A Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Recursos Minerais e Direitos dos Animais Domésticos da Assembleia Legislativa realizou, nesta terça-feira (21), a quinta reunião ordinária, na qual foram aprovados quatro projetos de lei, entre eles o Projeto de Lei nº 1145/2025, que institui a política de sustentabilidade da cadeia produtiva da pecuária bovina e bubalina em Mato Grosso.
Durante a discussão da proposta, que é de autoria do governo do estado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Carlos Avallone (PSDB), afirmou que a recuperação de áreas degradadas é uma exigência legal e ambiental que demanda altos investimentos, defendendo a busca de recursos junto a instituições internacionais e países interessados na regeneração e preservação ambiental.
Segundo ele, ações de recuperação e regeneração podem ser apresentadas como propostas concretas de Mato Grosso durante a COP30, atraindo financiamentos externos para fortalecer as políticas de sustentabilidade do Estado.
O deputado Carlos Avallone destacou a importância de Mato Grosso apresentar iniciativas de sustentabilidade durante a COP, citando o avanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR 2.0) como instrumento essencial para o diagnóstico das irregularidades ambientais nas propriedades rurais do Estado.
Segundo ele, o novo cadastro ambiental trará desafios à produção, mas também oportunidades de recuperação produtiva e ambiental das áreas degradadas. Nesse contexto, Avallone ressaltou o papel do Passaporte Verde, desenvolvido em parceria com o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) e o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), que permitirá às propriedades produzir carne de forma ambientalmente correta, garantindo monitoramento e prazos para a recuperação das áreas irregulares.
Já o deputado Wilson Santos (PSD), que é um dos integrantes da Comissão, elogiou o trabalho da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Carlos Avallone, destacando os avanços na prevenção e combate aos incêndios no Pantanal.
Segundo ele, o grupo tem atuado com dedicação e eficiência na defesa dos biomas mato-grossenses. Wilson ressaltou ainda que a Comissão deve marcar presença na COP30, em Belém (PA), para apresentar propostas que representem os interesses de Mato Grosso, com foco em iniciativas que conciliem desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.
Durante sua fala, o parlamentar enfatizou a importância da Amazônia, do Pantanal e da Mata Atlântica para a sobrevivência da humanidade e defendeu que a preservação ambiental exige investimentos concretos. “Não existe almoço de graça. Se vai preservar, é porque vai deixar de desmatar, e isso custa dinheiro”, afirmou Santos.
Wilson Santos lembrou que em 1999 e 2000 apresentou, na Câmara Federal, um projeto de lei prevendo mecanismos de compensação financeira para quem preserva, reforçando que é possível ampliar as áreas de conservação além do que a legislação atual determina, desde que haja recursos destinados a isso.
COP30 – Avallone afirmou que pretende participar da COP30, que será realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 12 de novembro, período em que o governo de Mato Grosso deve apresentar suas ações ambientais. Ele destacou, no entanto, que ainda há dificuldades logísticas para o deslocamento da comitiva.
Segundo o parlamentar, está sendo buscada uma solução para garantir o transporte dos cinco integrantes titulares da comissão, permitindo que o grupo acompanhe a programação oficial do Estado, representado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), pelo Instituto PCI (Produzir, Conservar e Incluir) e possivelmente pelo governador Mauro Mendes (União).
PL nº 1799/2024 – deputado Valdir Barranco (PT) – Dispõe sobre a criação do Selo “Município Mais Verde” para os Municípios do Estado de Mato Grosso que realizarem ações de arborização urbana, com o objetivo de promover a sustentabilidade e a qualidade de vida nas áreas urbanas”. Pela Aprovação do PL n° 1799/2024, nos termos do Substitutivo integral n° 02, pela rejeição do Substitutivo Integral n° 01, e pela rejeição dos apensos.
PL nº 1145/2025 – Mensagem nº 99/2025 – Dispõe sobre a política de sustentabilidade da cadeia produtiva da pecuária bovina e bubalina do Estado de Mato Grosso. Aprovado nos moldes do substitutivo integral n° 01.
PL n° 1383/2025 – deputado Fabio Tardin – Fabinho (PSB) – Altera a Lei nº 13.020, de 29 de agosto de 2025, que institui o Plano Estadual de Contingência para Ondas de Calor, para dispor sobre medidas de proteção à saúde de trabalhadores expostos ao sol. Aprovado.
PL n° 1832/2024 – deputado Dilmar Dal Bosco (União) – Altera o §1º do Art. 27 da Lei nº 9. 096, de 16 de setembro de 2009, que dispõe sobre a Política da Pesca no Estado de Mato Grosso e, dá outras providências. Aprovado com o Substitutivo Integral nº 2.
A Câmara Setorial Temática da Saúde Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), realizou, nesta segunda-feira (27), reunião ordinária para discutir a proposta de fluxo de atendimento às emergências e crises em saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), contemplando os públicos adulto e infanto-juvenil.
O objetivo foi avançar na construção de protocolos que orientem o atendimento de pacientes em situação de crise, especialmente nos casos que envolvem urgência e emergência, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), unidades hospitalares e demais pontos da rede.
Durante a reunião, foram apresentados dados sobre a estrutura existente e a atuação das UPAs, destacando a necessidade de integração entre os serviços e a importância de protocolos para dar mais segurança aos profissionais e garantir atendimento adequado aos pacientes. Também foram detalhadas informações sobre a oferta de leitos em UPAs 24 horas em Mato Grosso.
Ao todo, o estado conta com 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência distribuídos nas unidades. Cuiabá, por exemplo, possui quatro UPAs de porte III, somando 60 leitos de observação e 16 de urgência, enquanto Várzea Grande conta com uma UPA III, no Ipase, e uma UPA I, totalizando 26 leitos de observação e sete de urgência. As informações constam na Portaria nº 0646/2025/SES.
Os participantes destacaram que a quantidade de unidades e leitos ainda é considerada baixa diante da dimensão territorial de Mato Grosso e do tamanho da população atendida, o que reforça a necessidade de ampliar a estrutura e melhorar a organização da rede de atendimento.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Segundo o deputado Carlos Avallone, a Câmara tem acompanhado relatos de ambulâncias circulando com pacientes em crise sem conseguir atendimento imediato. Ele destacou que a intenção não é apontar culpados, mas identificar os problemas e construir soluções com apoio técnico.
“Na realidade, nós estamos falando do fluxo de urgência e emergência. Temos acompanhado muitos casos de ambulâncias rodando com pessoas em crise, sem ter quem receba. Existe lugar para ser recebido, que são as UPAs, mas, às vezes, isso não acontece porque estão lotadas, porque falta qualificação ou porque falta capacitação. Então, nós precisamos criar um fluxo”, afirmou.
Avallone também ressaltou que já existem propostas em andamento pela Prefeitura de Cuiabá e pelo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que poderão ser analisadas e validadas pela Câmara Setorial.
O coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Matheus Ricardo Souza, explicou que a proposta busca organizar o percurso do paciente dentro da rede, considerando os diferentes níveis de atendimento.
“O principal objetivo dessa reunião é articular o percurso desse paciente quando ele estiver em situação de crise e precisar de uma atenção especializada e de uma resposta rápida. A ideia é facilitar a assistência e o acesso à saúde nessas condições, tanto para o público infantil e juvenil quanto para o público adulto”, afirmou.
O parlamentar reforçou que a presença de diferentes instituições na Câmara Setorial fortalece a construção de uma proposta conjunta. “Quando se tem um fluxo aprovado por psicólogos, psiquiatras, Ministério Público, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa, Estado e municípios, fica muito mais fácil fazer com que ele seja cumprido”, disse.
Para Avallone, a Câmara Setorial tem o papel de reunir especialistas, apoiar tecnicamente os municípios e viabilizar recursos quando necessário. “Criticar é fácil. O mais difícil é estudar, conhecer o caminho, chamar as pessoas para ajudar e colocar o recurso no lugar certo. É isso que estamos fazendo. A Câmara está aqui para ajudar a saúde mental a atender a população que mais precisa, porque ela está sofrendo muito”, concluiu.
Como encaminhamento, ficou acordada a formação de um grupo técnico para acompanhar a construção de fluxos e protocolos. O trabalho deverá orientar a atuação das unidades envolvidas e melhorar a articulação entre os serviços.
A reunião contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), de profissionais de saúde e da equipe técnica da ALMT.
Dasos UPAS 24h em MT: ofertas de leitos
Município | Porte | Leitos de Observação | Leitos de Urgência
Cuiabá | 4 UPAs – Porte III | 60 | 16
Várzea Grande | 1 UPA – III (IPASE) e 1 UPA I | 26 | 7
Poconé | 1 UPA – Porte I | 7 | 2
Barra do Garças | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Juína | 1 UPA I | 7 | 2
Cáceres | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Rondonópolis | 1 UPA III | 15 | 4
Primavera do Leste | 1 UPA II | 11 | 3
Sorriso | 1 UPA | 7 | 2
Sinop | 1 UPA II | 11 | 3
Total de 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência (Fonte: Portaria 065/2025/GBSES/MT. Posição de setembro de 2025).
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