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Calor extremo avança e reforça papel da ciência na proteção dos brasileiros

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Perigosas e cada vez mais recorrentes, as elevadas temperaturas médias globais e a maior frequência de ondas de calor extremo são um problema que vai além do desconforto cotidiano: são um risco crescente à saúde pública e à segurança da população. A Organização Meteorológica Mundial (ONM) confirmou que 2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados. O dado expõe a necessidade e o papel da ciência no monitoramento e na antecipação desses eventos.  

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) atua de forma estratégica, com foco em duas frentes principais: a antecipação de eventos extremos, por meio de monitoramento e previsão; e a adaptação, com produção de conhecimento científico que subsidia políticas públicas e ações de proteção à população. 

Na prática, as projeções climáticas e meteorológicas elaboradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa do MCTI, permitem identificar, com antecedência, regiões que devem enfrentar picos de temperatura acima do normal por vários dias consecutivos, condição que caracteriza uma onda de calor. Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento e de alerta utilizados por órgãos de defesa civil e de gestão de riscos, orientando ações preventivas e a comunicação com a população. 

Para o médico e 2º Secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Estevam Rivello, a antecipação de ondas de calor e as orientações necessárias são indispensáveis para a segurança da população. “A exposição prolongada ao calor pode levar rapidamente à desidratação, tontura, desmaios, alterações cardíacas e, nos casos mais graves, à hipertermia, que é uma emergência médica.” 

Ciência para antecipar ondas de calor  

O monitoramento das condições climáticas e das temperaturas é feito a partir de uma ampla base científica e tecnológica. O MCTI, por meio do Inpe, acompanha a evolução das temperaturas, produz séries históricas e desenvolve modelos climáticos que permitem identificar tendências de aquecimento e a ocorrência de eventos extremos.  

Esses dados são incorporados a sistemas de monitoramento utilizados por órgãos de Defesa Civil e de gestão de riscos. Ter essas informações com antecedência permite que as autoridades enviem alertas e que gestores públicos se preparem para os impactos associados, como aumento do risco à saúde da população, as estiagens prolongadas e a maior probabilidade de incêndios florestais. 

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O vendedor Vidal Ramos de Oliveira, de 65 anos, acumula mais de 30 anos de trabalho diário na Esplanada dos Ministérios, onde mantém uma barraca para vender flores do Cerrado e pequenos objetos turísticos de Brasília (DF). “Eu já me acostumei, porque eu trabalho aqui há quase 40 anos, mas agora até as chuvas estão poucas, antes chovia dias sem parar”, diagnosticou.  

Vidal está certo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em 2024 e 2025, as chuvas diminuíram na capital federal. As temperaturas também acompanharam a seca e ficaram 0,6°C acima do esperado no verão e 0,9°C na média de temperatura mínima. Para lidar com o calor extremo, o comerciante aposta nas proteções básicas, mas imprescindíveis. “Eu estou com muita água aqui”, afirma. 

Alertas e redução de riscos à população  

No campo da gestão de riscos, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também vinculado ao MCTI, atua no acompanhamento contínuo de eventos extremos — como secas, incêndios florestais e impactos à saúde da população — que podem ser agravados pelas ondas de calor.  

O vendedor de picolés Julio Cesar Siqueira, de 55 anos, conta que o calor interfere em toda a dinâmica de trabalho. “Ele deixa a gente lento, tonto, fraco. É um risco para a saúde de todos”, inicia. Segundo ele, os alertas ajudam na orientação. “Ajuda a saber o que vai acontecer, mas tem que usar protetor solar, se manter em locais mais cobertos. Eu tento ficar sempre no guarda-sol, usar proteção e beber muita água.”  

As análises indicam a persistência de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos em determinada região, associadas à baixa umidade do ar. Nesses casos, os alertas permitem que gestores locais reforcem ações preventivas, como a orientação à população sobre hidratação, redução da exposição ao sol e atenção especial a grupos mais vulneráveis, além do preparo das redes de saúde e de resposta a emergências. 

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Impacto Social: quem sente o calor no dia a dia? 

Trabalhadores braçais e expostos ao ar livre, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do aumento das temperaturas e da recorrência das ondas de calor. “Quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura por causa do calor excessivo, os efeitos podem ser rápidos e graves, principalmente em crianças, idosos e trabalhadores expostos ao Sol”, afirma Rivello, do CFM.  

Na avaliação do cardiologista Murilo Lustosa, a desidratação é o principal problema de saúde associado às ondas de calor. “Em situações de temperatura extrema, o corpo tenta compensar o calor por meio do suor, o que leva à perda de líquidos e de eletrólitos essenciais”, explica. Segundo o médico, esse processo pode provocar câimbras musculares, tontura, fraqueza e exaustão física, além de precipitar e agravar doenças cardíacas pré-existentes. 

Lustosa destaca ainda que o calor excessivo impacta diretamente a segurança no trabalho. “Pessoas expostas ao calor intenso ficam mais suscetíveis a cometerem erros durante a atividade, aumentando o risco de acidentes”, afirma. Por isso, medidas preventivas, baseadas em evidências científicas, são fundamentais. “Informação é conhecimento, e conhecimento salva vidas”, conclui o especialista. 

Adaptação: conhecimento para reduzir impactos 

Além do monitoramento, a ciência produzida no âmbito do MCTI contribui para estratégias de adaptação às altas temperaturas. Estudos sobre ilhas de calor urbanas, planejamento das cidades e desenvolvimento de tecnologias de proteção ajudam a compreender como o ambiente construído intensifica o problema e quais soluções podem reduzir seus efeitos.  

Essas pesquisas subsidiam políticas públicas nas áreas de saúde, urbanismo, defesa civil e meio ambiente, reforçando o papel da ciência como base para decisões que impactam diretamente a vida da população. Ao produzir dados, monitorar tendências, emitir alertas e gerar conhecimento para adaptação, o MCTI contribui para que o Brasil esteja mais preparado para lidar com os impactos do aquecimento global, protegendo a saúde da população e apoiando políticas públicas baseadas em evidências. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia homenageará mulheres cientistas

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A 23ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) terá como tema “Ciência Delas”, para homenagear as mulheres cientistas do país. O anúncio foi feito pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Para a chefe da pasta, o tema é mais que simbólico. “Ele é um compromisso. As mulheres já representam uma parte fundamental da produção científica no Brasil, mas ainda enfrentam barreiras profundas em áreas estratégicas e nos espaços de liderança. E isso precisa mudar”, disse.

Maior evento de popularização científica do país, a SNCT tem como objetivo aproximar a ciência e a tecnologia da população, promovendo encontros e eventos para realização de atividades de divulgação científica. A Semana ainda não tem data definida.

Neste ano, a SNCT focará nas mulheres e meninas que fazem a ciência do Brasil, em especial as negras, indígenas, quilombolas e em situação de vulnerabilidade. “O nosso compromisso, enquanto governo, é garantir acesso, permanência e liderança das mulheres na ciência”, afirma Luciana Santos.

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Desde 2023, o MCTI já investiu cerca de R$ 1,7 bilhão em iniciativas que incentivam a participação, a permanência e a ascensão de meninas e mulheres na ciência. “Porque uma ciência forte é uma ciência diversa, e uma ciência diversa é mais inovadora, mais conectada com a realidade e mais capaz de transformar o país”, finalizou a ministra.

Instituída em 2004 por meio de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a SNCT acontece anualmente, com coordenação do MCTI. Durante o evento, são reunidas unidades de pesquisa, agências de fomento, entidades vinculadas, comunidade científica, universidades, instituições de ensino, escolas, museus, jardins botânicos, secretarias estaduais e municipais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil, em torno de ações de popularização da ciência.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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