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Café ganha suporte com avanço da colheita no Brasil, mas mercado monitora qualidade da safra e pressão da oferta

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O mercado global de café iniciou esta quarta-feira (10) atento ao avanço da colheita brasileira, fator que segue ditando o comportamento dos preços internacionais. Após as cotações do arábica em Nova York atingirem os menores níveis dos últimos 19 meses, os contratos voltaram a registrar recuperação técnica nas primeiras negociações do dia, enquanto produtores e compradores acompanham de perto a evolução da safra brasileira.

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, entra em um período decisivo para a definição da qualidade e do tamanho efetivo da produção de 2026. Embora as perspectivas apontem para uma safra volumosa, o mercado ainda busca respostas sobre o rendimento dos grãos e o padrão de qualidade dos lotes que começam a chegar ao mercado.

Colheita ganha ritmo após atraso provocado pelas chuvas

Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a colheita vem acelerando nas principais regiões produtoras do país neste início de junho.

Até a segunda quinzena de maio, os trabalhos avançavam lentamente devido às chuvas frequentes e à maturação irregular dos frutos em diversas lavouras. Com o retorno do tempo mais seco nas últimas semanas, as condições passaram a favorecer tanto a maturação dos grãos quanto o desempenho das operações de campo.

Nas principais áreas produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, produtores relatam melhora no ritmo da colheita, permitindo maior entrada de café novo no mercado.

Qualidade da safra entra no radar do mercado

Apesar da evolução dos trabalhos, começam a surgir as primeiras preocupações relacionadas à qualidade da produção.

Produtores do Sul de Minas e da Mogiana Paulista demonstram apreensão com o tamanho dos grãos colhidos até o momento. Os relatos indicam que a peneira do café estaria abaixo da observada na safra anterior, o que pode impactar a formação dos lotes destinados aos mercados mais exigentes.

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No entanto, especialistas destacam que ainda é prematuro tirar conclusões definitivas. Apenas uma pequena parcela da safra foi beneficiada até agora, e os resultados iniciais podem não refletir o desempenho final da produção brasileira.

O comportamento climático das próximas semanas será determinante para consolidar uma avaliação mais precisa sobre a qualidade dos cafés da temporada.

Nova York atinge menor patamar em 19 meses

Enquanto a colheita avança no Brasil, as bolsas internacionais seguem ajustando os preços diante da expectativa de aumento da oferta global.

Na sessão anterior, o contrato setembro do café arábica em Nova York chegou a ser negociado abaixo dos 239 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o menor nível para a posição desde novembro de 2024.

A pressão baixista reflete a percepção de que a safra brasileira poderá ampliar significativamente a disponibilidade global de café, especialmente de arábica.

O mercado avalia que a produção brasileira desta temporada pode superar os volumes registrados no ano passado, fortalecendo as expectativas de recomposição dos estoques mundiais após anos de oferta apertada.

Além da entrada da nova safra, a queda dos preços do petróleo também contribuiu para o movimento de baixa observado recentemente nas commodities agrícolas.

Por outro lado, a redução contínua dos estoques certificados nas bolsas internacionais continua oferecendo suporte ao mercado e limita movimentos mais intensos de queda.

Preços voltam a subir nesta quarta-feira

Após as perdas registradas nos últimos pregões, os contratos futuros iniciaram a quarta-feira em recuperação.

No mercado do arábica, o contrato com vencimento em julho avançava para 246,00 cents de dólar por libra-peso. O setembro operava em 242,10 cents/lb, enquanto o dezembro era negociado a 235,25 cents/lb.

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Em Londres, o café robusta também registrava valorização. O contrato julho era negociado acima de US$ 3.360 por tonelada, refletindo a continuidade da demanda internacional e a expectativa de uma oferta mais ajustada para essa variedade.

O desempenho do robusta tem mostrado maior resistência em relação ao arábica, uma vez que a produção brasileira de conilon nesta temporada deve permanecer mais próxima dos volumes observados em 2025.

Comercialização avança com produtores aproveitando preços

Outro fator importante para o mercado é o comportamento dos produtores brasileiros diante da entrada da nova safra.

Com os preços ainda em patamares historicamente atrativos, muitos cafeicultores têm aproveitado a colheita para realizar vendas e reforçar o fluxo de caixa das propriedades.

Esse movimento tem contribuído para manter um ritmo consistente de comercialização, mesmo diante das incertezas relacionadas à qualidade final da safra.

Perspectivas para o mercado

Nas próximas semanas, os preços do café deverão continuar reagindo principalmente a três fatores:

  • Evolução da colheita brasileira;
  • Confirmação do potencial produtivo da safra 2026;
  • Qualidade efetiva dos grãos colhidos.

O mercado segue dividido entre a pressão provocada pela expectativa de maior oferta e os riscos relacionados ao padrão de qualidade da produção.

Para produtores, exportadores e indústrias, o momento exige atenção redobrada. A velocidade da colheita e os resultados das primeiras classificações dos lotes poderão definir os rumos das cotações internacionais ao longo do segundo semestre.

Enquanto isso, o Brasil continua no centro das atenções do mercado global, com a safra 2026 sendo considerada o principal fator para a formação dos preços do café nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço da tilápia sobe com oferta restrita e exportações alcançam maior volume de 2026

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A baixa disponibilidade de peixes continuou sustentando os preços da tilápia no mercado brasileiro durante o mês de maio. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) aponta que a oferta restrita favoreceu novas altas em algumas das principais regiões produtoras acompanhadas pelo instituto.

Apesar da valorização observada em parte do mercado, algumas praças registraram recuo nos preços. Segundo pesquisadores do Cepea, a retração esteve relacionada ao enfraquecimento da demanda, especialmente pela redução das compras por parte dos frigoríficos, que adotaram uma postura mais cautelosa diante do cenário de consumo.

Oferta deve aumentar gradualmente nos próximos meses

De acordo com o Cepea, a partir de maio os peixes entram em uma fase de maior ganho de peso, fator que tende a ampliar gradualmente a oferta disponível para comercialização.

Esse movimento pode contribuir para um maior equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do segundo semestre, reduzindo parte da pressão altista observada nos primeiros meses do ano.

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Ainda assim, o setor segue atento à evolução dos custos de produção, ao ritmo de consumo no mercado interno e ao desempenho das exportações, fatores que continuarão influenciando a formação dos preços da proteína.

Exportações de tilápia atingem maior volume do ano

No comércio exterior, a piscicultura brasileira registrou resultados expressivos em maio. Os embarques de tilápia e produtos derivados alcançaram o maior volume exportado em 2026 e o mais elevado desde junho de 2025.

O desempenho reforça a competitividade da proteína brasileira no mercado internacional e demonstra a recuperação do fluxo comercial após um período de ajustes provocados por mudanças tarifárias e oscilações na demanda global.

Novas tarifas dos EUA preocupam setor

Apesar do avanço das exportações, o setor acompanha com atenção as recentes decisões do governo dos Estados Unidos relacionadas à política comercial.

Segundo o Cepea, a administração norte-americana anunciou novas tarifas de importação com previsão de entrada em vigor a partir de julho. A medida poderá impactar novamente a competitividade da tilápia brasileira no principal mercado comprador do produto.

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Os Estados Unidos seguem como um dos destinos estratégicos para as exportações brasileiras de pescado, e eventuais barreiras comerciais podem influenciar o ritmo dos embarques nos próximos meses.

Perspectivas para a cadeia aquícola

O cenário para a tilapicultura brasileira combina fundamentos positivos e desafios relevantes. Enquanto a oferta ainda limitada sustenta os preços em diversas regiões e as exportações mostram forte desempenho, o mercado monitora o aumento gradual da produção interna e os possíveis efeitos das novas tarifas norte-americanas.

A evolução da demanda doméstica, o comportamento dos compradores internacionais e o ambiente comercial global deverão definir os rumos do setor ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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