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Antidumping sobre polietileno preocupa setor de proteína animal e pode elevar preço dos alimentos no Brasil

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A cadeia brasileira de proteína animal acendeu um alerta diante da possível revisão da medida antidumping aplicada ao polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá. Segundo entidades do setor, a proposta de aumento da tarifa poderá pressionar ainda mais os custos das embalagens utilizadas em produtos congelados e processados, ampliando os riscos de inflação dos alimentos e redução da competitividade das exportações brasileiras.

O posicionamento foi divulgado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em conjunto com associações estaduais da avicultura, suinocultura e indústrias de carnes.

Custos das embalagens já acumulam forte alta

De acordo com o setor produtivo, as resinas utilizadas na fabricação de embalagens técnicas já registram aumento próximo de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.

As embalagens são consideradas estratégicas para a cadeia de proteína animal, especialmente em produtos congelados e processados, por garantirem segurança sanitária, maior shelf life, resistência a baixas temperaturas e eficiência logística nas exportações.

O cenário preocupa ainda mais diante da proposta de revisão da medida antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá. Atualmente, a tarifa estaria em torno de US$ 200 por tonelada, mas a proposta em análise prevê elevação para aproximadamente US$ 735 por tonelada.

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Segundo estimativas do setor, a mudança poderá gerar impacto adicional de cerca de 25% sobre os custos das resinas utilizadas pela indústria de embalagens.

Pressão pode elevar preços dos alimentos em até 10%

As entidades afirmam que, além da pressão internacional provocada pela guerra no Oriente Médio, a revisão antidumping poderá provocar aumento adicional de 16% a 22% nos custos das embalagens, dependendo da tecnologia empregada.

Com isso, o repasse ao consumidor tende a crescer. O setor calcula que o impacto total sobre os preços dos alimentos, que já supera 5% devido ao cenário internacional, poderá se aproximar de 10% caso as novas medidas avancem.

Dependência externa amplia preocupação

Outro ponto destacado pelas entidades é a elevada dependência brasileira da importação de resinas. Aproximadamente 50% das resinas importadas pelo Brasil no último ano tiveram origem nos Estados Unidos e Canadá, justamente os países afetados pelas medidas antidumping.

Ao mesmo tempo, outros importantes fornecedores globais, como Oriente Médio, Ásia e Egito, enfrentam restrições de oferta em razão das tensões geopolíticas internacionais.

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O setor também ressalta que os Estados Unidos figuram atualmente entre as poucas fontes globais com disponibilidade de resinas base metaloceno e octenos, matérias-primas consideradas fundamentais para embalagens destinadas à cadeia de frio e produtos submetidos a baixas temperaturas.

Setor pede medidas emergenciais ao governo

Diante do cenário, a ABPA e as entidades signatárias defendem a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos sobre a cadeia produtiva.

Entre as propostas apresentadas está a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução das alíquotas incidentes sobre a importação de insumos estratégicos para embalagens.

Segundo o setor, a medida ajudaria a preservar o abastecimento da indústria, garantir a competitividade das exportações brasileiras e evitar novas pressões inflacionárias sobre os alimentos consumidos pela população.

Entidades que assinam o posicionamento

Além da ABPA, o documento conta com apoio de entidades representativas da avicultura, suinocultura e indústria de carnes de diversos estados brasileiros, incluindo associações e sindicatos ligados à produção de proteína animal e ovos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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