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Artigo da Corregedoria de Mato Grosso sobre registro civil é publicado pelo CNJ

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O artigo “Promovendo a inclusão: a experiência do Registre-se em Mato Grosso” foi publicado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e divulgado quarta-feira (21). Assinado pelo corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador Juvenal Pereira da Silva, e pelo juiz auxiliar da CGJ-TJMT, Eduardo Calmon de Almeida Cezar, coordenador da Semana Nacional do Registro Civil – “Registre-se!”, o texto descreve a experiência do Poder Judiciário do Estado na realização da primeira edição do programa.
 
A campanha nacional tem o objetivo de erradicar o sub-registro civil e ampliar o acesso à documentação básica para pessoas em situação de vulnerabilidade. Em Mato Grosso os atendimentos da população de rua e de egressos do Sistema Prisional foram realizados em maio de 2023, na Capital. O artigo da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-TJMT) detalha a forma colaborativa como a Semana foi organizada no estado, os desafios enfrentados conforme a realidade local, e os resultados alcançados.
 
“É gratificante ver o excelente trabalho realizado pelo colega Calmon e pelos parceiros. Foram ao menos 13 entidades envolvidas. É um ato de cidadania que alcança as comunidades mais distantes, retirando os mato-grossenses da invisibilidade e garantindo acesso a direitos básicos, como educação, saúde, moradia e políticas públicas de geração de emprego e renda”, afirmou o corregedor.
 
Em um trecho da publicação, os autores destacam que a escolha do público-alvo em Mato Grosso ocorreu de forma democrática, com a participação ativa dos parceiros, considerando as necessidades do sistema prisional, tanto para egressos do regime fechado quanto do semiaberto, além da população em situação de rua.
 
“Esses grupos dependem dessas ações para a regularização de sua documentação básica e acesso a direitos. Foi de forma colaborativa que construímos o ‘Registre-se’ em Mato Grosso, e, portanto, o reconhecimento do Programa é fruto do trabalho de todos que contribuíram durante as reuniões, com sugestões, disponibilizando profissionais e até estrutura física para que pudéssemos atender milhares de pessoas beneficiadas pela Semana”, destacou Calmon.
 
O texto também evidencia o papel central do Poder Judiciário nesta iniciativa, orientando os ofícios de registro civil no estado para garantir não apenas a eficiência na prestação de serviços extrajudiciais, mas também o acesso facilitado ao registro civil para os mais vulneráveis.
 
“Em última análise, o verdadeiro sucesso da Semana ‘Registre-se’ será medido pela transformação positiva na vida das pessoas, pelo reconhecimento pleno de sua identidade e direitos, e pela construção de uma sociedade onde cada indivíduo seja valorizado e respeitado em sua plenitude”, concluem os autores.
 
Compartilhando Experiências – Além do artigo da corregedoria mato-grossense, a obra reúne resumos de textos elaborados pelas demais Corregedorias dos Tribunais de Justiça estaduais sobre a importância do “Registre-se”, trazendo a experiência de cada Unidade da Federação na primeira edição da Semana Nacional “Registre-se!”, realizada em 2023. São apresentados dados sobre os resultados alcançados e relatos de pessoas beneficiadas pela iniciativa.
 
Para o Corregedor Nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, a obra serve como orientação e apoio para futuras edições do programa. “Esperamos que este material inspire a sociedade brasileira em torno dessa iniciativa, ajudando a construir um país no qual todos os cidadãos tenham acesso à documentação civil básica e, assim, possam exercer plenamente seus direitos”, afirmou.
 
Sub-registro no Brasil – Segundo dados divulgados pelo CNJ, o sub-registro civil é um problema histórico e estrutural que afeta cerca de três milhões de brasileiros, especialmente as populações mais vulneráveis. Essa realidade impede o pleno exercício da cidadania, limita o acesso a direitos básicos e perpetua desigualdades sociais.
 
Foi nesse contexto que surgiu o Programa de Enfrentamento ao Sub-Registro Civil e de Ampliação do Acesso à Documentação Básica para Pessoas Vulneráveis, por meio do Provimento n. 140, de 22 de fevereiro de 2023, do CNJ. O documento institui, ainda, a Semana Nacional do Registro Civil – “Registre-se”, a ser realizada anualmente, no mês de maio.
 
“Neste período, concentramos esforços e realizamos eventos voltados à identificação de uma parcela da população em situação de vulnerabilidade. No ano passado, atendemos egressos, pessoas em situação de rua e imigrantes. E agora, em 2024, abrangemos a população indígena. Fomos até a Aldeia Pakuera, da Etnia Bakairi, localizada no município de Paranatinga, a cerca de 400 quilômetros da capital, e lá atendemos aqueles que necessitavam”, explicou Calmon.
 
Durante o “Registre-se”, os interessados puderam emitir a segunda via da certidão de nascimento e de casamento, bem como a carteira de identidade, CPF, título de eleitor, ou ainda incluir ou atualizar o cadastro junto ao Poder Executivo. Também foi possível obter informações sobre benefícios sociais e previdenciários.
 
Números – No Brasil, durante a primeira edição da Semana Nacional “Registre-se!”, realizada entre 8 e 12 de maio de 2023 em todas as Unidades da Federação, foram registrados mais de 100 mil atendimentos e emitidas, gratuitamente, 14 mil certidões de nascimento e de casamento, segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais – Arpen Brasil.
 
Em Mato Grosso, foram realizados mais de 1,4 mil atendimentos, entre público-alvo e demanda espontânea. Desses, 755 foram emissões de certidões de registro civil e 404 solicitações de carteira de identidade nacional.
“Isso só foi possível graças à união de esforços entre a União, Estado, municípios e outras entidades públicas, além das organizações da sociedade civil, iniciativa privada e comunidade, visando à identificação civil da população vulnerável”, finalizou Calmon.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, discursa durante encerramento do Registre-se em 2023. Ele está em pé, em frente a um púlpito, e fala ao microfone. Está vestindo um treno azul escuro, uma camisa branca e uma gravata vermelha. Ao fundo, um telão mostra a logo do Registre. Foto 2: O juiz auxiliar da CGJ-TJMT, Eduardo Calmon, posa ao lado do cartaz da 1ª edição da Semana. Ele sorri para a foto e veste uma camiseta branca com a logo do Registre-se. Foto 3: Capa da obra publicada pelo CNJ. Na imagem a frase “Sua história tem nome e sobrenome”, logo abaixo a logo do Semana, e no lado direito a imagem de um indígena sorrindo.
 
Gabriele Schimanoski
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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