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Clima favorece colheita e qualidade do trigo no Sul, mas preços seguem em queda com safra cheia

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Após semanas de chuvas que preocupavam os produtores do Sul do Brasil, o clima mais firme no fim de outubro trouxe alívio e otimismo ao campo. De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as condições meteorológicas recentes favoreceram o desenvolvimento e a maturação das lavouras de trigo, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, onde a colheita avança em ritmo acelerado.

Segundo a Emater/RS-Ascar, aproximadamente 27% da área cultivada no estado já foi colhida, 42% das lavouras estão em maturação, 28% em enchimento de grãos e 3% ainda em floração. A produtividade varia de 2.100 a 4.200 quilos por hectare, dependendo do manejo e das condições locais de chuva.

Safra apresenta boa qualidade e sanidade das plantas

Os técnicos da Emater/RS-Ascar destacam que o desempenho das lavouras tem sido satisfatório, principalmente nas áreas semeadas dentro do período de zoneamento agrícola e onde o manejo fitossanitário foi rigoroso. A baixa incidência de doenças fúngicas, como a giberela, está associada tanto ao uso de tecnologias adequadas quanto às condições climáticas desfavoráveis à proliferação de patógenos.

Nas áreas em maturação, a qualidade dos grãos é considerada boa, com peso hectolitro (PH) variando entre 78 e 84 pontos, dentro do padrão comercial. Mesmo assim, houve redução pontual de rendimento e PH em regiões que enfrentaram chuvas excessivas e atrasos na colheita.

O levantamento também aponta heterogeneidade entre talhões, com resultados mais expressivos nas propriedades que adotaram insumos de alta qualidade e sementes certificadas, e menor desempenho em áreas de baixo investimento.

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Colheita avança no Sul, mas mercado segue travado

No Rio Grande do Sul, conforme a TF Agroeconômica, cerca de 32% a 35% das áreas já foram colhidas, com rendimentos médios de 3.000 kg/ha e expectativa de produção próxima a 3,15 milhões de toneladas. Embora a qualidade do grão seja superior à da safra anterior, há registros de cargas com níveis de DON entre 1.500 e 4.000 e glúten entre 22% e 26%.

Os preços pagos aos produtores gaúchos variam entre R$ 1.000,00 (Missões) e R$ 1.050,00 (Nordeste do estado), com negócios pontuais de até R$ 1.150,00 CIF moinhos. Para exportação, as indicações estão em R$ 1.145,00 (pagamento em 15/12) e R$ 1.160,00 (para 05/01), mas o mercado permanece lento. Estima-se que 570 mil toneladas já tenham sido comercializadas, sendo 480 mil para exportação e 90 mil para moinhos.

Em Santa Catarina, as primeiras cargas de Xanxerê são ofertadas a R$ 1.250,00 FOB, valor acima da média de mercado, enquanto os moinhos trabalham com preços entre R$ 1.130,00 e R$ 1.150,00 CIF. No Paraná, a colheita já atinge 83% dos 819 mil hectares, com produtividade recorde acima de 3.300 kg/ha e produção estimada em 2,75 milhões de toneladas, 18% superior à do ano passado.

Preços seguem em queda mesmo com boa safra

Apesar do cenário favorável no campo, os preços do trigo continuam pressionados. Dados do Cepea indicam que o avanço da colheita, a boa produtividade nacional, a safra cheia na Argentina, o câmbio valorizado e as cotações internacionais mais baixas explicam a desvalorização.

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Em outubro de 2025, a média do trigo foi de:

  • R$ 1.138,41/t no Rio Grande do Sul, queda de 9,6% frente a setembro e de 11,7% em relação a outubro de 2024;
  • R$ 1.216,53/t no Paraná, recuos de 9,7% e 15,6% nas comparações mensal e anual — o menor patamar desde outubro de 2023;
  • R$ 1.161,58/t em São Paulo, retrações de 7,5% no mês e 24,9% no ano, o valor mais baixo desde novembro de 2016;
  • R$ 1.263,26/t em Santa Catarina, quedas de 7% no mês e 13,4% no ano, menor média desde abril de 2018.

Além disso, a saca de 60 kg no Rio Grande do Sul passou de R$ 61,50 para R$ 60,09, uma redução semanal de 2,29%, segundo a Emater/RS-Ascar.

Tendência: mercado deve permanecer pressionado no curto prazo

Com a colheita entrando na reta final e o dólar mantendo-se em patamares mais baixos, analistas projetam que os preços do trigo continuem sob pressão nas próximas semanas. O desempenho do mercado internacional e o ritmo das exportações brasileiras devem seguir como fatores determinantes para a formação de preços.

Mesmo com a boa qualidade dos grãos e a recuperação do clima, a combinação de oferta abundante e demanda interna limitada tende a sustentar um cenário de valores retraídos no curto prazo, desafiando a rentabilidade dos produtores no Sul do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dólar volta a subir acima de R$ 5 na abertura e mercado acompanha tensão externa e cenário político no Brasil

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O mercado financeiro brasileiro iniciou esta terça-feira (19) em clima de cautela, com o dólar retomando força frente ao real e o Ibovespa operando pressionado pelo ambiente externo e pelas incertezas políticas domésticas.

Na abertura do pregão, o dólar à vista avançava cerca de 0,43%, sendo negociado na faixa de R$ 5,02, após encerrar a sessão anterior abaixo do patamar psicológico de R$ 5,00. Já os contratos futuros da moeda norte-americana também registravam valorização na B3, refletindo a maior aversão ao risco dos investidores.

O movimento acompanha a valorização global do dólar diante das preocupações envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã, além da continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fatores que elevam a busca internacional por ativos considerados mais seguros.

No cenário doméstico, investidores seguem monitorando os desdobramentos políticos e eleitorais no Brasil. Uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta manhã mostrou mudanças no cenário da disputa presidencial, aumentando a volatilidade nos ativos brasileiros e ampliando a cautela no mercado financeiro.

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O Banco Central também entrou no radar dos operadores ao anunciar leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional para a rolagem do vencimento de junho, estratégia utilizada para dar liquidez ao mercado e suavizar movimentos bruscos no câmbio.

Ibovespa sente pressão do exterior e da política

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu a sessão em compasso de espera após fechar o pregão anterior em leve queda de 0,17%, aos 176.976 pontos. No acumulado do mês, o índice ainda apresenta retração superior a 5%, embora mantenha valorização próxima de 10% em 2026.

Além do cenário político interno, os investidores acompanham o desempenho das bolsas internacionais. Em Wall Street, os índices futuros operavam em baixa nesta manhã, pressionados principalmente pelo setor de tecnologia e pelo aumento das tensões globais.

As commodities também seguem no foco do mercado. O petróleo Brent recuava no exterior, mas ainda permanece em níveis elevados, acima dos US$ 110 por barril, sustentando preocupações com inflação global e impacto nos custos de produção e logística.

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Dólar acumula queda no ano, apesar da volatilidade recente

Mesmo com a alta desta terça-feira, o dólar ainda acumula queda próxima de 9% frente ao real em 2026, refletindo o diferencial de juros do Brasil, a entrada de capital estrangeiro e o desempenho das commodities ao longo do ano.

Confira os principais indicadores atualizados do mercado:

  • Dólar
    • Cotação na abertura: cerca de R$ 5,02
    • Acumulado da semana: -1,37%
    • Acumulado do mês: +0,93%
    • Acumulado do ano: -8,94%
  • Ibovespa
    • Último fechamento: 176.976 pontos
    • Acumulado da semana: -0,17%
    • Acumulado do mês: -5,52%
    • Acumulado do ano: +9,84%

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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