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Café robusta ganha espaço no Brasil com resiliência climática e expansão de mercado

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O consumo global de café robusta segue em expansão, impulsionado especialmente por mercados emergentes e pelo aumento do consumo fora de casa. Bebidas prontas, cafés gelados e solúveis vêm ganhando espaço, favorecendo o grão conhecido por seu sabor intenso. Além disso, o café instantâneo está isento do regulamento europeu contra produtos associados ao desmatamento (EUDR), o que deve ampliar ainda mais a procura por formatos à base de robusta nos próximos anos.

Brasil mira liderança mundial no setor

Com uma cadeia de suprimentos estruturada e sistemas de rastreabilidade capazes de atender às exigências da União Europeia, o Brasil se posiciona como forte candidato a assumir a liderança mundial na produção de robusta, hoje ocupada pelo Vietnã. Segundo a Embrapa, o país conta com cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas aptas para a produção agrícola, o que possibilita ampliar a área plantada sem necessidade de desmatamento.

Mudanças climáticas desafiam cafeicultores

O maior entrave para o crescimento da produção, entretanto, é o clima. Nos últimos 50 anos, as principais regiões cafeeiras registraram aumento médio de 1,3°C a 1,6°C nas temperaturas máximas e redução das chuvas entre 93 mm e 211 mm. Ondas de calor, secas prolongadas e chuvas irregulares afetam diretamente a produtividade, colocando o clima como o maior limitador do setor.

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Robusta mostra maior resiliência que o arábica

Enquanto o café arábica sofre com temperaturas acima de 24°C e períodos de estiagem, o robusta – ou conilon, como é conhecido no Brasil – apresenta maior resistência ao calor, à seca e a doenças. Essa adaptabilidade tem permitido expansão da produção em estados como Espírito Santo, Rondônia e Bahia, além de ganhos de produtividade.

Irrigação garante estabilidade da produção

Para enfrentar a instabilidade climática, produtores brasileiros têm investido fortemente em irrigação. Hoje, cerca de 71% da área plantada com robusta já utiliza sistemas como gotejamento e microaspersão. O Atlas da Irrigação indica que a área irrigada pode saltar de 280 mil hectares para quase 364 mil até 2040, especialmente em regiões como Mato Grosso, onde há alto potencial para expansão.

Custo de implantação é desafio para novos produtores

Apesar da boa rentabilidade, os custos para iniciar uma lavoura de robusta são elevados. Estimativas apontam que o investimento inicial pode chegar a R$ 83,8 mil por hectare, considerando mudas, irrigação, maquinário e infraestrutura. O prazo de retorno, entretanto, é relativamente curto: cerca de quatro anos, segundo cálculos da Conab e do Cepea.

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Sustentabilidade como diferencial competitivo

A possibilidade de expansão em áreas de pastagens degradadas coloca o Brasil em vantagem competitiva frente a países onde a produção ainda está associada a desmatamento. Essa estratégia fortalece a imagem do país como fornecedor sustentável e confiável, em sintonia com as exigências de consumidores e importadores internacionais.

Futuro promissor para o robusta brasileiro

Mesmo diante de desafios como custos crescentes, volatilidade de preços e incertezas geopolíticas, o robusta brasileiro está bem posicionado para crescer. O avanço em irrigação, pesquisa de novas variedades e rastreabilidade deve consolidar o país como referência mundial nesse segmento, enquanto a indústria nacional de café solúvel ganha fôlego para atender à demanda crescente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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