pensam no futuro com muito intelecto, priorizando a educação e a comunicação responsável. Queremos ser parceiros dessa missão, ajudando a reconstruir a paixão pela leitura e pela informação verdadeira”, disse a parlamentar.
Foto: JLSIQUEIRA/ALMT
A escritora Leni Ziliotto, presidente da AJEB Mato Grosso, agradeceu a acolhida, ao destacar que o propósito é promover a comunicação entre as pessoas.
“Hoje, além de mulheres, homens também podem colaborar como associados honorários ou beneméritos, mas as associadas efetivas, que atuam diretamente, são exclusivamente mulheres, obrigatoriamente escritoras, jornalistas ou ambas”, ressaltou Leni.
A entidade já realizou ações importantes, como a organização do Salão Internacional do Livro e do projeto Talk Comunicação — ambos indo para a quinta edição —, além de eventos literários, palestras e atividades de incentivo à leitura e à boa comunicação.
Para ingressar, as interessadas devem entrar em contato com a seccional estadual, conversar com a presidente e se engajar no movimento.
“Estamos recebendo uma moção de aplausos do deputado Avallone pelo trabalho já realizado em tão pouco tempo aqui em Mato Grosso, o que muito nos honra. Aproveitamos para trazer uma palestra sobre saúde mental. É uma noite muito especial, memorável”, ressaltou Leni. Na ocasião, a AJEB deu posse à nova associada, a professora e escritora Jacy Proença.
Saúde Mental – A jornalista e assistente social Paula Caminha ministrou a palestra Comunicação e Saúde Mental, alertando sobre a importância de desbloquear a comunicação, especialmente entre profissionais que enfrentam dificuldades para se expressar.
Ela destacou que problemas de comunicação estão associados ao aumento de doenças físicas e emocionais, como depressão, ansiedade, doenças cardíacas e até risco de suicídio, agravados pelo uso excessivo de telas e pela falta de interação humana. Comentou também a recente proibição do uso de celulares em salas de aula, defendendo a medida como positiva por estimular a socialização entre os jovens.
“Vivemos tempos em que estamos presentes, mas não estamos. A falta de comunicação, de olhar e de interação aumenta os transtornos emocionais. A proibição do celular obriga os jovens a se comunicarem e isso é fundamental para a saúde mental”, afirmou Paula.
A escritora Gilvani Kuyven, professora de português e espanhol, contou que sempre gostou de ler e escrever — criando desde pequenas peças de teatro e paródias a textos escolares —, mas nunca havia publicado suas produções. O incentivo para compartilhar seus escritos veio com a entrada na AJEB, que lhe abriu caminhos para publicar e divulgar sua arte. Para ela, a associação vai além da publicação de obras.
“É também um ambiente de apoio mútuo, troca de ideias e reflexão sobre o papel e os desafios da mulher na sociedade”, disse Gilvani. Ela destacou ainda que se inspira na fundadora da seccional em Mato Grosso, Leni Ziliotto, que já tem mais de 26 obras publicadas.
“A associação é uma porta aberta e um caminho lindo para que as mulheres publiquem seus trabalhos, mas principalmente para que se apoiem, discutam ideias e enfrentem juntas os desafios da mulher na atualidade”, concluiu.
O deputado Avallone parabenizou as homenageadas e reforçou a importância do empoderamento feminino e do combate à violência doméstica. “Vamos continuar a luta em defesa dos direitos da mulher”, declarou.
Confira a lista dos homenageados:
1.Leni Chiarello Ziliotto – escritora
Associada efetiva
2. Adriana Tavares de Souza – Escritora
3. Aline Maria de Jesus – Escritora
4. Anaide Ceccon Griebler – Escritora
5. Andrômeda Surak Doge- Escritora
6. Carla Andreia Oliveira Meller – Escritora
7. Carla Braganholo Martins – Jornalista
8. Camila Rita Galvão Ferreira – Jornalista e Escritora
9. Carmen Lucia de Oliveira Melo – Escritora
10. Claudia Miranda da Silva Moura Franco – Escritora
11. Cristiane Maria de Oliveira Henriques – Jornalista e Escritora
12. Daniela Melhorança Bicalho Tomasella – Jornalista e Escritora
Democracia é o regime político em que o poder é exercido pelo povo. No Brasil, a democracia representativa garante a participação dos cidadãos na vida política do país, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios por meio das eleições. Nesse modelo, os representantes eleitos tomam decisões e criam leis em nome da população. Assim, a soberania do povo é exercida pelo direito de escolher quem governa ou faz as leis.
A administração pública brasileira, separada nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, é distribuída nos níveis federal, estadual e municipal. O Legislativo, por exemplo, é formado por deputados federais e senadores, que atuam no Congresso Nacional; por deputados estaduais, que compõem as assembleias legislativas; e por vereadores, nas câmaras municipais. Há ainda os deputados distritais, que representam o povo do Distrito Federal.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) é composta atualmente por 24 deputados estaduais. Esse número corresponde a três vezes a quantidade de deputados federais que representam o estado na Câmara dos Deputados. São eles os representantes dos 142 municípios mato-grossenses no Poder Legislativo estadual, onde têm como principais funções legislar e fiscalizar os atos do governo durante um mandato de quatro anos.
Votar e poder ser votado são direitos fundamentais em uma democracia, mas a participação do cidadão na política não termina depois das eleições. A sociedade também tem o direito de acompanhar o trabalho de quem foi eleito, conhecer as decisões tomadas e cobrar ações. Para isso, é importante entender o que cada agente político pode e deve fazer.
Competências de cada esfera legislativa – O secretário parlamentar da Mesa Diretora da ALMT, Eduardo Moreira Lustosa, explica que a Constituição Federal define o que é competência municipal e o que é competência federal, sendo que a estadual é residual: o que não é da competência do vereador nem do deputado federal é do deputado estadual.
“O vereador, com atuação municipal, vai discutir assuntos de interesse local. O estadual vai discutir assuntos de seu estado. E o federal vai defender interesses de sua federação, mas também discutir assuntos nacionais”, detalha.
Legislar e fiscalizar são as mais importantes funções de um deputado estadual, mas não as únicas. Entre as principais atribuições, de acordo com Lustosa, estão discutir e aprovar leis, elaborar e analisar pareceres nas comissões, debater políticas públicas e fiscalizar os atos do governador. O trabalho parlamentar ainda inclui participação em audiências públicas, câmaras temáticas e frentes parlamentares, que envolvem tanto a população em geral quanto especialistas na discussão de assuntos relevantes para a sociedade.
“A principal atribuição de um deputado estadual, a sua missão, é representar o povo. O deputado, uma vez eleito e empossado, não representa os eleitores dele, representa toda a população do estado de Mato Grosso, todas as pessoas que moram e vivem aqui”, diz o secretário.
“É um erro achar que os deputados só defendem os interesses dos eleitores deles. O voto é secreto justamente para defender o eleitor de influências, de pressão. O eleitor é livre para votar em quem quiser. A partir do momento em que acaba a eleição e que o tribunal eleitoral valida e dá posse, os deputados representam todos os cidadãos”, reforça.
Os limites da atuação parlamentar – Devido à repartição de funções definidas pela Constituição, existem atividades, porém, que não podem ser exercidas diretamente pelo deputado estadual. Há ações que podem ser de responsabilidade do Poder Executivo (governador ou prefeito), como a execução de obras públicas, ou de vereadores, deputados federais e senadores.
“A base territorial dele [deputado estadual] é só o estado. Se for de um estado vizinho, por exemplo, mesmo sendo às vezes só uma ponte que separe, já não é atribuição. Da mesma forma, tem problemas locais que são atribuições do Poder Legislativo municipal, dos vereadores, ou do prefeito”, afirma Lustosa.
Conhecendo as funções de um deputado estadual e até onde ele pode atuar, cabe ao cidadão o papel de acompanhar cada representante. “Muitos deputados estão vindo agora à reeleição, então é uma oportunidade de avaliar a atuação do candidato. Saber como o deputado se posicionou pode definir a continuidade do apoio. O eleitor tem à disposição, no site da ALMT, a produção legislativa de cada deputado e pode verificar se ela foi relevante, não apenas em quantidade”, conclui o secretário.
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