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Brasil inicia agenda da Estratégia de Meios de Implementação do Plano Clima

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou, na última quinta-feira (21/8), o processo que resultará na elaboração da Estratégia Transversal de Meios de Implementação, uma iniciativa para mobilizar recursos e facilitar o financiamento das metas de mitigação e adaptação do Plano Clima.

O objetivo é organizar os meios de implementação disponíveis que podem ser utilizados para viabilizar as metas e ações desenhadas no Plano Clima. O panorama do financiamento climático no Brasil foi detalhado por representantes do MMA e do Ministério da Fazenda, que abordaram a importância da mobilização de financiamento, tanto doméstico quanto internacional, para mitigar as mudanças climáticas e promover a adaptação do país à nova realidade.

De acordo com o secretário nacional de Mudança do Clima do MMA, Aloísio Melo, a estratégia de implementação mapeará o que existe e o que é necessário, em termos de recursos financeiros e outros instrumentos regulatórios, para implementar as ações previstas no Plano Clima, tanto em adaptação quanto em mitigação.

Por isso, o debate sobre financiamento é “central na agenda climática”, destacou Melo. “O Brasil tem a tarefa de deixar muito claro como vai mobilizar os recursos necessários para a nossa ação climática, para os nossos compromissos da NDC que se traduzem no Plano Clima”, disse.

A elaboração da estratégia de implementação passa pelo processo de leitura do cenário atual de financiamento climático no Brasil, identificação dos temas centrais e dos desafios para o financiamento. Por fim, o documento deve apontar quais os instrumentos a serem utilizados em todas as frentes do Plano Clima. “É um trabalho bastante abrangente, mas que nos dá segurança ao fim desse processo. Com isso, teremos uma indicação clara de qual é a agenda de trabalho para que os meios de implementação estejam disponíveis e acessíveis para todos os setores envolvidos no Plano Clima em adaptação e em mitigação”, acrescentou Melo.

A estrutura abrangente da estratégia vai além dos recursos financeiros. Segundo Érico Rocha, Coordenador-Geral de Instrumentos de Implementação do MMA, o Plano Clima adota uma abordagem “holística” dos meios de implementação, incluindo mecanismos de coordenação, alinhamento regulatório e legal, construção de capacidades, pesquisa e desenvolvimento e transferência de tecnologia, entre outros.

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A elaboração da estratégia de implementação será feita em constante diálogo com a sociedade civil e o setor privado, além de fomentar a participação popular com consulta pública ao final do processo, para garantir que as iniciativas estejam em consonância com a realidade de quem será diretamente afetado e beneficiado pelas ações. A expectativa é que esse documento do Plano Clima esteja em consulta pública em novembro deste ano, ainda durante a realização da COP30.

Panorama global

A professora e pesquisadora em finanças sustentáveis da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e consultora do MMA, Annelise Vendramini, apresentou uma visão detalhada do financiamento climático, em que definiu como “todas as fontes de recursos que sejam direcionadas para a mitigação e adaptação no enfrentamento da questão climática”. Segundo dados do Climate Policy Initiative (CPI), cerca de US$ 2 trilhões foram mobilizados globalmente em 2023 para a agenda climática, um montante que vem crescendo significativamente desde 2018.

A professora, no entanto, destacou que a maior parte desses recursos (93%) foi alocada para mitigação, com 75% concentrados em setores “relativamente maduros”, como energias renováveis e transportes, que são vistos como de menor risco para o setor financeiro. Em contrapartida, muito pouco está indo para a adaptação, segundo ela. “Uma lacuna que exige urgência na mobilização de recursos”, pontuou.

Além disso, setores importantes para o Brasil, como agricultura e floresta, recebem uma parcela muito pequena desses fundos. “O menor volume de recursos está nos setores ligados à agricultura e é bom a gente lembrar que são setores fundamentais para nos ajudarem na transição para uma economia de baixo carbono”, ressaltou Vendramini.

A maior parte dos recursos (mais de 60%) provém de fontes privadas. No contexto brasileiro, conforme estudo do CPI, o financiamento internacional para a questão climática foi de aproximadamente R$ 26,6 bilhões anuais entre 2021 e 2022, o que representa menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo 80% destinados à mitigação. Por isso, a realocação de capital para a agenda climática é um desafio complexo, mas essencial. “Quanto mais recursos a gente canalizar para a agenda de redução de emissões e adaptação, mais rapidamente a gente conseguirá fazer a transição que a gente tanto precisa e que essa transição seja justa”, afirmou.

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Vendramini enfatizou que, para além de angariar fundos de instrumentos inovadores, é fundamental usar, de forma inteligente, os recursos já disponíveis. “A gente precisa é trabalhar para que aqueles instrumentos que já existem possam ser cada vez utilizados com maior frequência e maior volume para canalizar recursos para a agenda climática”, destacou.

As fontes desses recursos incluem fundos públicos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), multilaterais e orçamentos domésticos, além de uma vasta gama de instrumentos privados, como títulos de dívida, crédito bancário, fundos de impacto e o próprio fluxo de caixa das empresas.

Novo modelo de desenvolvimento

De acordo com o especialista em políticas e gestão governamental do Ministério da Fazenda, Antônio Cruz Júnior, a pauta climática é vista como uma oportunidade para um novo modelo de desenvolvimento econômico e social no Brasil. “Essa pauta representa um novo modelo de desenvolvimento social para o país, que seja ambientalmente sustentável, socialmente mais justo, que possa ter o desenvolvimento de atividades que sejam compatíveis com a preservação ambiental e, ao mesmo tempo, possa elevar a renda da população para termos uma maior distribuição em atividades mais bem remuneradas e mais bem qualificadas”, avaliou o especialista.

Por isso, o Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, abarca iniciativas como a emissão de títulos soberanos sustentáveis, aportes ao Fundo do Clima, incentivos à sustentabilidade na reforma tributária recém-aprovada, aumento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiamento de tecnologia, entre outros. Saiba mais sobre a iniciativa aqui.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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