Agro News

COP30: Fundo Amazônia quadruplica aprovações, amplia capilaridade e se consolida como instrumento de financiamento climático

Publicado

O Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apresentaram na última segunda-feira (17/11), na COP30, em Belém, o balanço mais robusto de toda a trajetória do Fundo Amazônia, confirmando a ampliação de escala, capilaridade e impacto do principal mecanismo de financiamento climático baseado em resultados do mundo. 

Em 17 anos, o Fundo financiou mais de 140 projetos, alcançou 75% dos municípios da Amazônia Legal, apoiou mais de 260 mil pessoas e se tornou referência internacional em governança, transparência e resultados concretos em restauração florestal, proteção territorial, sociobioeconomia, regularização fundiária, segurança pública ambiental, educação e fortalecimento institucional de povos e comunidades tradicionais.

O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, destacou que os resultados apresentados não representam apenas o sucesso de um mecanismo financeiro, mas a consolidação de uma estratégia de Estado. Ele recordou que a concepção do Fundo Amazônia nasceu do enfrentamento ao desmatamento liderado pelo governo brasileiro a partir de 2006, com o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), que articulou 13 ministérios. “Reduzimos as emissões em 5 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2004 e 2012 ao combater frontalmente o desmatamento. Demonstramos ao mundo que havia método, havia ciência e havia política pública”, afirmou.  

O secretário também enfatizou o caráter ético e intergeracional da iniciativa: “Cada investimento do Fundo Amazônia carrega uma mensagem poderosa: a floresta tem valor em pé. E que mover-se rumo a um desenvolvimento sustentável não é utopia, é uma decisão política.”

Apresentado pela diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o balanço demonstrou que, após quatro anos de paralisação (2019–2022), o Fundo Amazônia reconstruiu sua capacidade operacional e atingiu o ciclo mais ativo de aprovação de projetos, com uma média anual que quadruplicou em relação ao período histórico. “O Fundo Amazônia voltou a operar em um novo patamar. Depois de quatro anos sem aprovar um único projeto, reconstruímos toda a carteira, reorganizamos a estratégia e mostramos que é possível atuar com escala, urgência e impacto. Este balanço demonstra a força de um instrumento que combina política pública, ciência, participação social e cooperação internacional. O Fundo Amazônia prova, mais uma vez, que manter a floresta em pé é viável, eficiente e oferece resultados mensuráveis e transformadores”, afirmou Tereza.

A retomada coincidiu com uma ampliação inédita da base de doadores. O número de contribuintes passou de três para dez, com a entrada da União Europeia, Suíça, Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca, Irlanda e Japão. Eles se somam aos doadores históricos – Noruega e Alemanha – que reforçaram seus compromissos, além da doação da Petrobras. O ministro Andreas Bjelland Eriksen, chefe da pasta de Meio Ambiente da Noruega, maior doadora desde 2008, destacou no painel o papel estratégico da parceria e a confiança na nova etapa do Fundo.

Leia mais:  Paraná liderou o crescimento da produção de peixes em 2024

Representando a Alemanha, Wolfgang Bindseil, Ministro da Embaixada da Alemanha no Brasil, reforçou que o país esteve ao lado do Fundo desde sua criação e que a fase atual é a mais promissora de toda a trajetória. “A Alemanha apoia o Fundo Amazônia desde o início e manteve esse apoio mesmo nos momentos mais difíceis. A recuperação rápida e consistente do Fundo evidencia sua importância e credibilidade internacional. Ver o crescimento do número de projetos, a expansão territorial e o fortalecimento institucional de órgãos como o Ibama mostram que este é um modelo internacional de referência para financiamento climático baseado em resultados”, afirmou.

A economista Mariana Mazzucato, professora da University College London (UCL), enfatizou durante o painel que o Fundo Amazônia representa uma inovação de política pública rara no cenário global – um mecanismo orientado por missões, com foco direto nos guardiões da floresta e evitando a intermediação excessiva. “O Fundo Amazônia estabelece uma relação direta entre o financiamento e as comunidades que protegem a floresta. Em um mundo onde muitos mecanismos financeiros privatizam ganhos e socializam riscos, o Fundo oferece exatamente o oposto: transparência, impacto e valor público. É uma inovação brilhante e deveria inspirar o desenho de outros mecanismos climáticos no mundo.”

Capilaridade e fortalecimento institucional 

O balanço apresentado confirma o fortalecimento simultâneo de ações estruturantes, alcance territorial, conjugando impacto ambiental e social. Mais de 650 organizações da sociedade civil já foram apoiadas, incluindo associações indígenas, cooperativas extrativistas, organizações quilombolas e entidades comunitárias que atuam em territórios críticos da Amazônia Legal. Os projetos alcançam Terras Indígenas, Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e milhares de agricultores familiares em toda a região.

O Restaura Amazônia, financiado com R$ 450 milhões, foi apresentado como símbolo da nova etapa do Fundo. A iniciativa reorganiza a política de restauração numa faixa territorial estratégica antes conhecida como Arco do Desmatamento – agora tratada como Arco da Restauração. O programa está recuperando ecossistemas em 39 Terras Indígenas, 80 assentamentos da reforma agrária e nove Unidades de Conservação, com plantio de espécies nativas, sistemas agroflorestais, produção sustentável e geração de renda.

Na dimensão de comando e controle, o apoio do Fundo ao Ibama, por meio da Operação FORTFISC, constitui o maior investimento individual da história do Fundo. A iniciativa fortalece a estrutura do órgão com helicópteros, drones de alta tecnologia, monitoramento por inteligência artificial, centros de treinamento e salas de fiscalização em tempo real. O Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, recebeu apoio para ampliar a atuação da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e polícias estaduais com embarcações blindadas, aeronaves e bases de operação, enfrentando o crime ambiental interfronteiriço.

Leia mais:  Adubação eficiente: quatro indicadores mostram se o investimento em fertilizantes está gerando lucro na lavoura

O Fundo Amazônia também acelerou investimentos nos Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia, destinando R$ 371 milhões para viaturas, equipamentos e bases especializadas, fortalecendo a resposta a queimadas na Amazônia. Ainda em 2025, o Fundo passou a apoiar também  a implementação da Política de Manejo Integrado do Fogo, e já apoia ano Cerrado e no Pantanal.

No eixo social e produtivo, o programa Amazônia na Escola – realizado pelo MMA, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – conecta comunidades indígenas, quilombolas e agricultores familiares às compras públicas da alimentação escolar. O projeto piloto já alcança mais de um milhão de crianças da rede pública, reorganizando o fluxo de abastecimento e fortalecendo a produção local.

A regularização fundiária também avançou. O programa União com Municípios, com R$ 150 milhões, fortalece a governança de 48 municípios prioritários e beneficia 7,3 mil famílias com titulação, assistência técnica, regularização ambiental e acesso a crédito. O projeto Caminhos Verdes, do INCRA, moderniza a base territorial da Amazônia e apoia o cadastramento de mais de 1,2 milhão de imóveis no CAR.

Agenda na COP30

O Fundo Amazônia apresentou um conjunto de anúncios que ampliam sua presença territorial e fortalecem políticas públicas estruturantes. O BNDES anunciou o apoio de R$ 53 milhões ao programa Paz no Campo, no Maranhão, iniciativa voltada à ampliação da regularização fundiária, à melhoria da gestão territorial e ao apoio a produtores rurais. Para o Pará, foi aprovada a destinação de R$ 81,2 milhões ao projeto Pará Mais Sustentável, que impulsionará a regularização ambiental e fundiária, a sociobioeconomia e o desenvolvimento produtivo de baixo carbono em 27 municípios do Baixo Amazonas e Xingu. A agenda incluiu ainda o anúncio do Coopera+Amazônia, que prevê R$ 107 milhões para fortalecer 50 cooperativas extrativistas e dinamizar cadeias como açaí, castanha, babaçu e cupuaçu em cinco estados da Amazônia Legal.

Na frente internacional, o Fundo Amazônia confirmou R$ 55 milhões destinados ao projeto da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que ampliará ações regionais de prevenção e controle do desmatamento na Pan-Amazônia. Também recebeu a entrega efetiva da doação de R$ 124 milhões da União Europeia, com desembolsos previstos ao longo de quatro anos, e celebrou a oficialização da nova doação da Suíça, no valor de R$ 33 milhões, formalizada durante a conferência.

(com informações da Agência BNDES de Notícias)

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA
 
 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

FAO en Alter do Chão: Gobierno de Brasil participa en los debates sobre el sector de la acuicultura

Publicado

El Ministerio de Pesca e Aquicultura (MPA) estuvo presente este lunes (10) en Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), representado por el ministro Edipo Araujo. Él participó en el evento organizado por la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO), con el apoyo de INFOPESCA y la Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esta es la primera vez que este evento se realiza en el municipio.

El ministro participó en el taller “Estado y perspectivas futuras de las principales especies de peces comerciales cultivadas en la cuenca amazónica”. La iniciativa busca intercambiar conocimientos técnicos actualizados, analizar desafíos comunes y explorar oportunidades de cooperación regional enfocadas en el desarrollo sostenible de la acuicultura de especies nativas. El enfoque abarca especies nativas de alto valor productivo y comercial, como el tambaqui (Colossoma macropomum), el pirarucú (Arapaima gigas), el pacú y el paco (Piaractus spp.), el matrinxã (Brycon spp.), el bagre amazónico (Pseudoplatystoma spp.), así como variedades híbridas.

Leia mais:  Metafilaxia: Estratégia eficaz contra doenças respiratórias em bovinos antes do confinamento

 

FAO
FAO

Foto: Cláudio Braga

En consecuencia, el taller contribuye a la elaboración de recomendaciones para el sector. “Actualmente, la acuicultura brasileña alcanza alrededor de 882,3 mil toneladas anuales, superando la producción de la pesca extractiva, que registra aproximadamente 485,7 mil toneladas por año. Estas cifras indican la creciente participación de la actividad acuícola en la oferta de pescado, en la conservación de los stocks pesqueros naturales, en la seguridad alimentaria y nutricional, en el desarrollo regional y en la generación de ingresos para las familias, especialmente para las mujeres, destacó Edipo.

 

Por la tarde, el ministro participó en una mesa redonda en la Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), donde se abordaron temas relacionados con las políticas públicas y las perspectivas para la pesca y la acuicultura. La agenda también incluyó una visita técnica al Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), campus de Santarém.

Leia a versão em Português aqui.

Leia mais:  Paraná liderou o crescimento da produção de peixes em 2024

Ana Célia Costa 

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana