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Como pecuaristas podem se preparar para a seca e garantir oferta de alimento ao rebanho

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Com a chegada do período seco, pecuaristas precisam adotar estratégias eficientes para assegurar alimentação adequada ao rebanho, mantendo desempenho produtivo e minimizando perdas. O manejo correto da forragem e o planejamento antecipado são determinantes para enfrentar os desafios da sazonalidade climática.

Segundo Hemython Nascimento, engenheiro agrônomo e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds, dentro de uma mesma propriedade existem duas realidades distintas: a “fazenda das águas”, com pastagens abundantes e nutritivas, e a “fazenda da seca”, com redução de produção e valor nutricional.

Planejamento forrageiro é essencial

O primeiro passo para enfrentar a seca é um planejamento forrageiro detalhado. É preciso estimar a demanda de alimento do rebanho e a quantidade de forragem disponível na propriedade. Essa avaliação permite calcular, por exemplo, quanto de silagem deve ser produzido ou quantos animais podem ser mantidos em pastos diferidos ou em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

A produção de silagem de capim pode aproveitar o excedente de massa verde do período chuvoso ou áreas específicas preparadas para esse fim. Além de garantir alimento volumoso durante a seca, a colheita estratégica evita acúmulo de colmos e material senescente, mantendo melhor relação folha:colmo, qualidade nutricional e eficiência de pastejo.

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Para garantir silagem de qualidade, é essencial respeitar parâmetros técnicos, como estádio de colheita, tamanho da partícula, compactação adequada e, quando necessário, o uso de inoculantes para estabilizar a fermentação.

Diferimento de pastagens: estoque estratégico de forragem

O diferimento consiste em vedar áreas estratégicas ao final do período chuvoso, criando um estoque de forragem para o período seco. A vedação deve ocorrer entre fevereiro e março, permitindo o uso das áreas a partir de abril ou maio, dependendo das condições climáticas.

A adubação nitrogenada pode ser usada para aumentar a produção de massa seca durante o diferimento, mas a escolha da espécie ou cultivar é fundamental. Forrageiras de porte alto, como Panicum maximum Mombaça, Zuri, Tanzânia e Miyagui, podem apresentar redução da qualidade da forragem. Já cultivares de Urochloa (Brachiaria) decumbens, Piatã, Marandu e Paiaguás e panicuns de porte baixo, como Massai e Tamani, mantêm melhor relação folha:colmo e favorecem o consumo pelos animais.

Integração Lavoura-Pecuária (ILP) amplia oferta de forragem

A ILP é uma estratégia produtiva que integra atividades agrícola e pecuária, permitindo intensificação sustentável do uso da terra. Após a colheita da soja, forrageiras podem ser implantadas isoladamente ou em consórcio com milho ou sorgo safrinha, formando pastagens temporárias disponíveis durante outono e inverno, quando a produção de pastagens perenes diminui.

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Cultivares adequadas de Urochloa e panicuns de porte baixo apresentam alta produtividade, tolerância à seca e bom residual de palhada, garantindo proteção do solo e manutenção da produtividade da soja na safra seguinte. Panicuns de porte alto, como Zuri e Miyagui, podem ser utilizados quando há infraestrutura para pastejo eficiente.

A ILP contribui para diluição de custos, aumento da produtividade por hectare e maior oferta de alimento durante a seca, sendo uma ferramenta estratégica para o manejo sustentável da propriedade.

Conclusão

Enfrentar a seca exige planejamento antecipado, escolha adequada de forrageiras e uso de técnicas como silagem, diferimento e ILP. Essas estratégias permitem manter a produção do rebanho, reduzir desperdícios e otimizar o uso da terra ao longo do ano, garantindo sustentabilidade e eficiência econômica na pecuária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira aumenta produtividade e evita ocupação de 423 milhões de hectares, aponta estudo

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A pecuária de corte brasileira vem consolidando nas últimas décadas um avanço expressivo em produtividade, eficiência e uso racional da terra. Um levantamento da Athenagro aponta que os ganhos tecnológicos registrados entre 1990 e 2025 permitiram ao Brasil evitar, de forma teórica, a ocupação de aproximadamente 423 milhões de hectares para sustentar o atual nível de produção de carne bovina.

O estudo reforça que o crescimento da pecuária nacional ocorreu principalmente por meio do aumento da produtividade, da intensificação dos sistemas produtivos e da adoção de tecnologias no campo, e não apenas pela abertura de novas áreas de pastagem.

Segundo Maurício Palma Nogueira, o chamado “efeito poupa terra” se tornou um dos principais indicadores para avaliar a evolução da eficiência da pecuária brasileira, especialmente em um momento de maior atenção internacional sobre sustentabilidade e produção agropecuária.

Produção cresceu enquanto área de pastagem permaneceu mais estável

O levantamento da Athenagro mostra a evolução simultânea da produção de carne bovina, da área total de pastagens e da área teoricamente poupada de desmatamento graças ao aumento da produtividade pecuária ao longo das últimas décadas.

De acordo com os dados apresentados, a produção brasileira de carne bovina avançou de forma consistente desde os anos 1990, enquanto a área efetiva de pastagens seguiu uma trajetória relativamente estável.

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Na prática, isso significa que o país conseguiu produzir mais carne em uma área proporcionalmente menor, graças à adoção de genética, manejo de pastagens, suplementação nutricional, integração lavoura-pecuária e novas tecnologias aplicadas à produção animal.

O gráfico elaborado pela consultoria mostra que a área poupada cresceu continuamente ao longo da série histórica, chegando a 397 milhões de hectares em 2024 e alcançando 423 milhões de hectares em 2025.

Sem ganho de produtividade, pecuária exigiria 583 milhões de hectares

O estudo destaca que o cálculo do efeito poupa terra é feito a partir de uma comparação teórica. A análise considera qual seria a área necessária para produzir o atual volume de carne bovina caso a produtividade permanecesse no mesmo patamar observado no início dos anos 1990.

Segundo a projeção da consultoria, sem os avanços tecnológicos incorporados ao setor nas últimas décadas, a pecuária brasileira precisaria ocupar cerca de 583 milhões de hectares para atingir o mesmo nível de produção registrado atualmente.

O número evidencia o impacto da intensificação produtiva na eficiência do uso da terra e no fortalecimento da competitividade da carne bovina brasileira no mercado global.

Debate ambiental ganha força às vésperas da COP de Belém

Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém, os dados relacionados à sustentabilidade da agropecuária brasileira ganharam ainda mais relevância no debate público e internacional.

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Segundo Maurício Palma Nogueira, as informações sobre o efeito poupa terra frequentemente geram debates e questionamentos de grupos ambientalistas. Ele ressalta, no entanto, que o indicador não deve ser interpretado como uma medida direta de combate ao desmatamento.

O objetivo da análise, segundo o especialista, é demonstrar que a expansão da produção pecuária brasileira ocorreu principalmente apoiada em ganhos de eficiência produtiva e tecnológica.

Tecnologia transforma a pecuária brasileira

Nos últimos anos, a pecuária nacional acelerou investimentos em manejo intensivo, recuperação de pastagens degradadas, confinamento, integração lavoura-pecuária-floresta e melhoramento genético.

Esse movimento tem permitido aumento da produtividade por hectare, maior oferta de proteína animal e avanço da competitividade brasileira no mercado internacional, sem crescimento proporcional da área ocupada pela atividade.

O cenário reforça o papel da tecnologia como principal vetor de transformação da pecuária brasileira, em um contexto de crescente demanda mundial por alimentos e pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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