Ao abordar o tema “Mulherar” na primeira edição deste ano do projeto “Casa Aberta”, a Academia Mato-grossense de Letras (AML) demonstra que, mesmo centenária, está conectada com os desafios da sociedade atual. O quinto ciclo de eventos que, além de revitalizar o Centro Histórico de Cuiabá, atrai o público para perto dos “imortais” de praticamente todas as regiões do Estado é realizado com apoio financeiro do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), nesta quinta (12.3), na Casa Barão, a partir das 19h, com os portões literalmente abertos ao público.
“Casa Aberta é algo que já traz a sua proposta embutida na denominação. É só chegar. Aberto para todos os públicos, sem nenhuma restrição de gêneros, etnias ou faixa etária e o prédio centenário da Casa Barão, que sedia a AML, vai estar com o acesso livre, sendo todos bem-vindos!”, enfatiza a presidente da AML pelo segundo mandato consecutivo, Luciene Carvalho, primeira mulher negra a ocupar a presidência da instituição.
O tema do evento inicial, num total de 12 com uma apresentação ao mês, faz alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no último domingo (8). Com uma programação diversificada, o evento é gratuito e contempla todas as faixas etárias. O destaque da edição é a apresentação de um projeto, idealizado por duas imortais da AML, as escritoras Marta Cocco e Marli Walker.
Crédito: Agência Brasil
Elas apresentam como produto uma coletânea de contos explorando o feminicídio, um tema urgente e de relevância no cenário regional e nacional. “Mais do que uma licença poética, ‘Mulherar’ é um verbo que precisa ser conjugado em todos os sentidos. A AML, com o lançamento desse projeto, para além da literatura, acena para essa emergência social comportando-se como instituição centenária atenta às necessidades de dar visibilidade crítica a um problema que diz respeito à toda a sociedade”, frisa Luciene, primeira mulher negra a ocupar a presidência da instituição.
A ex-presidente da AML, Sueli Batista, acadêmica com longa trajetória na luta pelos direitos da mulher, vai fazer a mediação da conversa com as escritoras Marta Cocco e Marli Walquer, reforçando a integração entre as integrantes da Academia e o público. Marta explica como surgiu a iniciativa do tema de abertura do ciclo de apresentações deste ano.
“A iniciativa partiu de um grupo de escritoras que sentiu a necessidade de, por meio de histórias reais ou inventadas, permitir que leitores e leitoras se coloquem no lugar das personagens e percebam as consequências desastrosas e a imensa dor que esses crimes causam”, explica. Marli entende que a Academia tem o dever de entrar no debate. “O grupo acredita que a verdadeira transformação social pode acontecer quando se discute como são produzidas as práticas sociais que embasam relacionamentos abusivos”, frisa.
O Casa Aberta começa a partir das 18h e prossegue até 21h30. “Mulherar” vai contar com transmissão ao vivo, pelo canal do youtube da Academia – clique aqui.
Programação
Foto: Sueli Batista Crédito: AML
Das 19h às 21h30 fica disponível a instalação artística – sopa de letrinhas, um espaço para escrita dos convidados, além da projeção de poesias e de uma iluminação cênica. Às 19h acontece o bate-papo com as acadêmicas Marta Cocco e Marli Walker. Elas vão expor, em linhas gerais, o projeto literário antifeminicídio, que já conta com a participação de 15 autoras.
Às 20h, tem início o Slam da Academia, uma batalha de poesia. As pessoas interessadas em participar podem fazer a inscrição antecipada no instagram da AML, clique aqui ou inscrever-se na hora. Simultaneamente, às 20h, acontece uma performance de grafite, com a participação da artista urbana Negramina, grafiteira baseada em Cuiabá, reconhecida pela arte que celebra a força feminina, a representatividade negra e a criatividade.
O evento conta com a participação de um DJ e o microfone fica aberto para o público presente a partir de 20h30.
Casa Barão
A programação do projeto Casa Aberta é executada nos espaços internos e externos da Casa Barão. O nome do prédio histórico, sede da AML, homenageia Augusto João Manuel Leverger 1802-1880), também conhecido como Barão de Melgaço. Ele foi um militar francês naturalizado brasileiro, almirante, escritor, historiador e geógrafo. Foi presidente da província e um importante pesquisador da região, além de patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-Grossense de Letras.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.