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Canola e culturas de inverno apresentam bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul

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As lavouras de canola e outras culturas de inverno no Rio Grande do Sul apresentam desenvolvimento satisfatório, apesar de desafios climáticos em algumas regiões. O levantamento foi divulgado pelo Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.

Canola: florescimento avançado e sanidade adequada

Entre as culturas de inverno, a canola se destaca por seu estágio mais avançado:

  • 14% das áreas em desenvolvimento vegetativo;
  • 67% em floração;
  • 17% em enchimento de grãos;
  • 2% em maturação ou colhidas.

O vigor vegetativo e o pegamento das flores estão satisfatórios, favorecidos pela maior radiação solar nas últimas semanas. A floração prolongada da canola faz com que flores nas extremidades das inflorescências convivam com síliquas em formação na base, garantindo o potencial produtivo, especialmente com adequada atividade de polinizadores e fertilidade do solo.

Alguns fatores afetaram o desempenho em áreas específicas, como: chuvas excessivas na semeadura, geadas na primeira semana de julho e episódios de granizo recentes. A sanidade geral é considerada adequada, com baixa incidência de mofo-branco e traça-da-canola. Pulgões foram registrados em algumas áreas, exigindo monitoramento.

Na região de Ijuí, destacam-se:

  • Boa emissão de brotações laterais e elevado número de botões florais;
  • Folhas basais com bom porte e mínima senescência;
  • Folhas superiores e laterais com sanidade apropriada;
  • 70% das áreas em floração, 15% em enchimento de grãos e 2% em maturação;
  • Redução da traça-da-canola em relação a anos anteriores.
Trigo: condições favoráveis e atenção às doenças
  • O trigo teve desempenho variado devido às precipitações:
  • Região Sul: chuvas intensas causaram danos localizados;
  • Noroeste e Planalto: precipitação moderada, sem prejuízos significativos.
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Atualmente, o estado fenológico do trigo é:

  • 82% em fase vegetativa;
  • 15% em floração;
  • 3% em enchimento de grãos.

Em Passo Fundo, o crescimento foi favorecido por boas condições climáticas antes das chuvas, permitindo adubação e controle de plantas daninhas. Em Pelotas, chuvas recentes e temperaturas mais baixas atrasaram o desenvolvimento vegetativo, mas a sanidade permanece satisfatória. Há preocupação com doenças fúngicas em áreas úmidas, sendo prevista retomada das aplicações de fungicidas.

Aveia-branca: predominância da fase vegetativa

As lavouras de aveia-branca apresentam bom desenvolvimento, beneficiadas por temperaturas amenas, radiação solar adequada e manutenção da umidade do solo.

  • 52% das áreas em fase vegetativa;
  • 28% em floração;
  • 17% em enchimento de grãos;
  • 2% em maturação.

Uma pequena parcela colhida apresentou baixos rendimentos devido a geadas e antecipação do ciclo, com grãos destinados ao arraçoamento animal.

Cevada: desenvolvimento uniforme e boa sanidade

A cevada teve evolução satisfatória, com precipitações entre 20 e 40 mm beneficiando a reposição de umidade.

  • 92% em fase vegetativa;
  • 8% em florescimento.

Na região de Erechim, as lavouras têm desenvolvimento uniforme e ótima sanidade, voltadas à indústria cervejeira. Em Ijuí, as áreas para malteação estão em alongamento do colmo, enquanto áreas para consumo animal iniciam emissão de espigas.

Culturas de verão: milho com desenvolvimento inicial favorável

As chuvas recentes beneficiaram a germinação e emergência do milho, embora volumes superiores a 200 mm tenham causado encharcamento em algumas áreas da Metade Sul.

As primeiras áreas apresentam estágios VE a V4 e bom vigor inicial em solos drenados;

  • Em solos alagados, há risco de perdas por apodrecimento de sementes;
  • O plantio será acelerado para respeitar a janela de menor risco do Zarc;
  • Safra 2024/2025: produtividade média de 7.378 kg/ha, área cultivada de 718.190 hectares (IBGE).
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A Emater/RS-Ascar divulgará informações consolidadas durante a 48ª Expointer, em 02/09.

Frutíferas: floração e perspectivas de boa safra
  • Ameixa – Variedade Fortune (“Italianinha”) em plena floração na região de Caxias do Sul. Alguns produtores dispensaram indutores de brotação para garantir floração mais longa e reduzir riscos de geada.
  • Morango – Na região de Lajeado, a safra começou em Bom Princípio, com cerca de 1,124 milhão de plantas, expectativa de 1 milhão de quilos de frutas. O preço no início de agosto chegou a R$ 60/kg, atualmente varia entre R$ 30 e R$ 45/kg.
  • Pêssego – Em Pelotas, a maioria das plantas está no final da floração, iniciando brotação foliar. Produtores realizam adubação e tratamentos preventivos, com boas perspectivas para a safra.
Pastagens e criações: impactos das chuvas e manejo intensificado

As chuvas tiveram efeito variado: retardaram pastagens em algumas regiões e estimularam rebrote em outras. Produtores avançam na semeadura de milho para silagem e implantação de forrageiras anuais de verão.

  • Ovinocultura – Condições climáticas recentes afetaram o bem-estar dos rebanhos. Produtores intensificam manejo das matrizes e cordeiros, incluindo vacinação e suplementação. Em Erechim, Passo Fundo, Santa Maria e Soledade, rebanhos apresentam sanidade satisfatória e mercado equilibrado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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