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Alta oferta global mantém pressão sobre os preços do algodão no Brasil e no exterior, aponta Itaú BBA

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O mercado do algodão encerrou novembro com a sexta queda mensal consecutiva na Bolsa de Nova York (ICE), segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A desvalorização foi de 1% no mês, com o contrato da pluma cotado a US¢ 63 por libra-peso. Nos primeiros dias de dezembro, o movimento de baixa continuou, com nova redução de 1%, para US¢ 62,5/lb.

De acordo com o Itaú BBA, o mercado global segue pressionado pela elevada oferta de algodão — com boas safras na China, Brasil e Estados Unidos —, o que tem mantido os estoques mundiais em alta e limitado qualquer expectativa de recuperação expressiva nos preços ao longo da safra 2025/26.

Preços internos seguem tendência de queda, mas mostram estabilidade em dezembro

No Brasil, os preços do algodão também recuaram em novembro, influenciados pela pressão externa e pela redução dos prêmios de exportação. Em Rondonópolis (MT), a cotação caiu 3,1%, para R$ 3,24/lb, refletindo o impacto da oferta interna elevada.

Nos primeiros dez dias de dezembro, o mercado apresentou estabilidade, com leve melhora nas condições de negociação e sinais de acomodação das cotações. O caroço de algodão, por sua vez, teve pequena recuperação, subindo para R$ 945 por tonelada — valor inferior à média dos últimos cinco anos (R$ 1.065/t), mas superior ao registrado em novembro de 2024.

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Segundo o relatório, o fim do beneficiamento reduziu a pressão de oferta, enquanto a demanda segue enfraquecida pelo período de final de ano. A expectativa é de manutenção da estabilidade no curto prazo, embora possa haver pressão negativa adicional com o avanço da safra de verão e a queda dos preços do farelo de soja no início de 2026.

USDA eleva estoques e reforça cenário de superávit global

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou suas projeções para o mercado de algodão, apontando aumento na produção americana e redução no consumo, o que resultou em maiores estoques finais.

A produção dos EUA foi ajustada para 1 milhão de toneladas, enquanto o consumo doméstico foi reduzido. No cenário global, o consumo caiu para 25,8 milhões de toneladas, ficando abaixo da oferta mundial, estimada em 26,1 milhões de toneladas. Essa diferença mantém o superávit global de aproximadamente 258 mil toneladas, com estoques finais de 16,5 milhões de toneladas, acima das 16,2 milhões registradas na safra anterior.

Consumo recua e exportações devem atingir novo recorde

Para o Brasil, o USDA manteve a produção estável em 131 milhões de toneladas (equivalente ao volume de pluma e caroço) e reduziu a projeção de consumo interno de 0,8 para 0,7 milhão de toneladas em 2025/26, refletindo o baixo dinamismo do setor têxtil e de vestuário.

Apesar do consumo menor, as exportações devem atingir um novo recorde, superando 3 milhões de toneladas, impulsionadas pela forte competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional. No entanto, o relatório alerta que os altos estoques iniciais e a ampla produção devem resultar em níveis ainda maiores de estoque de passagem para o ciclo 2025/26.

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Área plantada pode encolher diante de margens mais apertadas

As perspectivas para a área plantada de algodão no Brasil em 2025/26 ainda divergem entre analistas, mas há consenso sobre uma possível redução em relação ao ciclo anterior. A queda nas cotações, o aumento dos custos de produção e a redução nas margens de rentabilidade são fatores que podem desestimular o plantio em algumas regiões produtoras.

Cenário global segue limitando recuperação dos preços

O relatório do Itaú BBA destaca que a recuperação dos preços do algodão segue limitada por um conjunto de fatores:

  • Alta oferta global e superávit de produção;
  • Estoques elevados nos principais países produtores;
  • Boa safra na China;
  • Juros altos, que desestimulam a formação de estoques e incentivam compras curtas e escalonadas.

Para o setor têxtil, esse contexto é favorável ao consumo, já que há ampla disponibilidade da fibra e preços competitivos. No entanto, para o produtor, o desafio continua sendo administrar margens estreitas e o excesso de oferta no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de frango indica novos reajustes no curto prazo com oferta ajustada e cenário externo no radar

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Mercado de frango aponta possibilidade de novos reajustes no curto prazo

O mercado brasileiro de frango apresentou preços estáveis no atacado e comportamento misto no frango vivo ao longo da semana. Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente de negócios indica possibilidade de novos reajustes no curto prazo.

Apesar disso, o setor ainda opera com cautela, diante de incertezas no cenário externo e da necessidade de ajuste na oferta.

Redução no alojamento de pintainhos é estratégia para equilíbrio da oferta

De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, a redução no alojamento de pintainhos de corte segue como medida fundamental para o equilíbrio do mercado, especialmente em um momento de instabilidade.

O setor enfrenta riscos em duas frentes principais:

  • Conflitos no Oriente Médio, que podem impactar custos logísticos
  • Casos de Influenza Aviária em granjas comerciais no Chile e na Argentina, além de registros em animais selvagens no Rio Grande do Sul

Esse cenário exige cautela dos produtores e reforça a importância do controle da oferta.

Atacado mantém preços firmes com expectativa de valorização

No mercado atacadista, os preços se mantiveram firmes ao longo da semana, com perspectiva de novos reajustes nos próximos dias.

Segundo o analista, o ambiente atual indica maior equilíbrio entre oferta e demanda, com expectativa de retração no alojamento nos meses seguintes, o que pode sustentar os preços.

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Preços do frango no atacado seguem estáveis em São Paulo

Levantamento de Safras & Mercado aponta estabilidade nas cotações dos principais cortes de frango no atacado paulista.

  • Cortes congelados
    • Peito: R$ 8,60/kg (atacado) e R$ 8,90/kg (distribuição)
    • Coxa: R$ 6,30/kg (atacado) e R$ 6,50/kg (distribuição)
    • Asa: R$ 10,50/kg (atacado e distribuição)
  • Cortes resfriados
    • Peito: R$ 8,70/kg (atacado) e R$ 9,00/kg (distribuição)
    • Coxa: R$ 6,40/kg (atacado e distribuição)
    • Asa: R$ 10,40/kg (atacado) e R$ 10,60/kg (distribuição)
Frango vivo apresenta variações regionais nos preços

O mercado do frango vivo apresentou variações conforme a região:

  • São Paulo: R$ 4,50/kg (estável)
  • Rio Grande do Sul (integração): R$ 4,65/kg (estável)
  • Santa Catarina (integração): R$ 4,65/kg (estável)
  • Oeste do Paraná: R$ 4,60/kg (estável)

Houve altas em algumas regiões:

  • Mato Grosso do Sul: de R$ 4,35 para R$ 4,40/kg
  • Goiás: de R$ 4,40 para R$ 4,45/kg
  • Minas Gerais: de R$ 4,45 para R$ 4,50/kg
  • Distrito Federal: de R$ 4,40 para R$ 4,45/kg

Já em outras localidades, os preços permaneceram estáveis:

  • Ceará: R$ 6,20/kg
  • Pernambuco: R$ 5,50/kg
  • Pará: R$ 6,40/kg
Exportações de carne de frango crescem em abril

As exportações brasileiras de carne de aves e miúdos comestíveis seguem em alta no mês de abril.

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Até o momento (7 dias úteis), o país registrou:

  • Receita de US$ 340,615 milhões
  • Volume exportado de 183,691 mil toneladas
  • Média diária de 26,241 mil toneladas
  • Preço médio de US$ 1.854,30 por tonelada

Na comparação com abril de 2025, os dados indicam:

  • Alta de 20,4% no valor médio diário
  • Crescimento de 19,2% no volume médio diário
  • Valorização de 1,1% no preço médio

Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Cenário externo e sanitário segue no radar do setor

Além do equilíbrio entre oferta e demanda, fatores externos continuam influenciando o mercado. A Influenza Aviária exige monitoramento constante, enquanto o conflito no Oriente Médio eleva os custos operacionais, embora ainda sem impacto significativo nos volumes exportados.

Perspectiva para o mercado de frango é de ajustes e cautela

O mercado de frango caminha para um cenário de maior equilíbrio, com possibilidade de reajustes positivos no curto prazo, desde que a oferta siga controlada.

A combinação entre gestão de produção, demanda interna e cenário externo será determinante para o comportamento dos preços ao longo das próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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