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Brasil cresce 38% na produção de vinho em 2025 e se destaca em cenário global

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A produção de vinho no Brasil vai na contramão da estagnação global em 2025 e vive um dos melhores momentos da série recente. Segundo as primeiras estimativas da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o país deve produzir cerca de 2,9 milhões de hectolitros neste ano, alta de 38% em relação a 2024 e cerca de 15% acima da média dos últimos cinco anos. Embora ainda seja um ator médio no cenário mundial, o Brasil se firma como destaque regional, em um contexto em que a produção global cresce apenas 3% e permanece abaixo da média histórica.

Já a produção mundial de vinho deve alcançar 232 milhões de hectolitros em 2025, uma alta de 3% sobre a safra historicamente baixa de 2024, mas ainda 7% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo a OIV. Itália segue na liderança global, com 47,3 milhões de hectolitros, à frente de França (35,9 milhões) e Espanha (29,4 milhões), enquanto Estados Unidos e Austrália completam o grupo dos cinco maiores produtores, com a Argentina liderando na América do Sul.​

O ponto fora da curva é o Brasil. O salto na safra 2025 está diretamente ligado às condições climáticas mais favoráveis nas principais regiões produtoras, sobretudo na Serra Gaúcha e na Campanha Gaúcha. A combinação de inverno úmido, com boa reposição hídrica, e primavera/verão mais secos e estáveis garantiu melhor desenvolvimento das videiras e aumento de produtividade nas vinícolas brasileiras.​

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O país segue com área cultivada em torno de 31 mil hectares na principal região vitivinícola do Rio Grande do Sul, além da expansão gradual em polos emergentes da Bahia (Vale do São Francisco), Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, onde o foco é tanto vinho quanto uva de mesa e suco.​

Do lado da demanda, o consumo de vinho no mercado interno mantém trajetória de crescimento moderado após o salto observado na pandemia. Só no primeiro trimestre de 2025, o mercado brasileiro movimentou cerca de R$ 3,9 bilhões, com mais de 110 milhões de garrafas comercializadas, e as projeções indicam expansão adicional até 2026. A melhora de renda em alguns segmentos urbanos, o avanço do canal on-line e a diversificação da oferta — do vinho fino ao de mesa, passando por espumantes — sustentam esse movimento.​

Na frente externa, o Brasil ainda é um exportador de nicho, mas com crescimento consistente. Entre 2024 e 2025, as vendas externas de vinhos e espumantes brasileiros avançaram mais de 20% em valor, passando de cerca de US$ 4,5 milhões para US$ 5,4 milhões, com destaque para espumantes, que cresceram quase 30% em faturamento. Os produtos brasileiros hoje chegam a 48 países, apoiados por iniciativas de promoção como o projeto Wines of Brazil, que reúne boa parte das vinícolas exportadoras.​

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Apesar do volume ainda modesto frente a gigantes como Itália, França e Espanha, o desempenho externo mostra que o Brasil começa a ocupar espaço em nichos específicos, sobretudo em espumantes e vinhos tropicais de regiões como o Vale do São Francisco.​

O avanço da produção reforça desafios já conhecidos: custo logístico elevado, carga tributária complexa, forte concorrência de importados (especialmente de Chile, Argentina e Itália) e necessidade contínua de investimento em tecnologia e posicionamento de marca. Especialistas apontam que ganhos de escala, aprimoramento de práticas enológicas e ações coordenadas de promoção externa são fundamentais para transformar o bom momento de safra em ganho estrutural de competitividade.​

Enquanto o mundo lida com estoques pressionados e consumo mais fraco em mercados tradicionais, o Brasil aproveita uma safra cheia e um mercado interno em expansão para consolidar a vitivinicultura como mais um braço do agronegócio nacional — ainda pequeno em tamanho, mas com espaço para crescer em qualidade, valor agregado e presença internacional.

Fonte: Pensar Agro

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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