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Café tem forte volatilidade e recua em NY, mas fundamentos seguem sustentando preços

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O mercado de café no Brasil iniciou esta terça-feira (26) com tendência de preços mais baixos, refletindo a queda registrada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e a desvalorização do dólar frente ao real. Esse cenário leva os produtores a adotar postura mais cautelosa, aguardando melhores referências antes de intensificar as negociações.

Na segunda-feira (25), o mercado físico registrou preços firmes para o arábica e estabilidade no conilon, já que a Bolsa de Londres não operou no dia. A volatilidade do arábica em Nova York dificultou a formação de preços e reduziu o ritmo de negócios. Segundo a Safras Consultoria, embora as cotações tenham subido pela manhã, o avanço não foi acompanhado pelos compradores, resultando em vendas pontuais.

No sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 2.360,00 e R$ 2.365,00 por saca, frente aos R$ 2.330,00 a R$ 2.335,00 anteriormente. No cerrado mineiro, o arábica bebida dura atingiu R$ 2.370,00/2.375,00 por saca, contra R$ 2.340,00/2.345,00 do dia anterior. Já o arábica “rio” tipo 7, na Zona da Mata de Minas, alcançou R$ 1.710,00/1.715,00, frente aos R$ 1.670,00/1.675,00 registrados anteriormente. O conilon em Vitória (ES) permaneceu estável, entre R$ 1.470,00 e R$ 1.480,00 por saca.

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Exportações brasileiras de café caem em volume, mas receita cresce

As exportações de café em grão somaram 1,72 milhão de sacas de 60 quilos em agosto, até o dia 25, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária de embarques foi de 107,6 mil sacas, gerando receita de US$ 640,9 milhões, com preço médio de US$ 372,28 por saca.

Na comparação com agosto de 2024, a receita diária avançou 1,0%, enquanto o volume embarcado caiu 31,4%. Já o preço médio apresentou forte alta de 47,2%, refletindo a valorização do produto no mercado internacional.

Nova York tem queda expressiva para o arábica

Na Bolsa de Nova York, os contratos do café arábica operaram em forte queda nesta terça-feira (26). Às 6h30 (horário de Brasília), as perdas variavam entre 2,5% e 2,8%. O contrato setembro/25 era cotado a 380,25 cents de dólar por libra-peso, dezembro/25 a 367,75 cents e maio/26 a 350,25 cents.

Na segunda-feira, o contrato dezembro/25 já havia recuado 2,35%, fechando a 368,85 cents de dólar por libra-peso.

A Bolsa de Londres também acompanhou o movimento de baixa, com o robusta registrando perdas de até US$ 106 por tonelada. O contrato novembro/25 foi cotado a US$ 4.550,00 e o março/26 a US$ 4.353,00 por tonelada.

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Fundamentos seguem apoiando preços do café

Apesar do movimento de realização de lucros, analistas destacam que os fundamentos do café ainda são positivos. A oferta global permanece limitada pelo menor potencial produtivo no Brasil, afetado por condições climáticas adversas, como secas, chuvas irregulares e episódios de geada e granizo nas principais regiões produtoras.

“Está claro que o padrão climático no Brasil continua imprevisível, afastando a possibilidade de uma safra recorde em 2026”, afirma Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes. Segundo ele, os estoques de café estão em níveis historicamente baixos em países produtores e consumidores, ao mesmo tempo em que o comércio internacional enfrenta impactos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o café brasileiro.

Câmbio e cenário internacional trazem mais volatilidade

O dólar comercial recuava 0,09% nesta terça-feira, cotado a R$ 5,4090. O Dollar Index também registrava baixa de 0,25%, a 98,174 pontos. O movimento cambial, somado à instabilidade econômica e geopolítica, contribui para aumentar a volatilidade nas cotações do café.

No cenário internacional, as principais bolsas da Ásia e da Europa fecharam em queda, enquanto o petróleo WTI para outubro recuava 1,79% em Nova York, negociado a US$ 63,64 o barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

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O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

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Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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