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Brasil defende na ONU aumento da sinergia entre convenções para cumprir metas do Acordo de Paris

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O secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Aloisio Melo, defendeu na última terça-feira (23/9), em Nova York (EUA), um reforço da sinergia entre as cúpulas climáticas globais para que as propostas e decisões nos vários âmbitos possam convergir para os objetivos comuns definidos no Acordo de Paris, em 2015.

Melo, que representou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, no painel Desbloqueando um futuro resiliente: sinergias climáticas e naturais rumo à COP 30, disse que a transversalidade já faz parte da cultura da gestão ambiental brasileira.

“Desde seu primeiro mandato como ministra do Meio Ambiente, há mais de 20 anos, Marina Silva tem insistido que as políticas ambientais são transversais e devem ser elaboradas e implementadas em conjunto por todos os órgãos governamentais e em diálogo constante com a sociedade. Essa visão é nossa realidade, temos vários ministérios trabalhando juntos para construir nosso Plano Clima, a Estratégia Nacional de Biodiversidade e a política de Neutralidade de Degradação da Terra”, afirmou.

O painel, organizado pelas delegações de Colômbia e Alemanha, fez parte da programação oficial da Assembleia Geral da ONU que foi aberta na terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema é uma das preocupações contemporâneas da agenda climática, na medida que os efeitos do aquecimento global se aceleram paralelamente à perda de vigor do multilateralismo. “Não temos tempo nem espaço para abordagens fragmentadas. Precisamos encontrar maneiras de avançar mais rapidamente e de forma mais sinérgica”, justificou Melo.

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O secretário se referia aos esforços globais em torno de temas estratégicos que englobam a cúpula da biodiversidade (UNCDB), a cúpula climática (UNFCCC) e a cúpula sobre desertificação (UNCCD). As três conferências das partes (conhecidas como COPs), criadas a partir da Rio 92, são fundamentais para as ações de mitigação previstas no Acordo de Paris, em áreas como desmatamento, desertificação, combustíveis fósseis e energia limpa e degradação da terra e do oceano. Melo sustentou a necessidade de superar o que chamou de “abordagens tradicionais”, ou seja, a falta de sinergia entre as cúpulas e as soluções propostas nos encontros globais para deter o aquecimento provocado pela emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Segundo Melo, o ponto central do trabalho com sinergias é “maximizar os benefícios entre as convenções”, para promover ações coerentes que se reforcem mutuamente e evitem efeitos colaterais negativos. O secretário afirmou que há um histórico de trabalho conjunto nas três Convenções do Rio que precisa ser continuado. Ele citou iniciativas recentes, como a criação do Programa Conjunto de Capacitação e o Grupo de Ligação Conjunta, que apontam nessa direção. “Podem ser ferramentas fundamentais para uma abordagem sinérgica, que agora é mais importante do que nunca”, completou.

Melo mencionou “elementos centrais” que devem ser incorporados a qualquer esforço relacionado a sinergias. Em primeiro lugar, de acordo com ele, deve ajudar os países a melhorar o planejamento nacional integrado, incluindo mecanismos de coordenação nacional para aumentar a coerência entre os Objetivos de Neutralidade da Degradação da Terra (ODN), os planos para preservação de espécies (PANs) e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

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Em segundo lugar, é fundamental abordar as interligações entre a perda de biodiversidade, as alterações climáticas, a desertificação e a degradação da terra e do oceano de forma prática, com ações de restauração florestal e da bioeconomia. Por fim, segundo Melo, é necessário fortalecer as capacidades dos países para monitorizar e avaliar essas interligações, facilitando a cooperação técnica e científica, a transferência de tecnologia e a capacitação para melhorar o conhecimento e procurar formas de harmonizar e promover a operabilidade entre os sistemas de informação.

“À medida que nos aproximamos da COP30, devemos ter em mente que, para alcançar os objetivos das três Convenções do Rio, precisamos avançar coletivamente na implementação dos resultados do Balanço Global [GST] da COP28, incluindo a eliminação do desmatamento e da degradação florestal e a transição energética para a neutralidade nas emissões, com abandono gradual dos combustíveis fósseis. Não percamos de vista as causas profundas das alterações climáticas”, ressaltou o secretário.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Setor canavieiro do Nordeste alerta para risco de colapso com possível abertura do mercado de etanol aos EUA

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A possível flexibilização das tarifas de importação sobre o etanol norte-americano voltou a gerar preocupação entre representantes do setor sucroenergético brasileiro. A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) avalia que uma eventual abertura do mercado nacional ao etanol de milho produzido nos Estados Unidos poderá provocar impactos severos sobre a cadeia produtiva da cana-de-açúcar no Nordeste.

Segundo o vice-presidente da entidade, Alexandre Andrade Lima, a medida teria potencial para comprometer a viabilidade econômica de usinas, produtores independentes e milhares de empregos ligados ao setor na região.

Feplana vê ameaça à competitividade da produção nordestina

De acordo com o dirigente, a redução ou eliminação das tarifas aplicadas aos países de fora do Mercosul abriria espaço para uma concorrência considerada desigual com o etanol norte-americano, produzido majoritariamente a partir do milho.

Na avaliação da entidade, o setor sucroenergético nordestino já enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à concorrência de combustíveis fósseis e às condições de mercado, fatores que poderiam ser agravados pela entrada de maiores volumes de etanol importado.

A Feplana argumenta que a medida colocaria em risco a sustentabilidade econômica de diversas unidades industriais da região, além de afetar fornecedores de cana e trabalhadores do campo e da indústria.

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Pressão dos Estados Unidos aumenta debate sobre tarifas

O tema ganhou força após a divulgação de relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que defende maior acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro.

Segundo representantes do setor canavieiro, os Estados Unidos alegam que existem barreiras comerciais que dificultam a entrada do biocombustível produzido naquele país. Já a Feplana sustenta que a tarifa aplicada pelo Brasil segue as regras estabelecidas para produtos originários de países fora do Mercosul e não representa uma medida direcionada especificamente aos norte-americanos.

A entidade também destaca que o açúcar brasileiro enfrenta limitações para acessar o mercado dos Estados Unidos, por meio de cotas e mecanismos tarifários adotados pelo país.

Debate envolve subsídios e concorrência internacional

Outro ponto levantado pelo setor produtivo está relacionado aos programas de incentivo existentes nos mercados internacionais.

Segundo Alexandre Andrade Lima, produtores brasileiros enfrentam desafios adicionais decorrentes da política de preços dos combustíveis no mercado interno, enquanto os produtores norte-americanos contam com mecanismos de apoio à produção agrícola, especialmente voltados à cadeia do milho, principal matéria-prima do etanol fabricado nos Estados Unidos.

Na avaliação da Feplana, essa diferença de condições competitivas deve ser considerada em eventuais negociações comerciais envolvendo o biocombustível.

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Governo analisa alternativas para o comércio bilateral

O debate ocorre em meio a estudos conduzidos por órgãos do governo federal sobre possíveis ajustes na política comercial relacionada ao etanol. As discussões envolvem diferentes áreas da administração pública, incluindo comércio exterior, desenvolvimento econômico e política fiscal.

Representantes do setor sucroenergético acompanham as tratativas com atenção e defendem a manutenção de mecanismos que preservem a competitividade da produção nacional.

Cadeia sucroenergética tem papel estratégico na economia regional

O Nordeste concentra importante parcela da produção brasileira de cana-de-açúcar, além de reunir usinas, fornecedores independentes, cooperativas e milhares de trabalhadores ligados direta e indiretamente à atividade.

Para lideranças do setor, qualquer alteração nas condições de acesso ao mercado brasileiro deve considerar os impactos econômicos e sociais sobre a cadeia produtiva regional, que desempenha papel relevante na geração de emprego, renda e desenvolvimento em diversos municípios.

Diante das discussões em curso, entidades representativas reforçam a defesa de políticas que garantam segurança jurídica, previsibilidade e condições equilibradas de concorrência para o setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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