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Café tem dia de queda nas bolsas e retração no mercado físico brasileiro, em meio à volatilidade internacional e clima incerto

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O mercado físico de café no Brasil começou esta terça-feira (2) com tendência de preços mais baixos. A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) abriu o dia em queda, acompanhada pelo recuo do dólar frente ao real, cenário que reduziu o ímpeto de vendas por parte dos produtores, que seguem cautelosos e aguardam um melhor direcionamento das cotações para retomar as negociações.

Na segunda-feira (1º), o mercado brasileiro apresentou preços estáveis, sustentados pela valorização cambial, que compensou as perdas registradas nas bolsas de Nova York e Londres. Apesar de um movimento mais intenso no início do dia, a indefinição nas cotações internacionais manteve o mercado com baixa liquidez e poucos negócios fechados.

No Sul de Minas, o café arábica bebida boa, com 15% de catação, foi negociado entre R$ 2.340,00 e R$ 2.350,00 por saca, estável em relação ao dia anterior. No Cerrado Mineiro, o tipo bebida dura manteve-se entre R$ 2.350,00 e R$ 2.360,00, também sem alterações. Já o arábica “rio” tipo 7, na Zona da Mata Mineira, foi cotado entre R$ 1.610,00 e R$ 1.620,00, e o conilon tipo 7, em Vitória (ES), permaneceu entre R$ 1.380,00 e R$ 1.390,00 a saca.

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Mercado internacional registra perdas e clima mantém volatilidade

Nas bolsas internacionais, o dia começou com forte volatilidade. O café robusta recuava mais de 1% em Londres, enquanto o arábica operava em campo misto na ICE de Nova York. Segundo o Escritório Carvalhaes, o cenário continua influenciado por incertezas climáticas em países produtores, especialmente no Brasil, e pelos baixos estoques globais da commodity.

De acordo com a Bloomberg, mesmo após as fortes chuvas e inundações no Vietnã, o país deve registrar a maior safra de robusta dos últimos quatro anos. A produção de 2025/26 está projetada para crescer 10% em relação à temporada anterior, com exportações estimadas em alta de 7%, alcançando 1,6 milhão de toneladas.

Analistas destacam fatores de pressão sobre os preços

Para Laleska Moda, Analista de Inteligência de Mercado na Hedgepoint Global Markets, a suspensão de tarifas pelos Estados Unidos trouxe um breve alívio ao setor, mas os estoques reduzidos e as expectativas para a safra brasileira 2026/27 continuam sendo os principais fatores de influência sobre os preços.

Por volta das 9h40 (horário de Brasília), os contratos futuros do arábica apresentavam variação entre quedas e pequenas altas:

  • Dezembro/2025: 408,90 centavos de dólar por libra-peso (-260 pontos)
  • Março/2026: 379,90 centavos/lbp (+20 pontos)
  • Maio/2026: 362,50 centavos/lbp (+5 pontos)
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Já o robusta registrava perdas generalizadas:

  • Janeiro/2026: US$ 4.405/tonelada (-US$ 67)
  • Março/2026: US$ 4.275/tonelada (-US$ 63)
  • Maio/2026: US$ 4.193/tonelada (-US$ 70)
Estoques certificados e cenário cambial

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da Bolsa de Nova York totalizavam 406.609 sacas de 60 kg em 1º de dezembro de 2025, uma redução de 350 sacas em relação ao dia anterior, segundo dados da ICE Futures.

No câmbio, o dólar comercial operava em leve baixa de 0,18%, cotado a R$ 5,3486, enquanto o Dollar Index apresentava alta de 0,04%, aos 99,457 pontos.

Bolsas globais e petróleo também refletem cautela

Os principais índices asiáticos encerraram o dia em baixa, com destaque para a China (-0,42%). Já as bolsas europeias operavam em alta moderada: Paris (+0,42%), Frankfurt (+0,72%) e Londres (+0,37%).

O petróleo também recuava, com o contrato WTI para janeiro sendo negociado a US$ 59,16 por barril, queda de 0,26% em Nova York.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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