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Alta de insumos ameaça levar custo da soja ao maior patamar em 10 anos

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O produtor brasileiro de soja deve enfrentar na safra 2026/27 um dos ambientes de custo mais pressionados dos últimos anos. Projeções de consultorias e empresas do setor indicam que o custo médio nacional da cultura poderá ultrapassar 50 sacas por hectare pela primeira vez na década, ampliando a pressão sobre margens em um momento de preços internacionais ainda enfraquecidos pela elevada oferta global.

Os cálculos preliminares apontam para uma escalada relevante na chamada relação de troca — indicador que mede quantas sacas de soja são necessárias para custear a produção da lavoura. A estimativa é de que o custo médio nacional salte de cerca de 46,5 sacas por hectare na temporada 2025/26 para algo próximo de 53 sacas por hectare no próximo ciclo, sem considerar despesas como arrendamento e depreciação de máquinas.

Isso significa que o agricultor poderá precisar desembolsar o equivalente a cerca de seis sacas adicionais por hectare apenas para manter o mesmo nível produtivo da safra anterior. O movimento ocorre em meio à combinação de fertilizantes mais caros, alta nos defensivos agrícolas, avanço do diesel e incertezas geopolíticas envolvendo importantes fornecedores globais de insumos.

Segundo avaliações do mercado, a pressão já aparece nas negociações antecipadas para a próxima temporada. Empresas do setor relatam aumento entre 15% e 20% na relação de troca em comparação com o início do ciclo anterior.

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Os fertilizantes seguem como principal foco de preocupação. Atualmente, eles representam a maior fatia dos custos diretos da lavoura de soja, consumindo, em média, mais de 13 sacas por hectare. Em seguida aparecem os defensivos agrícolas, com cerca de 10 sacas por hectare, além das sementes.

O temor do setor é de uma repetição parcial do cenário observado após a pandemia e durante o auge da guerra entre Rússia e Ucrânia, período marcado por forte disparada nos preços internacionais dos adubos nitrogenados e problemas logísticos globais.

Agora, o novo fator de instabilidade vem do agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em um contexto que mantém o mercado internacional atento ao fornecimento de fertilizantes nitrogenados e à alta do petróleo.

A elevação dos combustíveis também já começa a impactar diretamente o campo. O diesel, insumo fundamental para preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte, acumula aumentos expressivos em algumas regiões do país nas últimas semanas, elevando o custo operacional das propriedades e pressionando ainda mais o frete agrícola.

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Além dos fertilizantes, os defensivos agrícolas aparecem entre os principais vilões da próxima safra. O mercado monitora um movimento de valorização dos produtos fabricados na China, principal fornecedora mundial de moléculas pós-patente utilizadas no Brasil.

Distribuidores relatam reajustes relevantes em fungicidas, inseticidas e herbicidas, impulsionados tanto pela alta do petróleo quanto pelo encarecimento do transporte marítimo internacional. Em alguns casos, o aumento acumulado pode chegar a 20% ou 25% no desembarque no Brasil.

O avanço dos custos reacende um velho dilema no campo: reduzir investimentos para preservar caixa ou manter o pacote tecnológico e proteger produtividade.

Na avaliação de analistas, muitos produtores podem optar por diminuir adubação em determinadas áreas para tentar conter despesas. O problema é que essa estratégia costuma trazer impacto direto sobre rendimento das lavouras, especialmente em regiões de menor fertilidade natural.

A situação preocupa porque ocorre em um ambiente de preços internacionais ainda sem reação consistente. Apesar das tensões geopolíticas e da alta do petróleo, a soja segue pressionada pelos elevados estoques globais, especialmente no Brasil, Estados Unidos e Argentina.

Fonte: Pensar Agro

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Pesquisa identifica novos genótipos de pastagens e abre caminho para maior produtividade na pecuária brasileira

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Avanço científico amplia potencial produtivo das pastagens

Um estudo desenvolvido ao longo de quase 15 anos identificou genótipos promissores para o desenvolvimento de novas cultivares de pastagens tropicais, trazendo perspectivas relevantes para o aumento da produtividade da pecuária brasileira.

A pesquisa, conduzida pela engenheira agrônoma Estela Gonçalves Danelon, demonstra que o ganho em variabilidade genética pode resultar em maior produção de forragem, aumento na oferta de carne e melhor desempenho econômico das propriedades rurais.

Mutagênese se mostra eficiente no melhoramento genético

De acordo com a pesquisadora, a técnica de multigênese — com destaque para a mutagênese induzida — se mostrou eficaz para superar limitações reprodutivas comuns em forrageiras tropicais.

“Os genótipos identificados apresentam elevado potencial para o desenvolvimento de novas cultivares, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade da pecuária nacional baseada em pastagens”, afirma.

O orientador do estudo, Dr. Nelson Barbosa Machado Neto, ressalta que os resultados obtidos ao longo dos anos validam a estratégia utilizada.

“Conseguimos não apenas desenvolver novos materiais, inclusive em espécies ainda pouco exploradas, como também avançar na indução de sexualidade nas plantas, o que facilita significativamente os programas de melhoramento genético”, explica.

Novas cultivares podem revolucionar o manejo no campo

Um dos principais avanços do estudo foi a identificação de materiais com reprodução sexual — característica rara em forrageiras tropicais.

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Essa condição permite cruzamentos controlados e o desenvolvimento de novas cultivares com características superiores.

“Isso amplia a variabilidade genética disponível, algo que antes era um grande limitador. Para o produtor, significa maior produtividade de forragem, mais carne por hectare e melhor rentabilidade”, destaca o pesquisador.

Forrageiras tropicais são base da pecuária nacional

O estudo reforça que a pecuária brasileira é majoritariamente baseada em sistemas a pasto, nos quais as forrageiras tropicais desempenham papel central na nutrição animal.

Espécies do gênero Urochloa — como braquiárias amplamente utilizadas — se destacam pela adaptação a solos ácidos, baixa fertilidade e condições de estresse hídrico.

No entanto, o melhoramento dessas gramíneas enfrenta desafios importantes, como:

  • Apomixia (reprodução assexuada predominante)
  • Poliploidia
  • Baixa recombinação genética

Esses fatores limitam a evolução genética e dificultam a obtenção de novas variedades mais produtivas.

Metodologia combina mutação induzida e análise molecular

Para superar essas barreiras, a pesquisa utilizou indução de mutações por agente químico (metilmetanosulfonato), associada à caracterização morfológica, fisiológica e molecular dos materiais.

Foram avaliados mutantes derivados de cultivares como Tully, Llanero e Conda, incluindo espécies como Urochloa humidicola e Urochloa brizantha.

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Os resultados mostraram ampla variabilidade genética, com diferenças relevantes em características agronômicas como:

  • Hábito de crescimento
  • Morfologia foliar
  • Capacidade de perfilhamento
  • Tolerância ao pisoteio
  • Resistência ao déficit hídrico

Materiais promissores apresentam alta adaptabilidade e produtividade

Entre os destaques:

  • Mutantes da cultivar Tully apresentaram grande plasticidade, com diferentes padrões de crescimento
  • Linhagens derivadas de Llanero mostraram alta capacidade de rebrota e resistência ao pisoteio
  • Genótipos de Conda indicaram elevado potencial produtivo e tolerância à seca

A análise molecular também identificou polimorfismos significativos, evidenciando variações genéticas importantes entre os materiais avaliados.

Inovação fortalece sustentabilidade da pecuária

Os resultados confirmam que a mutagênese é uma ferramenta eficiente para ampliar a base genética de forrageiras tropicais, historicamente limitada.

A pesquisa reforça o papel da ciência no avanço da pecuária brasileira, especialmente em um cenário que exige maior eficiência produtiva e sustentabilidade.

Com novas cultivares mais adaptadas e produtivas, o setor tende a ganhar competitividade, reduzindo custos e aumentando a produção de proteína animal em sistemas a pasto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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