Saúde

Brasil promove evento sobre saúde da população negra na Cúpula Mundial de Desenvolvimento Social

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O Brasil organizou, nesta sexta-feira (6), a oficina “Racismo Ambiental e Saúde: Boas Práticas e Soluções Inovadoras na Perspectiva de Fortalecimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” na II Cúpula Mundial de Desenvolvimento Social. A Cúpula aconteceu em Doha, no Qatar, e envolveu representantes de governos, organismos internacionais e sociedade civil. O Ministério da Saúde (MS) brasileiro apresentou as iniciativas do País de prevenção e promoção da saúde na atenção primária e abriu espaço para discutir o cuidado em contextos de emergências climáticas e calamidades públicas, incluindo a gestão de riscos e desastres.

A oficina mostrou a interseção entre saúde, racismo e equidade, com foco em pessoas em situação de vulnerabilidade social, que, no Brasil, são majoritariamente as populações negras, indígenas e periféricas. Também foi destacada a importância de assegurar o direito humano à alimentação adequada e saudável. As discussões tiveram como base marcos como a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, a Política Nacional de Atenção Básica e a Estratégia Antirracista na Saúde .

A coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do MS, Rosimery da Costa Santos, ressaltou que reconhecer o racismo sistêmico como determinante social de saúde é essencial para enfrentar desigualdades históricas. “O quadro de saúde da população negra reflete a construção do racismo. Ele impacta o acesso ao cuidado, contribui para perfis epidemiológicos desiguais, aumenta a morbimortalidade materna, fetal e infantil, na prevalência de doenças crônicas, infecciosas e nos altos índices de violência que afetam a população negra”, destacou.

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Pelo Brasil, a oficina contou com a presença, tanto física como remota, de representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Igualdade Racial, da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento da Presidência da República, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, do Instituto Ibirapitanga e do Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Iniciativas brasileiras

Durante o encontro, o Brasil apresentou ações de impacto desenvolvidas de forma transversal pelo Ministério da Saúde que demonstram o compromisso político com a promoção da equidade étnico-racial. Conheça algumas delas:

  • Primeira Infância Antirracista (PIA) – parceria interministérial com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a estratégia é voltada para garantir que o cuidado, a educação e o desenvolvimento das crianças negras, indígenas e de outras minorias étnico-raciais sejam livres do racismo e da discriminação desde os primeiros anos de vida.
  • Plano Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais – Desenvolvido de forma interministerial, com previsão de lançamento na COP-30,  tem o intuito de promover o desenvolvimento sustentável e a valorização dos modos de vida, territórios e direitos dos povos e comunidades tradicionais.
  • Programa AgPopSUS – Formação de educadoras e educadores populares para fomentar a participação social, o protagonismo comunitário e as práticas de educação popular em saúde nos territórios.
  • Rede Alyne – atualização da Rede Cegonha que visa qualificar o atendimento materno-infantil no SUS. Seu objetivo principal é reduzir a mortalidade materna e infantil, com foco especial em diminuir as desigualdades raciais e regionais no acesso à saúde, por meio de ações que garantem cuidado integral desde o planejamento reprodutivo até a atenção à criança.
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As iniciativas dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – especialmente o ODS 18. Instituído em 2024, o ODS 18 é uma criação voluntária brasileira que foca na promoção da igualdade étnico-racial como norte para o desenvolvimento sustentável no País.

Sobre a II Cúpula Mundial de Desenvolvimento Social

Convocada pela Assembleia Geral da ONU, a II Cúpula Mundial de Desenvolvimento Social renova o compromisso global com a Declaração de Copenhague e impulsiona a Agenda 2030 frente aos desafios contemporâneos, como mudanças climáticas e transformações demográficas e tecnológicas. Entre os dias 3 e 6 de novembro, o espaço reuniu governos, sociedade civil, academia e organismos internacionais para fortalecer políticas de desenvolvimento social.

Thaís Ellen S. Rodrigues
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde detalha processo de transição de insulina glargina para secretários municipais

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O processo de nacionalização da insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS) foi destacado pelo Ministério da Saúde(MS) nesta segunda-feira (13/7), durante o 39º Congresso Nacional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), na capital gaúcha. O tema foi apresentado no seminário que abordou estratégias para organizar fluxos assistenciais, logística, dispensação e acompanhamento clínico a partir da perspectiva da regionalização da saúde pública.

Inicialmente, a nacionalização da glargina atenderá crianças e adolescentes de 2 a menores de 18 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com os tipos 1 e 2, explicou a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do (MS), Fernanda De Negri. “A gente começou separando por faixa etária justamente para poder fazer essa migração gradual. À medida que todos esses pacientes tiverem acesso à glargina, a gente ampliará o público-alvo”, informou.

A secretária ressaltou que a inclusão do medicamento foi necessária para mitigar o cenário de desabastecimento global da insulina NPH por parte dos fabricantes, já que a NPH ainda representa 90% da insulina utilizada no SUS.

Nesse cenário, o acesso à glargina em escala foi viabilizado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), instrumento do Ministério da Saúde que aproxima instituições públicas e empresas privadas para fomentar a produção pública nacional de tecnologias consideradas estratégicas para o SUS.

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“Essa janela de oportunidade da PDP veio justamente no momento em que nos possibilitou ter mais segurança para fazer essa migração de forma previsível e gradual, de modo a não deixar o paciente do SUS sem medicamento e, ao mesmo tempo, começar a oferecer uma insulina de maior qualidade”, reforçou.

Em sua fala, Fernanda De Negri pontuou que a transição estabeleceu ainda ações de treinamento voltadas às equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) e de Assistência Farmacêutica locais. Para apoiar esses processos, o Ministério da Saúde disponibilizou materiais técnicos e ofertou cerca de 130 oficinas em conjunto com o Conasems. 

Distribuição

O envio da insulina aos estados e municípios tem sido realizado com base no planejamento e nas solicitações periódicas das secretarias de saúde estaduais e municipais. Após o recebimento dos lotes em cada região, o medicamento estará disponível para a população nas farmácias da Atenção Primária, como as das Unidades Básicas de Saúde (UBS), de acordo com a organização de cada município.

Benefícios

Os benefícios da glargina também foram destacados, entre eles está o maior tempo de ação, que garante cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes. Além disso, o medicamento oferece mais segurança ao reduzir o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente durante o período noturno. Outro diferencial é a estabilidade e a praticidade que proporciona: ela promove menor oscilação nos níveis de glicose no sangue e dispensa preparação prévia, diferentemente da insulina NPH, que exige agitação antes do uso.

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Projeto-piloto

A secretária ressaltou que a transição foi estruturada por um grupo de trabalho específico, composto por representantes de diversos setores. O planejamento incluiu a implementação de um projeto-piloto, iniciado em março deste ano no Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná, voltado a crianças e adolescentes (de 2 a 17 anos) com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais que convivem com o tipo 1 e 2.

A iniciativa permitiu acompanhar a utilização da insulina glargina em condições reais de atendimento, avaliar aspectos operacionais, identificar gargalos logísticos e subsidiar os ajustes necessários para a implementação em todo o país.

Rodrigo Eneas
Roberta Paola
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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