Educação

CNIJMA: estudantes entregam carta compromisso ao presidente Lula

Publicado

O ministro da Educação, Camilo Santana, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quarta-feira, 8 de outubro, do terceiro dia da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). Na ocasião, os estudantes entregaram aos chefes de Estado a Carta Compromisso das Crianças e Jovens pelo Futuro do Planeta e a Carta Musical Raiz que Floresce. Os documentos estão sendo elaborados pelos jovens e pelas crianças presentes na conferência e são inspirados na lenda guarani Terra sem Males, uma narrativa ancestral que expressa o desejo por uma sociedade mais justa, solidária e sustentável. 

Com o tema “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”, o evento reúne, de 6 e 10 de outubro, cerca de 800 participantes, entre estudantes, educadores e representantes de instituições públicas e organizações. A CNIJMA é promovida pelo órgão gestor da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), integrado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).    

Em seu discurso, Lula reconheceu o protagonismo dos jovens na conscientização sobre as mudanças climáticas e destacou a importância de ouvir suas propostas. “Vocês vieram aqui para me ensinar como a juventude brasileira conhece a questão do clima. Duvido que tenha no mundo um presidente que tenha tido o prazer que eu estou tendo hoje ouvindo a meninada do meu país”. O presidente ainda afirmou que levará a Carta Compromisso para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e a entregará para todos os chefes de Estado presentes.  

O futuro é agora! É preciso preservar a natureza, mas é preciso cuidar das pessoas, das comunidades indígenas, olhar para os quilombolas, os ribeirinhos, aprender a nossa história, dos nossos ancestrais.” Camilo Santana, ministro da Educação 

Santana ressaltou a importância da Carta Compromisso que traz as aspirações das crianças e dos adolescentes para o futuro. “O futuro é agora. Nós sabemos as respostas que o meio ambiente tem dado à atuação do homem. O elemento mais importante do meio ambiente é o homem. É preciso preservar a natureza, mas é preciso cuidar das pessoas, das comunidades indígenas, olhar para os quilombolas, os ribeirinhos, aprender a nossa história, dos nossos ancestrais, a cultura afro-brasileira”, observou, lembrando que a Lei nº 10.639/2003 tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas do país. 

Leia mais:  Sisu 2026 ofertará 14,2 mil vagas no Ceará

O ministro informou que a CNIJMA apresentou a conclusão de um processo que contou com a participação de mais de 2,2 milhões de pessoas que se envolveram ao longo deste ano. “Mais de 2.300 municípios e quase 9 mil escolas se envolveram nesse processo. Inclusive, a carta é elaborada a partir da escuta, do envolvimento e do conhecimento das comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, e das periferias de todo o Brasil. O presidente Lula entregará a carta para outros chefes de Estado, para mostrar a experiência, talvez a única do mundo, de um país que trata essa discussão da justiça climática da educação com jovens de 11 a 14 anos”, considerou. 

Para Santana, as crianças e os jovens têm um papel fundamental no processo de luta pelo meio ambiente e de conscientização dos pais e da sociedade sobre a importância do tema. “Vocês são responsáveis pelo presente, mas também são responsáveis pelo futuro. Vocês fazem parte desse processo transformador de cuidar da nossa terra, cuidar do planeta, do meio ambiente. Nesse momento, em que nós estamos discutindo a COP30 e as mudanças climáticas que estão acontecendo no mundo e no nosso país, a escola é um ambiente para fazer esse debate, envolver a comunidade e as famílias. Hoje, nós temos 430 delegados representando a força da nossa juventude, da nossa adolescência, das nossas crianças e dos jovens desse país”, disse. 

Também presente na conferência, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, lembrou que a CNIJMA foi criada pelo presidente Lula, em 2003, e destacou a importância da Carta Compromisso apresentada, que traz as aspirações dos jovens e adolescentes para o futuro.  

“Para que esse futuro seja justo, democrático e sustentável, é fundamental que a gente tenha um ecossistema saudável, com democracia, com o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil], com o Pé-de-Meia, com o Luz para Todos, com o Minha Casa, Minha Vida. Esse é o sistema da democracia, é ouvindo as pessoas. O conhecimento de alguns, por maior que seja, não substitui o conhecimento de todos. A vontade de alguns, ainda que seja forte, não substitui a vontade da maioria. E é isso que nós estamos fazendo aqui”, enfatizou. 

Leia mais:  Ideb permanece estável no ensino fundamental do Distrito Federal

A CNIJMA ainda contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo; e da secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC, Zara Figueiredo. 

Cartas – A Carta Compromisso das Crianças e Jovens pelo Futuro do Planeta e a Carta Musical Raiz que Floresce são inspiradas na lenda guarani Terra sem Males, uma narrativa ancestral que expressa o desejo por uma sociedade mais justa, solidária e sustentável.  

A lenda é oriunda da sabedoria dos povos originários que fizeram o chamado no primeiro dia da conferência, e serviu como ponto de partida para reflexões sobre o Brasil que queremos construir, uma “terra dos sonhos”, guiada pela ética da convivência, do bem viver, da diversidade e do cuidado com a vida. As cartas serão entregues no último dia da CNIJMA, na sexta-feira, 10 de outubro.  

A carta compromisso traduz o pacto das novas gerações pela construção de uma sociedade sustentável e solidária. Já a carta musical é fruto de um processo criativo coletivo e expressa em palavras, ritmos e imagens o compromisso das crianças, adolescentes e juventudes brasileiras com o planeta e com as comunidades que o habitam. 

CNIJMA – A Conferência Nacional consolida-se como um dos principais espaços de formação, mobilização e protagonismo infantojuvenil em torno das agendas de meio ambiente e clima no Brasil. Este ano, o evento integra a preparação nacional para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA), e reforça a importância da escola pública como território de transformação socioambiental. 

A conferência busca, ainda, promover a inserção qualificada da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999) e a inclusão de temas como mudanças climáticas e proteção da biodiversidade nos currículos escolares, conforme determina a Lei nº 14.926/2024. 

Com atividades formativas, culturais e de integração, a 6ª CNIJMA promove a troca de saberes entre estudantes, educadores e representantes de todas as regiões do país. A programação inclui a tradicional Feira de Projetos, a Muvuca, oficinas temáticas sobre justiça climática e regeneração ambiental, painéis de diálogo com autoridades e noites culturais celebrando a diversidade brasileira. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

Comentários Facebook
publicidade

Educação

Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência

Publicado

A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026

A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782. 

No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas. 

A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios. 

Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso. 

Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade. 

Leia mais:  MEC lança novo curso de licenciatura intercultural indígena

Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”. 

Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações. 

A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais. 

A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade. 

“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”. 

Leia mais:  Ideb permanece estável no ensino fundamental do Distrito Federal

Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência. 

A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção. 

No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades. 

A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão. 

Multimídia

 Assista ao vídeo:

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) 

Fonte: Ministério da Educação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana