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Classe C assume liderança do consumo no Brasil e movimentará R$ 2,6 trilhões em 2026, aponta IPC Maps

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A classe C passará a ocupar, pela primeira vez, a liderança do potencial de consumo no Brasil em 2026. É o que revela o levantamento IPC Maps 2026, estudo especializado em potencial de consumo nacional que estima uma movimentação de R$ 8,6 trilhões na economia brasileira ao longo deste ano.

Segundo a pesquisa, a classe C será responsável por aproximadamente R$ 2,6 trilhões em gastos, o equivalente a 36,9% de todo o consumo nacional. A mudança marca uma transformação inédita no perfil econômico do País, impulsionada pela migração de famílias das classes D e E para a classe C e, simultaneamente, pela redução de parte da classe B para esse mesmo estrato social.

Crescimento econômico perde ritmo em 2026

Apesar do volume expressivo de recursos em circulação, o crescimento do mercado consumidor brasileiro será mais moderado neste ano. O IPC Maps projeta expansão real de apenas 2,3%, reflexo principalmente dos impactos da política monetária restritiva e do cenário internacional mais desafiador.

De acordo com Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pelo estudo, fatores como conflitos geopolíticos, pressões inflacionárias globais, calendário com elevado número de feriados, Copa do Mundo e eleições devem influenciar o desempenho da economia brasileira ao longo de 2026.

Classe C lidera consumo e concentra metade dos lares brasileiros

A pesquisa mostra que a classe C está presente em 49,7% dos domicílios do País e passa a liderar o consumo nacional.

A distribuição do potencial de consumo por classe econômica ficou projetada da seguinte forma:

  • Classe C: 36,9% do consumo nacional (R$ 2,6 trilhões);
  • Classe B: 36,3% (cerca de R$ 3 trilhões);
  • Classe A: 17,5% (quase R$ 1,2 trilhão);
  • Classes D e E: 9,4% (aproximadamente R$ 737,9 bilhões).

Mesmo representando apenas 3,3% das famílias brasileiras, a classe A continua ampliando sua participação nos gastos totais.

Emprego formal e abertura de empresas impulsionam economia

O levantamento também aponta avanço do mercado de trabalho formal e da atividade empresarial.

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Entre abril de 2025 e abril de 2026, o número de empresas instaladas no Brasil cresceu 10,9%, alcançando 27,7 milhões de estabelecimentos. As microempresas lideraram a expansão, com crescimento de 12,9%, enquanto os Microempreendedores Individuais (MEIs) avançaram 11,6%.

Atualmente, os MEIs representam mais de 59% das empresas brasileiras, somando cerca de 16,4 milhões de registros ativos.

As atividades de serviços permanecem predominantes, reunindo 16,6 milhões de empresas, seguidas pelos setores de comércio (6 milhões), indústria (4,2 milhões) e agronegócio, que contabiliza aproximadamente 910 mil estabelecimentos.

Capitais ampliam participação no consumo

Outro movimento identificado pelo IPC Maps é o fortalecimento dos grandes centros urbanos.

A participação das capitais brasileiras no mercado consumidor passará de 27,7% para 28% em 2026. Já as regiões metropolitanas ampliarão sua representatividade de 44,6% para 45,2%.

Em sentido contrário, os municípios do interior terão uma leve redução de participação, passando de 55,4% para 54,8% do potencial de consumo nacional.

Sul retoma segunda posição no mapa do consumo

No recorte regional, o Sudeste mantém ampla liderança, concentrando cerca de 49% do consumo brasileiro.

A principal mudança ocorre na disputa pela vice-liderança. A Região Sul volta a ocupar a segunda posição no ranking nacional, respondendo por 18,48% do consumo, enquanto o Nordeste cai para o terceiro lugar, com participação de 17,5%.

Segundo a análise do estudo, o aumento do endividamento das famílias e a redução do fluxo de turistas nacionais ajudaram a enfraquecer o desempenho relativo do Nordeste.

O Centro-Oeste aparece na sequência com 9,1% do potencial de consumo, enquanto a Região Norte permanece abaixo de 6%.

Veículos continuam entre as principais prioridades dos brasileiros

Pelo sexto ano consecutivo, os gastos com veículos próprios permanecem entre as categorias mais relevantes do orçamento das famílias.

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O segmento deverá movimentar R$ 939,6 bilhões em 2026, comprometendo cerca de 11,6% dos gastos dos consumidores.

Ainda assim, a habitação continua sendo a principal despesa dos brasileiros, absorvendo 25,3% do orçamento familiar. Na sequência aparecem:

  • Outras despesas e serviços: 18,6%;
  • Alimentação e bebidas no domicílio: 10,4%;
  • Saúde e medicamentos: 6,7%;
  • Alimentação fora do lar: 4,6%;
  • Materiais de construção: 3,8%;
  • Educação: 3,5%;
  • Vestuário e calçados: 3,4%.
Brasil terá mais de 214 milhões de habitantes

O IPC Maps estima que o Brasil alcance 214,2 milhões de habitantes em 2026. Desse total, 187,5 milhões vivem em áreas urbanas, com consumo médio anual de aproximadamente R$ 43 mil por pessoa.

Nas áreas rurais, o potencial de consumo deverá atingir R$ 537,3 bilhões, equivalente a 6,2% do mercado nacional, com gasto médio de R$ 20,1 mil por habitante.

A população economicamente ativa, entre 18 e 59 anos, chegará a quase 128 milhões de pessoas, representando 59,7% dos brasileiros. Já o contingente de idosos continuará crescendo e deverá alcançar 36,6 milhões de habitantes neste ano.

Mercado consumidor segue robusto, mas enfrenta desafios

Os dados do IPC Maps 2026 mostram que o consumo das famílias continuará sendo um dos principais motores da economia brasileira. No entanto, o ritmo mais lento de crescimento evidencia os desafios impostos pelos juros elevados, pelas incertezas globais e pelas mudanças na composição da renda das famílias.

Nesse cenário, a ascensão da classe C ao topo do consumo nacional representa uma das transformações mais relevantes do mercado brasileiro, reforçando a importância desse público para empresas, varejo e setores produtivos em todo o País.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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