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Cientistas da Unesp identificam nova espécie de cigarrinha que ameaça lavouras de cana-de-açúcar no Brasil

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Descoberta inédita alerta para nova praga nas plantações de cana

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) identificaram uma nova espécie de cigarrinha-da-raiz que vem atacando lavouras de cana-de-açúcar em diferentes regiões do país. A descoberta, publicada no Bulletin of Entomological Research da Universidade de Cambridge, recebeu o nome de Mahanarva diakantha — termo que significa “dois espinhos”, em referência à morfologia diferenciada do inseto.

A constatação da nova espécie surgiu após produtores relatarem ineficiência de defensivos agrícolas tradicionais no combate à praga. A partir dessa resistência incomum, os agricultores solicitaram apoio a especialistas da Unesp, que, junto a pesquisadores da PUC-RS, iniciaram uma investigação genética e morfológica das amostras coletadas em usinas de cana-de-açúcar.

Cana-de-açúcar: base da economia e alvo de ameaças

A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do Brasil, responsável por movimentar cerca de US$ 8,7 bilhões em exportações em 2020. O país é o maior exportador mundial de açúcar e também utiliza a planta para a produção de etanol e energia elétrica a partir do bagaço.

Dada essa relevância econômica, o surgimento de novas pragas preocupa o setor. A cigarrinha-da-raiz tradicional, das espécies Mahanarva fimbriolata e Mahanarva spectabilis, já é conhecida por causar perdas de até 36 toneladas por alqueire, ao sugar a seiva da planta e liberar toxinas que reduzem a concentração de sacarose. A nova espécie, M. diakantha, apresenta comportamento semelhante, mas com diferenças genéticas e resistência mais elevada, dificultando o controle químico convencional.

Análises genéticas e morfológicas confirmam nova espécie

O docente Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Instituto de Biociências da Unesp, coordena há mais de uma década um laboratório dedicado à evolução genômica de insetos. Segundo ele, a descoberta foi possível graças à análise de marcadores de DNA mitocondrial, que mostraram variações significativas entre as amostras e as espécies já conhecidas.

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Além da genética, o estudo contou com avaliações morfológicas detalhadas conduzidas pelos pesquisadores Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, que observaram uma característica única na genitália dos machos da nova espécie: uma estrutura bifurcada e pontiaguda, diferente do formato quadrangular das demais cigarrinhas. Essa peculiaridade confirmou a existência de uma nova espécie no país.

Resistência desafia controle químico e exige novas soluções

Os produtores que relataram o problema notaram que os defensivos agrícolas disponíveis não apresentavam eficácia contra a praga. Segundo Mello, isso ocorre porque os produtos costumam ter ação específica para determinadas espécies. Assim, mesmo insetos semelhantes podem reagir de formas diferentes às mesmas substâncias.

Com a identificação do M. diakantha, pesquisadores poderão desenvolver novas formulações e estratégias de controle mais direcionadas. A descoberta também levou à revisão de coleções científicas: Paladini identificou registros de exemplares da década de 1960, que foram erroneamente classificados como M. fimbriolata.

Controle biológico ainda é alternativa mais eficaz

Apesar da descoberta, especialistas acreditam que o risco imediato para as lavouras não é alarmante. Segundo Odair Aparecido Fernandes, docente da Unesp de Jaboticabal e líder do Centro de Pesquisa em Engenharia – Fitossanidade em Cana-de-Açúcar (Cepenfito), o controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae continua sendo uma das estratégias mais eficazes.

O fungo é cultivado em laboratório e aplicado nas plantações, atacando exclusivamente os insetos sem causar danos à planta ou ao meio ambiente. “É um dos exemplos mais bem-sucedidos de controle biológico no mundo”, afirma Fernandes.

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Mesmo assim, novas pesquisas serão necessárias para avaliar a eficiência dessas técnicas contra o M. diakantha e compreender seu comportamento reprodutivo, variabilidade genética e impacto nas lavouras atuais.

Cooperação entre universidades e setor produtivo

A pesquisa contou com forte colaboração entre a Unesp, a PUC-RS e empresas do setor agrícola, demonstrando a importância da integração entre ciência e produção. “A universidade precisa estar aberta a resolver os problemas da sociedade. Neste caso, a ciência básica foi aplicada para solucionar uma questão prática do campo”, afirma Mello.

O Cepenfito, financiado pela Fapesp e pelo Grupo São Martinho, é um exemplo desse modelo de parceria público-privada. O centro conduz atualmente 55 projetos voltados à saúde vegetal e manejo de pragas, em cooperação com indústrias sucroalcooleiras e produtores de diversas regiões do país.

Outras ameaças à cultura da cana

Além da nova cigarrinha, Fernandes aponta outras duas grandes preocupações para o setor:

  • Síndrome do murchamento da cana, causada por uma combinação de fatores climáticos e biológicos, que pode reduzir a produção em até 40%;
  • Bicudo-da-cana, um besouro que se alimenta do tecido vegetal e provoca perdas de até 25 toneladas por hectare, favorecido pela colheita mecanizada com palhada, que mantém a umidade no solo, mas facilita sua reprodução.

De acordo com o pesquisador, o Cepenfito segue buscando estratégias de manejo mais eficazes para enfrentar essas pragas e garantir a sustentabilidade da produção nas regiões Centro-Sul e Sudeste.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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