Agro News

Café registra volatilidade nos preços com clima e política internacional no radar

Publicado

Os preços do café voltaram a apresentar forte volatilidade nesta terça-feira (07), refletindo fundamentos de mercado e notícias sobre o clima no Brasil e negociações políticas internacionais. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o café arábica registrava queda nos contratos para dezembro/25 e março/26, enquanto o robusta apresentava variações mistas em Londres.

Segundo informações da Reuters, os traders mantêm cautela, ignorando parcialmente os estoques apertados, e aguardam sinais sobre a possível suspensão da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, tema de conversas entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.

Clima no Brasil influencia perspectivas da safra

O clima no Brasil é acompanhado de perto pelo mercado. Apesar da seca recente, que impulsionou os contratos futuros em 3,4% na semana passada, a previsão de chuvas trouxe alívio aos produtores. Segundo o Climatempo, uma frente fria avançando pelo Sul começa a gerar instabilidades no Sudeste, com previsão de pancadas de chuva em São Paulo, sul e zona da Mata mineira até quarta-feira (08). Entre quinta e sexta-feira, os volumes podem superar 30 mm em algumas regiões, favorecendo a florada e o pegamento dos frutos, etapas fundamentais para a safra de 2026.

Leia mais:  Mercado de trigo encerra o ano com baixa liquidez e foco em leilões oficiais

Os produtores brasileiros relatam boa floração das lavouras, mas reforçam que a chuva será essencial para o desenvolvimento uniforme dos frutos.

Preços globais sobem, mas pressão por correção técnica persiste

O Indicador Composto de Preços (I-CIP) da Organização Internacional do Café (OIC) registrou alta de 9,3% em setembro, chegando a 324,62 centavos de dólar por libra-peso, impulsionado por preocupações com fornecimento nos EUA, estoques certificados em queda e expectativas de negociações tarifárias.

No entanto, fatores de correção técnica também pressionaram os preços para baixo. O aumento nos requisitos de margem da ICE Futures US para contratos de arábica elevou os custos de financiamento, limitando novas posições no mercado. Além disso, decisões do Federal Reserve de reduzir a taxa de juros e preocupações quanto à implementação do Regulamento de Desmatamento da UE influenciaram as cotações globalmente.

Expectativa política e impacto nas negociações

O mercado segue atento às relações Brasil-EUA. Apesar da conversa positiva entre Trump e Lula, ainda não há definição sobre a suspensão da tarifa de 50%. A perspectiva de redução dessa taxa é vista como fator potencial de estabilização dos preços, especialmente para o arábica, que encerrou a segunda-feira com recuo de 2,4% nos contratos de dezembro/25 e março/26, a 381,35 e 364,95 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente.

Leia mais:  Cresce interesse estrangeiro por terras brasileiras à medida que agro se consolida como protagonista global

Para o robusta, os contratos em Londres registraram alta de US$ 6 para novembro/25, enquanto os vencimentos de janeiro/26 e março/26 caíram US$ 20 e US$ 29, respectivamente, refletindo as oscilações do mercado diante das condições climáticas e da política internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicado

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia mais:  Etanol deve ganhar espaço nas usinas em 2026 diante da menor atratividade do açúcar

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia mais:  Mercado de trigo encerra o ano com baixa liquidez e foco em leilões oficiais

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana