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Cientistas alertam para avanço da desertificação e pedem ação rápida para conter secas e vulnerabilidade social

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É preciso olhar com atenção e trabalhar com velocidade pela permanência do mundo que conhecemos porque ele está cada vez mais seco, quente e sujeito a desastres climáticos. O alerta foi feito por cientistas do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os especialistas conduziram, nesta quarta-feira (12), a mesa redonda Riscos de Secas e Desertificação na América Latina, promovida na Casa da Ciência, no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA), durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30). 

Os dados expostos nas apresentações assustam. De acordo com o diretor do Insa, José Ethan de Lucena, 18% do território brasileiro está suscetível à desertificação — processo de degradação progressiva do solo em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas. O fenômeno será causado pela combinação entre fatores climáticos (como secas prolongadas) e ações humanas insustentáveis, como desmatamento, sobrepastoreio, agricultura mal manejada, uso excessivo da água e queimadas recorrentes.  

Os números, produzidos no instituto vinculado ao MCTI, mostram que nessa extensão vivem cerca de 39 milhões de pessoas, distribuídas em 11 estados, com destaques para núcleos críticos como Gilbués (PI) e Irauçuba (CE). Essas duas localidades seguem em degradação mesmo após duas décadas de alertas científicos e incluem em suas áreas territórios indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária e agricultura familiar. A concretização dessa previsão levaria à perda da capacidade produtiva, à degradação dos solos e ao colapso hídrico progressivo.  

No entanto, a permanência de ações humanas degradantes já é suficiente para gerar sofrimento. Para o diretor, falar de seca é falar de fome, e uma fome que atinges povos vulneráveis. “A gente tem que pensar que, desses 39 milhões de pessoa, 15% são analfabetos. A grande maioria é mulher, a grande maioria é negra e parda, e a grande maioria é pobre”, afirmou. Segundo Lucena, é imprescindível que as políticas públicas acompanhem o avanço da ciência, para preservar o que ainda existe e reparar regiões prejudicadas. “O erro não está na direção dos dados, o equívoco está na velocidade com que eles se transformam em política pública.” 

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Diagnóstico: secas mais longas e vulnerabilidade social crescente 

A pesquisadora Ana Paula Cunha apresentou dados recentes da Nota Técnica do Cemaden, que atualizam o cenário de secas na América Latina e mostram tendência de intensificação e maior duração dos eventos extremos. Segundo ela, os sistemas de monitoramento e alerta precoce têm avançado, mas as desigualdades regionais — principalmente no semiárido nordestino — tornam o impacto social das secas mais grave. “Não basta prever a seca, é preciso reduzir o impacto humano e ambiental”, destacou. 

Também pesquisadora do Cemaden, Luz Adriana Cuartas Pineda complementou que o desafio atual não é apenas aprimorar a previsão de secas, mas compreender as vulnerabilidades locais de cada território. “A previsão ainda não está resolvida. Precisamos entender como as secas se formam, como se propagam e quais são suas escalas temporais e espaciais. Sem esse entendimento, a política pública atua no escuro”, observou. 

Ela também chamou atenção para a água subterrânea, cada vez mais usada para irrigação, porém, sem reposição adequada: “Estamos secando aquíferos sem saber a taxa real de esgotamento”.  

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Ciência aplicada e inovação social 

O diretor do Insa apresentou tecnologias desenvolvidas pelo instituto para convivência produtiva com o semiárido, como o Sistema Sara, que trata e reaproveita águas residuais domésticas, transformando-as em fonte de renda e dignidade para famílias rurais. O sistema já está presente em 413 unidades, do norte de Minas Gerais (MG) às praias de Jericoacoara (CE), e integra soluções sustentáveis de abastecimento, saneamento e agricultura familiar. 

Ethan defendeu uma visão positiva do semiárido como “potência tropical ambiental”, com base em inovação, uso racional da água e valorização da biodiversidade local. “O semiárido não é só seca. É território produtivo, biodiverso e potente. Precisamos aposentar a enxada e oferecer tempo para pensar. E pensar precisa de tecnologia”, resumiu.  

Encerrando a mesa, os três pesquisadores convergiram na avaliação de que o Brasil precisa acelerar a tradução da ciência em políticas públicas. Etham sintetizou: “Falta velocidade. Se ela não aumentar, continuaremos apresentando os mesmos diagnósticos nas próximas COPs, sem eco na realidade”. 

Casa da Ciência  

A Casa da Ciência do MCTI, no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um espaço de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI mobiliza quase R$ 39 bilhões em novo pacote de R$ 140 bilhões para a indústria brasileira

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mobilizará R$ 38,5 bilhões para impulsionar a Nova Indústria Brasil (NIB) até dezembro de 2026. O valor integra o pacote de mais de R$ 140 bilhões anunciado nesta segunda-feira (22), durante a assinatura da Carta de Compromisso Investe Mais Indústria – Mais Financiamento para a Indústria, no Rio de Janeiro (RJ). Os recursos vão fortalecer a inovação e a competitividade da indústria brasileira. 

O acordo foi firmado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O montante será direcionado às seis missões da política industrial brasileira, abrangendo cadeias agroindustriais, complexo industrial da saúde, transformação digital, bioeconomia, transição energética, infraestrutura e tecnologias críticas para a soberania nacional. 

Dos R$ 140 bilhões anunciados, R$ 102,5 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES. Já as instituições vinculadas ao MCTI responderão por R$ 38,5 bilhões em investimentos, somando R$ 37,5 bilhões da Finep e R$ 1 bilhão da Embrapii em 2026. A iniciativa contribui para que a Nova Indústria Brasil ultrapasse R$ 750 bilhões em recursos mobilizados entre 2023 e 2026. A estratégia também prevê o lançamento do Portal Investe Indústria Brasil, ferramenta criada para identificar oportunidades de investimento e auxiliar na superação de gargalos enfrentados por diferentes setores produtivos. 

Durante o anúncio, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o papel da articulação entre as instituições públicas para ampliar os investimentos em inovação e desenvolvimento produtivo. “Esse anúncio nos mostra que, quando as instituições se articulam na elaboração e execução de uma política, o resultado é mais inovação e desenvolvimento para o Brasil”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. “No mundo todo, os países que lideram o desenvolvimento alinham política industrial e política de inovação, porque a indústria do futuro é verde, digital e intensiva em conhecimento e tecnologia”, destaca”, completou. 

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Luciana Santos também anunciou a ampliação dos investimentos do MCTI na Embrapii. “Em 2026, o MCTI vai repassar à Embrapii R$ 440 milhões, maior valor anual já aportado pelo ministério nessa organização social desde sua criação, em 2013. Os recursos vão alavancar investimentos privados e permitirão contratar 550 projetos de inovação de empresas, em um valor total de R$ 1,2 bilhão”, disse. 

Os recursos destinados à Embrapii permitirão ampliar o apoio ao desenvolvimento tecnológico nas empresas brasileiras. Além dos 550 projetos previstos, serão credenciados três novos Centros de Competência voltados a áreas consideradas estratégicas para a indústria nacional. Entre elas estão hidrogênio de baixa emissão de carbono, inteligência artificial aplicada à produtividade industrial e minerais críticos e estratégicos. 

Ao comentar os resultados alcançados pelo banco nos últimos anos, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou o papel do corpo técnico da instituição e a importância da confiança na gestão pública. 

“O que nós estamos assistindo hoje é apenas uma demonstração de que o Brasil não pode comportar mais aquele discurso atrasado entre a competência privada e a competência pública. O que é público e funciona tem que continuar público e funcionando. O que é privado e funciona tem que continuar privado e funcionando”, destacou Lula. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, falou da dimensão do apoio financeiro oferecido pelo banco e os resultados obtidos desde o início da atual gestão. “Em três anos e meio, nós fizemos R$ 862 bilhões de crédito na economia. O ano passado nós fizemos R$ 366 bilhões, mais de R$ 1 bilhão por dia. Hoje também temos um anúncio importante: os ativos do banco chegaram a R$ 1 trilhão e 15 bilhões. O banco precisa crescer com segurança, estabilidade e consistência. É isso que estamos fazendo”, declarou. 

Parceria para a neoindustrialização 

A assinatura da carta reforça a atuação integrada das instituições responsáveis pelo financiamento, pela inovação e pelo desenvolvimento industrial do país. A estratégia busca ampliar a oferta de crédito, subvenção econômica, capital para investimentos e apoio tecnológico às empresas brasileiras. 

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No caso da Finep, vinculada ao MCTI, os investimentos já destinados à Nova Indústria Brasil superam R$ 41 bilhões desde o lançamento da política industrial. Os recursos financiam desde projetos de pesquisa e desenvolvimento até iniciativas de maior risco tecnológico, contribuindo para aproximar o conhecimento científico das demandas do setor produtivo. 

Para o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, os novos aportes reforçam o papel da instituição no apoio à inovação e na ampliação da competitividade da indústria nacional. “Ao disponibilizar mais recursos para a inovação, a Finep cumpre o seu papel de indutora da ciência, da tecnologia e da competitividade no país. São recursos extremamente relevantes para a modernização da indústria brasileira e para a continuidade do apoio a projetos de pesquisa e desenvolvimento em fases iniciais”, afirmou. 

Já a Embrapii atua conectando empresas a instituições de ciência e tecnologia para acelerar o desenvolvimento de novos produtos, processos e soluções inovadoras. O modelo combina recursos não reembolsáveis e suporte técnico especializado, reduzindo custos e riscos para o setor industrial. 

O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, destacou que a atuação da instituição busca aproximar o setor produtivo da infraestrutura científica e tecnológica disponível no país. “Uma política industrial só produz resultados quando existe coordenação entre os diversos instrumentos públicos e privados de apoio à inovação. A Embrapii foi criada justamente para conectar empresas, instituições de pesquisa e recursos públicos de forma ágil e eficiente, reduzindo burocracia e acelerando o desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira”, concluiu. 

Com os novos aportes anunciados, o governo federal amplia os instrumentos disponíveis para estimular a inovação, fortalecer a competitividade da indústria brasileira e acelerar investimentos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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